Almoço para dois encontros

14/jun/2020 - Explore a pasta 'Almoço Sexta-Feira Santa e Páscoa' de Sheila Du, seguida por 670 pessoas no Pinterest. Veja mais ideias sobre Sexta feira santa, Almoço, Receitas. Receitas Para Encontros, Almoço E Jantar, Para Comemorar O Dia Da Sogra No Ebook de Culinária Receitas de Família para Encontros Especiais a autora Sheila Duarte trouxe a público as receitas de sua família para ajudar você a elaborar Menus muito gostosos, simples e fáceis de fazer e que vão dar sabor especial aos seus Encontros. Escrevam cada uma destas ideias para encontros e muitas outras que vos vierem à mente, cada uma num pedaço de papel. Coloque-os no jarro e proponham-se a marcar um deles de vez em quando. Será uma surpresa para os dois! Com esta chuva de encontros românticos, terás uma boa temporada de surpresas e novas emoções. Como correu? Conta-nos! Diogo Amaral viajou até ao Rio de Janeiro, no Brasil, para uns dias de descanso.Porém, o ator não se encontrou apenas com as paisagens maravilhosas e a praia. O rosto da TVI fez questão de se reencontrar com José Fidalgo e Ricardo Pereira, o ator e o apresentador portugueses que estão a dar cartas na cidade brasileira.. O ator, de 36 anos, captou os encontros especiais e partilhou-os no ... Receitas para o almoço de domingo: fáceis e deliciosas Carne ao molho de cerveja. Ingredientes 800 g de bife da vazia 2 c. de sopa de óleo 1 ramo de alecrim 4 dentes de alho 1 cebola cortada tomilho a gosto 1 c. de sopa de extrato de tomate 1 lata de cerveja sal a gosto. Modo de preparação. Para começar, limpe bem a carne e tempere com ... Os restaurantes, bares e hotéis mais procurados para encontros amorosos furtivos Por João Batista Jr., Luiz Henrique Ligabue, Nathalia Zaccaro e Daniel Bergamasco - Atualizado em 1 jun 2017 ... No dia 08/03, sexta-feira, atendi a um convite para almoço com um bom amigo e parceiro, que teve a gentileza de me apresentar outros dois de seus amigos que eu ainda não conhecia. Um deles vive parte do tempo no exterior e o outro é seu parceiro de negócios, com quem tem contato mais frequente. 12/set/2020 - Aqui você vai encontrar pins para preparar desde almoços rápidos e práticos para os almoços de fim de semana e para almoços de grandes encontros familiares e com os amigos. São pratos versáteis, incluindo refeições vegetarianas e veganas. Com dicas de massas, carnes, aves, cogumelos e pratos lights. cozinhalegal.com.br. Veja mais ideias sobre Almoço rapido e pratico ... “Tinder dos restaurantes” aposta em encontros durante o almoço O aplicativo de relacionamentos Lobstr, lançado nesta segunda (7), tem o objetivo de levar a paquera para os restaurantes da ... Está pensando em fazer um almoço romântico e surpreender o seu amor? Então não deixe de conferir 27 receitas ideais para a ocasião! O seu almoço romântico com certeza será inesquecível, mesmo com receitas práticas e simples de fazer! Strogonoff de frango Strogonoff de frango é um clássico que você precisa aprender a fazer para seu maravilhoso almoço romântico apaixonado!

Nem sei que título colocar

2020.09.18 23:43 OAlguem Nem sei que título colocar

Bom aqui estou novamente, depois de muito tempo sem questionar que merd* eu estou fazendo...
19 anos, cursando dois cursos superiores no 1°P em ambos. Passo minhas manhãs vendo as aulas de um curso, almoço, volto para o computador e fico vendo qualquer outra coisa na internet além de ver as aulas do outro curso. Irônico que o curso que estou vendo as aulas e fazendo bonitinho não é o que eu quero fazer carreira.
Eu sou uma pessoa, em alguma medida, perfeccionista. Tenho um ritmo próprio muito pessoalmente definido e às vezes tenho impressão que não vou conseguir fazer as coisas no tempo que elas demandam. Hoje estou pensando: será que vale o sofrimento de deixar o ócio de lado para focar nos estudos? Vale o futuro que eu me prometo?
Cara, às vezes só quero voltar a ser criança pra ficar jogando videogame o dia todo e não precisar pensar o que quero ser e fazer daqui uns anos.
Estimo que todos mês eu, querendo ou não, tiro 820 reais dos meus pais pra me sustentar. A projeção é que isso continue, até que eu arrume um emprego.
O curso que procrastino é difícil pra mim. Muita leitura pra uma pessoa q leu tão pouco durante a vida. Apesar de amar o conteúdo, eu prefiro virar a cabeça, evitar a dificuldade e ficar no ócio. Tenho medo de não conseguir e abomino a idéia de me tornar um mal profissional. Mas parece que não consigo desvirar a cabeça.
O outro curso eu não me dedico muito mas sou relativamente bom nas matérias.
Não encontro motivação pra me levar adiante e largar a procrastinação, que por mais que eu negue que o seja, é procrastinação.
Quem leu provavelmente deve me odiar por ser tão privilegiado mas tão preguiçoso. E com razão mas no final, ainda é cada um com seus problemas individuais.
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2020.08.09 01:05 Mineira_Anonima Nice Estagiária Filha da Fruta

Tentei reduzir o máximo que eu pude gente, mas eu tinha que detalhar tudo diretinho.
Olá Luba, editores etc... E turma que está a ver... Vou apresentar a vocês a história de quando uma estagiária quase fez minhas colegas e eu repetirmos o estágio mas demos a volta por cima.
Isso aconteceu em 2019, estávamos no 4° Período de Psicologia e começaríamos o nosso primeiro estágio. Minhas amigas Ana Paula e Manu (nomes trocados) e eu fomos estagiar em uma instituição familiar que faz trabalhos com crianças, jovens e idosos, lugar maravilhoso por sinal.
Nós faríamos 10 encontros de 3 horas cada com dois grupos, um de crianças e um de pré adolescentes, teríamos que apresentar um relatório para cada encontro e no fim do estágio mais um relatório final de umas 80 páginas, fora um outro trabalho sobre a instituição em que tínhamos que ler 20 artigos sobre psicologia social e escrever um resumo de cada um. Esse trabalho tivemos que entregar antes do início do estágio. Um pouco cansativo mas nada impossível
Passaram-se uns 3 encontros na IFI (nome fictício pra instituição que significa instituição familiar incrível) e o Carls (nosso supervisor de estágio) nos apresentou a Nice Estagiária, a Rainara. Ele disse que ela tinha se transferido de outra facul e que estaria no nosso grupo de Estágio. Ela já estava no sétimo período e as meninas e eu no quarto, então estranhamos muito quando ela disse que ainda não tinha começado a fazer estágio mas na nossa facul começamos a estagiar cedo então ok. Como uma boa anfitriã ajudei a Rainara a fazer a inscrição do estágio e expliquei como funcionaria tudo certinho.
Nós recebemos a Rainara de braços abertos embora eu sentisse que algo de errado não estava certo naquela garota, ela tinha uma carinha de sonsa que não me agradava.
Então começamos a pôr a mão na massa, separamos os artigos para recomeçar o trabalho, cada uma ficou com 5 pra ler e fazer os resumos. Quase não entregamos no prazo mas deu tudo certo.
No último dia pra entregar o trabalho, Ana Paula, Manu e eu estávamos trabalhando a todo vapor quando eu recebo uma mensagem da bunita da Rainara dizendo que estava muito difícil fazer os resumos e perguntando se eu não queria fazer pra ela. Eu disse que não, é claro, e expliquei que todas nós estávamos atoladas com o trabalho. Então ela fez a parte dela e as meninas e eu fizemos a nossa (a parte dela ficou uma boxta).
Quando fomos nos outros encontros na IFI tivemos mais problemas, vez ou outra a Rainara faltava e quando ela ia, ela não interagia com as crianças. Nós combinamos de que em cada semana uma de nós faria o planejamento do próximo encontro, e quando chegou a vez dela fazer ela ficou enrolando e querendo que as meninas e eu fizéssemos isso pra ela, nós ajudamos, mas o resto do planejamento ela teve que fazer sozinha.
Quando chegou no final do estágio, Ana Paula e eu tínhamos faltado tbm uma vez cada uma. Eu faltei por causa de uma entrevista de emprego lá em Coronel Fabriciano e Ana Paula teve que ficar em Governador Valadares pra uma consulta médica. A Rainara acumulava faltas, um dia ela ficou doente, outros dias ela dizia que tinha que trabalhar mas ela não procurava o pessoal da instituição pra ver como ela poderia repor essas faltas, provavelmente queria que nós fizéssemos isso pra ela.
Nós dividimos as partes pra cada uma fazer o relatório final e a Rainara ficou com a introdução (péssima ideia) ela fez aquele drama falando que a introdução era difícil demais e que era pra dar uma coisa mais fácil pra ela fazer, SENDO QUE TODO O DESENVOLVIMENTO, MÉTODO E CONCLUSÃO QUE QUASE MATAM A GENTE, E AS MENINAS E EU QUE ESTÁVAMOS FAZENDO. Depois de relutar muito ela fez a introdução e adivinha... Ficou uma boxta. O Carls reenviou o relatório final pra mim falando que estava horrível (ele só leu a introdução e desistiu) eu entrei em pânico e a crise de ansiedade veio pra me detonar, avisei Ana Paula e Manu que ficaram do mesmo jeito. Lembro que na hora que eu recebi o e-mail estávamos nos preparando pra ir pra pra missa aqui em casa. Minha mãe parou de se arrumar e sentou comigo pra tentar limpar a merda que a Rainara tinha feito. Vocês tinham que ver o desastre que estava, erros de concordância verbal, erros de português, aquela coisa bem mal feita mesmo. Minha mãe que me salvou e me ajudou a refazer toda a introdução.
Dias depois a redação voltou pra gente de novo, mas o Carls só queria que a gente arrumasse algumas coisinhas simples, então nós dividimos de novo pra pesquisar as últimas coisas que faltava, eu mandava mensagem pra Rainara pra ela pesquisar as coisas mas ela não me respondia, então pensei "Deixe estar, vai ter volta".
Então, teria um evento com os idosos em outra filial da IFI que ficava lá na PQP de Ipatinga, Ana Paula e eu fomos nesse evento pra cumprir as 3 horas que nos faltavam, mas a Rainara, que faltava quase metade do estágio não apareceu, até aí já tínhamos desistido de ajudar e deixamos ela ao relento já que ela não tinha tirado o cavalinho dela da chuva.
Durante todo esse estágio minhas amigas e eu ralamos muito, depois dos encontros íamos direto pra casa da Manu e ela comprava umas coisas e fazíamos um almoço merecido, a Ana Paula me ajudou até às 2 da manhã do último prazo pra entregar o relatório final e até quando ela estava no hospital ela fazia parte do trabalho pelo celular no Google docs.
(tá acabando, eu prometo)
Então, nós iríamos ter que entregar uma versão impressa do nosso relatório final e cada uma teria que ter sua própria impressão com o próprio nome escrito em suas cópias, eu fiquei responsável por enviar o arquivo do relatório para as meninas. Então, eu com sangue no zói enviei só pra Ana Paula e pra Manu e deixei e a Rainara ficou sem o relatório e reprovou no estágio.
A gente viu a Rainara outras vezes na faculdade mas graças a Deus ela fingiu que não conhecia a gente. Ah, e fiquei sabendo que no trabalho de estágio do último semestre ela entrou em contato com a Ana Paula querendo que ela ou a Manu mandassem os trabalhos delas pra ela "usar de modelo" e disse que não ia pedir pra mim dessa vez porque eu tinha ficado com raiva dela. Aí eu falei com a Ana Paula dando risada que eu não tô com raiva dela não kkkk, eu já me vinguei e isso já é o suficiente, e foi o prato mais saboroso que já degustei, embora estivesse frio.
Obrigado a todos que leram até aqui e nunca deixem ninguém montar em vcs, bjs menor que 3. ❤️
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2020.08.06 06:08 denesfernando Sou Babaca Por Querer Que O Namorado Da Minha Amiga Não Passe Mais A Quarentena Aqui E Volte Pra Casa Dele?

Olá Luba, editores, gatas e Turma. Essa história que vou compartilhar aqui é recente, ainda estou tratando em terapia, mas ela começa um pouquinho lá atrás.
Um ""pouco"" de background para situar a todos de onde tudo isso começou.
Em 2013 comecei namorar um cara que vou chamar de Karen, por ele ser muito, mas muito CUSÃO (inclusive, ele se parece muito com você Luba e por vocês serem tão idênticos, eu passei um bom tempo sem assistir o canal, pois não conseguia te ver sem lembrar dele). Mas, enfim, em 2015 ele e o grupo da faculdade dele decidiram morar todos juntos em uma casa perto da faculdade, pois estava exaustivo para todos trabalharem em pontos distintos da cidade (São Paulo, para se alguém quiser se situar).
Então, em janeiro de 2016, eles se mudaram e eu ia para lá aos fins de semana, até que acabei me mudando para a casa em Junho do mesmo ano, no dia do meu aniversário.
Pois bem, foi uma fase horrível da minha vida por causa do meu ex, terminamos em maio de 2017 e tive que sair da casa. Esse meu ex era um abusador, um aproveitador, a pior pessoa que eu poderia ter conhecido na minha vida. Os abusos psicológicos que ele cometeu comigo, afetaram totalmente minha confiança e em como eu viria a me relacionar com outros caras, fora as crises de ansiedade que eu arrasto até hoje.
Mas então, eu fiquei amigo dos amigos dele da faculdade e em especial da Karls que virou minha melhor amiga.
Em 2017 eles terminaram a faculdade e em 2018 o contrato da casa venceu e eles finalmente poderiam se mudar, áquela altura ninguém suportava mais olhar pra cara do Karen.
Então, foi nesse momento, que a Karls e o Akarls me chamaram para vir morar com eles numa nova casa. Sem o Karen. E hoje nós três vivemos como uma família feliz com os nossos pets.
2019
Eu conheci um cara, eu vou chamar ele de Lars.
Lars e eu começamos a trocar mensagens, se conhecer, nos aproximarmos. Até então, antes dele, todos os outros caras que eu acabei ficando, não davam certo, (tem muito gay problemático nessa cidade). Mas Lars foi diferente, conforme nos conhecíamos, ele ia transpondo todas as muralhas que eu usava como defesa, pois meu maior medo seria voltar para um relacionamento abusivo, tóxico e doentio.
Com o Lars eu fui bem devagar, realmente queria conhecer ele, pra ver se o que eu estava sentindo era o certo e se ele não iria me fazer mal.
Nesse tempo conhecendo ele, eu desabafava com Karls todas as minhas inseguranças, pois ela tinha vivido todo o meu drama com o meu ex, ela sabia dos meus medos, receios, inseguranças em me relacionar com alguém e ela me dava todo o apoio, pra poder voltar a acreditar e saber que nem todo mundo é igual o Karen, que na verdade eu dei azar com o Karen, mas que não seria assim de novo.
Depois de tantos embates sobre minhas agruras eu acabei me desarmando e me permiti começar algo com o Lars.
Um mês e meio depois, finalmente decidi trazer ele em casa, para conhecer meus amigos e 😏.
Então, foi nesse fim de semana de novembro de 2019 que coisas aconteceram.
Depois de ficarmos, acabei aceitando os meus sentimentos por ele, pensei que depois de tanto tempo solteiro, passando por aventuras fracassadas com pessoas que não se encaixavam, onde a química só proporcionava uma reação inicial. Ali estava talvez o momento de poder compartilhar momentos com alguém.
Mas aquele início de sonho desmoronou muito rápido. No domingo quando ele estava pra sair para trabalhar, Lars me contou que iria para o Beto Carrero com um amigo. Fui pego de surpresa, pois ele não havia mencionado nada nas nossas conversas durante a semana.
Na época, Lars trabalhava como bartender numa cafeteria e reclamava de trabalhar muito, não ter finais de semana livres e só folgar nas segundas-feiras.
Como não tínhamos oficializado nada, nossa primeira vez foi na noite anterior e o fato de estar disposto a querer começar a construir uma relação tinha sido algo que eu havia arrazoado no meu coração, achei absurdo demais eu questionar porque ele não tinha me falado nada antes.
Tudo bem, ele iria no Beto Carrero com um amigo, logo após sair da cafeteria. Pegaria o ônibus na estação do Tietê no domingo a noite, passaria o dia no parque, já que a folga seria na segunda, e na segunda a noite ele voltaria e iria trabalhar na terça-feira de manhã. Eu, pelo menos, imaginei que seria assim.
Na segunda-feira, eu fui trabalhar normal, vi as fotos dele no Beto Carrero, os stories no Instagram aparentemente nada de estranho, mas a primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato dele não ter postado um único story com o amigo, mas até aí, se eu encucasse com isso, seria uma atitude tóxica e eu não queria isso. Numa relação deve existir confiança.
Nós não nos falamos o dia inteiro, pois eu não iria ficar o importunando num passeio como aquele, que ele aproveitasse o máximo possível. Foi quando às 18:00 eu resolvi mandar uma mensagem para ele, já que eu estava saindo do trabalho.
A mensagem era mandando um "oi" e desejando que ele tivesse se divertido bastante e fizesse uma viagem tranquila de volta.
Foi quando ele me respondeu que não voltaria aquela noite, que ele iria para Balneário Camboriú com o amigo passear de barco. Eu fiquei completamente sem reação, foi um choque. Ele só reclamava de como o trabalho explorava ele, não era flexível e do nada, de uma viagem totalmente espontânea que aconteceu aleatoriamente pra aproveitar um dia de folga num bate e volta, surgiu uma folga no dia seguinte.
Eu não tive como não ser arrastado de volta para os tempos do Karen, onde eu fui trouxa por anos, onde ele matava aula pra transar na escada da faculdade, dizia que ficava até mais tarde no serviço pra não pegar trânsito, mas na verdade ia para dates furtivos de apps de pegação (inclusive tenho uma história ótima com relação a isso da época do Karen), enfim, meu cérebro e meu coração ligaram o sinal vermelho, as sirenes começaram a zunir no meu ouvido, a última coisa que eu queria era ser enganado como fui na minha última relação.
Voltando, Lars não falou mais nada depois disso, fui pra casa naquele dia. Na terça-feira de manhã, outro sinal de alerta, não tinha nenhuma mensagem no celular. Isso poderia ser irrelevante, se a gente não tivesse passado o último mês e meio, trocando várias mensagens e memes da hora que acordava até a hora de dormir. Me senti mal, a conversa tinha morrido da noite para o dia, fiquei angustiado, pois eu estava começando a gostar dele e aquilo mudou da noite para o dia.
Terça-feira se foi, ele em Balneário Camboriú, fotos e stories no Instagram se seguiram e nada desse amigo misterioso.
Finalmente, a noite ele estava voltando e mandou uma mensagem dizendo que estava exausto, mas estava voltando. Nesse momento, minha mente já tinha formulado mil e uma histórias, mas resolvi ser prudente, apesar da angustia que estava sentindo.
Foi difícil dormir aquela noite, na manhã seguinte, ele mandou uma mensagem dizendo que havia chegado, estava exausto, mas estava indo trabalhar.
Nossa conversa, já não era a mesma, algo tinha mudado, as palavras ou a ausência delas são um termômetro para o coração, escrever para outra pessoa é um ato de conexão e o nosso elo havia se rompido.
Foi quando resolvi confrontá-lo.
Segue abaixo a conversa no whatsapp:
[28/11 11:56] Denes: Desculpa, Lars.
[28/11 11:56] Denes: Eu não sei de fato o que aconteceu
[28/11 11:56] Lars: Pelo o que ?
[28/11 11:56] Denes: mas desde terça que eu sinto que nossa conversa morreu
[28/11 11:56] Lars: :(
[28/11 11:56] Lars: Eu que peço desculpas
[28/11 11:57] Denes: se vc puder me dar uma luz
[28/11 11:57] Lars: Questão de conversa tbm não sei ... :(
[28/11 11:58] Lars: Não quero ser cuzao contigo
[28/11 11:58] Denes: me diz o que tá acontecendo
[28/11 11:59] Lars: Gosto olhando no olho
[28/11 11:59] Lars: Gosto de vc
[28/11 11:59] Denes: talvez não haja olho no olho se eu não entender o que está acontecendo
[28/11 12:00] Denes: eu tb descobri que estou gostando de vc
[28/11 12:00] Denes: descobri de uma maneira bem ruim
[28/11 12:00] Denes: só quero que vc me diga
[28/11 12:00] Denes: sem medo
[28/11 12:02] Lars: Eu recebi uma ligação de alguém antes de viajar que me deixou balanceado
[28/11 12:02] Denes: prossiga
[28/11 12:02] Lars: Não gosto da ideia por aqui
[28/11 12:03] Lars: Mas tá bom ...
[28/11 12:03] Denes: por favor, agora que começou, não pare
[28/11 12:03] Lars: Pouco antes de conhecer vc eu tinha acabado um relacionamento ...
[28/11 12:03] Denes: hum
[28/11 12:04] Lars: E tipo ainda algo que me deixa balançado e tal ...
[28/11 12:05] Denes: entendi
[28/11 12:05] Denes: ah...
[28/11 12:05] Lars: E tipo não quero mentir pra vc
[28/11 12:05] Lars: Nem ser um cuzao contigo me entende
[28/11 12:05] Lars: Quero ser sincero sempre
[28/11 12:05] Lars: Não só com vc mas comigo mesmo
[28/11 12:06] Denes: então, o livro de Harry Potter que está com vc, foi um presente de um amigo meu que faleceu esse ano, será que posso pegar com vc na catraca amanhã da Santos Imigrantes
[28/11 12:06] Lars: Sim ... Claro ... Mas queria conversar mais com vc pessoalmente
[28/11 12:06] Lars: Se não se importar
[28/11 12:07] Lars: Tenho um presente pra vc
[28/11 12:07] Denes: eu vou me importar
[28/11 12:07] Denes: por favor, sem presentes
[28/11 12:07] Lars: Tudo bem :(
[28/11 12:09] Denes: amanhã as 8:30 te encontro na Catraca
[28/11 12:09] Lars: :( eu lhe entendo sabe ... Mas confesso que gosto de vc e queria que vc permanecesse na minha vida independente de qualquer coisa
[28/11 12:09] Denes: não será possível
[28/11 12:09] Lars: Tudo bem eu entendo vc ... :(
[28/11 12:09] Lars: Me desculpa
[28/11 12:10] Denes: te encontro amanhã na catraca sem falta
[28/11 12:21] Lars: Hj vc sai que horas do trabalho?
[28/11 12:24] Denes: Desculpa, Lars. Mas eu só pretendo te encontrar para pegar o meu livro. Não, temos nada para conversar. Você não me deve satisfações, justificativas ou esclarecimentos. Apenas o meu respeito. Mas, mesmo assim. Esse ponto final precisa ser colocado.
[28/11 12:25] Lars: Tudo bem eu entendo e respeito vc ... Falei de hj pq posso te entregar hj o livro
[28/11 12:25] Lars: Ele está comigo aqui no trabalho
[28/11 12:26] Denes: Eu saio às 18:00
[28/11 12:26] Lars: Posso te entregar hj o mesmo horário ... Na estação melhor pra vc
[28/11 12:27] Denes: Que horas na Santos Imigrantes vc vai passar por lá?
[28/11 12:27] Lars: Umas 19h a 19:30
[28/11 12:28] Lars: Mas espero a sua hora
[28/11 12:28] Denes: Okay, as 19:00 estarei lá
[28/11 12:28] Denes: Se chegar antes estarei sentado em algum dos bancos da plataforma
[28/11 12:29] Lars: Tá bom
[28/11 12:29] Lars: Sei o que vc vai falar ... Mas desculpas :(
Quando ele falou dessa ligação do ex e ficou balançado, eu senti uma enxurrada de sentimentos negativos, o tsunami de chorume que eram as mentiras do Karen voltando a tona. Todas as desculpas esfarrapadas, parecia que eu estava vivendo tudo outra vez.
Eu estava cego, na gana de não querer cometer os mesmos erros do passado, acabei sendo seco, duro e intolerante, condenando um pelos erros de outro.
Eu já tinha sentenciado dentro de mim que aquela viagem foi algo que ele tinha programado com o ex e que tinha ido com ele e que eles tinham se acertado e que ele queria me manter como step se nada desse certo. Enfim…
Nesse mesmo dia, fui buscar o meu livro (um fato curioso, esse livro que foi presente de um amigo que veio a falecer em 2019, foi um presente pra me lembrar o quanto eu sou uma pessoa corajosa, era a edição de 20 anos da Pedra Filosofal nas cores da Grifinória e dentro ele escreveu a famosa frase da Luna "As coisas que perdemos sempre acabam voltando para nós. Mas nem sempre na forma em que pensamos." https://imgur.com/a/ebJFd2U
Ironicamente, quando paro pra olhar isso em particular, penso na grande ironia de tudo.
Eu cheguei antes na estação, fiquei esperando, sentado num banco na plataforma, vendo vários trens passando, várias pessoas descendo na estação vindo depois de mais um dia de trabalho. A minha ansiedade estava a mil, eu queria chorar, estava angustiado com tudo aquilo, pior, sem entender como "tinha cometido" o mesmo erro outra vez.
Ele chegou uns 15 minutos depois, estava com o livro na mão, eu peguei o livro e então ele me estendeu os braços pedindo um abraço, fiz com ele o que eu devia ter feito com o Karen, olhei para ele com a minha pior cara de desgosto e nojo e falei "Adeus", virei as costas e deixei ele lá.
Hoje, não me orgulho do que eu fiz, sinto vergonha quando penso, mas para que vocês entendam aquele gesto, mesmo ele não sabendo, era algo traumatizante, no término com o Karen, quando coloquei minhas malas e meus livros no táxi, ele chegou até mim e na maior cara de pau, na sua maior interpretação pra burguês ver, ele me pediu um abraço e o trouxa aqui cedeu esse abraço, então ele sussurrou no meu ouvido "Sou eternamente grato por tudo o que a gente viveu e você vai sempre poder contar comigo para o que você precisar" e quando eu precisei o que eu ouvi? "Não tenho obrigação nenhuma de te ajudar."
Quando eu saí da estação, bloqueei o Lars em todas as redes sociais, Facebook, Instagram, Whatsapp e até o número dele pra ele não me mandar SMS ou ligar. Não queria nunca mais ouvir falar dele pelo resto da minha vida.
Alguns dias se passaram e a Karls me contou que Lars havia mandado mensagem para ela no Instagram dizendo que estava preocupado comigo, queria falar comigo e eu irredutível falei que nunca mais queria saber nada a respeito dele.
Então ali eu tinha colocado uma pedra em cima desse assunto, vida que segue.
Dezembro de 2019
Karls é uma garota muito linda, mas em todos esses anos de amizade ela só se envolvia com os piores caras do Tinder, uma fase da vida dela que fazemos piada, mas que se você olhar atentamente, era bem triste.
Ela tinha o sonho de conhecer um cara bacana, compartilhar momentos, viver toda aquela fantasia de namoro, dormir abraçada, assistir anime, cantar músicas da Disney e cozinhar todos os pratos possíveis de todos os programas de culinária que existem no mundo.
Depois de anos, esse cara apareceu. Vamos chamá-lo de Darls.
Darls é um cara super carismático, que faz amizade por onde ele passa, falador, contador de piada, solicito, uma pessoa que todo mundo iria adorar ter como amigo.
JANEIRO 2020
Parecia que Darls sempre esteve nas nossas vidas, Akarls e eu o recebemos de braços abertos, pois víamos o quanto ele fazia Karls feliz.
Logo ele começou me pedir dicas e mais dicas de coisas que fariam a Karls feliz e nesses 5 anos de amizade eu era a pessoa que mais sabia de tudo o que a Karls gostava.
FEVEREIRO 2020
Eles oficializaram o namoro, (meio rápido, mas…), então ela entrou numa tour para conhecer todas os amigos dele, pois ele queria apresentar a namorada para as pessoas importantes na vida dele.
Darls mora a 35km de distância, num bairro distante, 2 horas de viagem no mínimo, mas ele sempre estava vindo passar mais tempo aqui.
MARÇO 2020
Pandemia chegou, isolamento social foi instaurado, pessoas em casa. Eu sou editor de vídeo, então estou trabalhando em casa desde que esse inferno começou. E quem acabou vindo para cá, também? Exatamente, Darls.
A companhia dele era agradável, e por vermos Karls feliz, nada objetamos, aceitamos naturalmente a estadia dele aqui. Mesmo que nunca tenhamos conversado isso entre nós, foi natural olharmos para a felicidade dela.
ABRIL 2020
Um mês de quarentena, eu sou uma pessoa ansiosa. Solteiro que passou da barreira dos 30, já havia sentenciado que não conheceria ninguém e morreria só, pois já estava sem esperança de conhecer alguém em um mundo sem um vírus mortal, imagina em um mundo onde estar perto 2 metros de alguém pode ser sua sentença de morte.
Eu comecei entrar numa crise terrível, comecei trabalhar demais, a fazer 12 horas de trabalho por dia e no meu tempo vago eu comecei a assistir todos os filmes e curtas gays já foram produzidos no mundo. E nisso, fiz a burrada de assistir um filme que superestimei por anos.
Brokeback Mountain.
'O que eu fiz da minha vida?'
Eu fiquei tão mal, mas tão mal, que naquela noite eu fui dormir chorando e os dias que se seguiram eu tive tanto remorso pelo final daquele filme, que certo dia eu comecei chorar na frente da Karls e do Darls enquanto a gente almoçava.
No final de abril, meu tio implorou que eu fosse na casa dele, pois estava tendo um problema entre minha mãe e minha irmã e ele estava preocupado da minha mãe acabar se metendo em um avião e vindo pra São Paulo no meio de uma pandemia. Fui, como se eu já não estivesse colapsando, ainda tinha que resolver o problema de outras pessoas.
Naquela semana, eu assisti um vídeo, tenho 80% de certeza que foi no LubaTV os outros 20% acho que foi no canal do Henry Bugalho, que falava sobre perdão, algo do tipo "se não perdoamos, do que adianta pedirmos desculpas" e eu já estava muito reflexivo.
De noite, eu estava no apartamento do meu tio, quando recebi uma notificação de que alguém tinha me seguido no Twitter.
Abri a notificação e vi que era o Lars me seguindo quase 6 meses depois. Ele não tinha twitter e tinha criado uma conta por causa da quarentena.
Minha primeira reação foi bloquear ele, mas aí bateu aquele turbilhão de coisas acumuladas nessa quarentena. O final de Brokeback Mountain, a fala sobre perdão e um detalhe sobre o Lars que pesou muito, ele tem diabetes, acho que é um tipo raro, ele desenvolveu super novo, ele toma dois tipos de insulina, ele é grupo do risco.
Sentei no sofá e me perguntei, 'o que ele queria depois de todos esses meses? Ele não entendeu o meu "Adeus"?'
Pois, bem. Fui até o Instagram, desbloqueei ele e mandei a seguinte mensagem:
"O que você quer?"
Ele levou uma meia hora pra me responder, o 'digitando…' parecia eterno.
Resumindo, ele falou que se importava muito comigo, que eu marquei a vida dele, que nunca quis se distanciar de mim, que jamais foi a intenção me magoar com o que quer que tenha acontecido e que nunca dei a oportunidade dele se explicar.
E eu respondi, que não importava o que ele tivesse para me dizer, não ia mudar a opinião que eu tinha sobre ele.
Ledo engano, meus caros.
Fui dormir às 4 da manhã, tirei tudo de dentro de mim, tudo o que eu inventei na minha cabeça. Porque no meu relacionamento anterior eu ouvi tantas mentiras, que acabei jurando que qualquer um iria mentir para mim, era o único referencial que eu tinha.
Só para que vocês saibam, era realmente um amigo, as fotos que ele tirou junto com o amigo no Beto Carrero, foram todas no celular do amigo a folga da Terça-feira, o chefe dele estava devendo uma folga para ele e como ele não iria poder tirar essa folga a mais do que as que estavam previstas para Dezembro, o chefe deu a folga pra ele na terça para que ele aproveitasse mais um dia de viagem. E sim, o ex dele ligou, ele ficou balançado, pois eles tinham tido uma história recém terminada, mas ele me contou, primeiro porque eu insisti, mas também porque ele não queria mentir pra mim, já que eu tinha todo esse problema com mentiras, então ele queria ser honesto comigo desde o início e que nunca foi a intenção dele voltar com o ex, tanto que ele não voltou, ele queria estar comigo, e que mesmo tendo passado todo aquele tempo ele nunca tinha me esquecido e não tinha desistido de mim.
Eu falei para ele que não sabia como reagir a tudo aquilo, disse que não sabia se seria capaz de confiar nele. E que ele não tivesse esperança, mas que eu iria refletir sobre tudo aquilo.
Então eu voltei pra casa e compartilhei a história com Karls e Darls.
Karls ficou meio com o pé atrás, mas Darls me apontou os erros que eu cometi, me fez enxergar o quanto eu tinha exagerado pelo medo e desconfiança que eu tinha, que não tinha nada a ver com Lars e minha ficha caiu.
Agora, tudo o que me restava era o meu orgulho, eu precisava passar por cima disso.
Voltei a conversar com Lars, aos poucos, foi difícil no início, mas ele foi muito tolerante, eu expliquei que não estava sendo fácil voltar a conversar com ele, mas que compreendi que muito daquela situação era culpa minha.
Ele começou a me mandar mensagens de manhã e a noite, de bom dia e boa noite e esporadicamente algum meme. Foram duas semanas conversando quando houve a necessidade da gente se ver. Eu não sabia como iria reagir.
Sim, ele viria aqui em casa no meio de uma quarentena, mas antes que cresça os julgamentos, moramos próximo um do outro, ele viria a pé, sem pegar nenhuma condução e num horário de pouco fluxo.
MAIO 2020
Então comuniquei que ele viria aqui em casa para Karls, Akarls e Darls. Aparentemente, achei que todos tinham recebido a notícia de bom grado.
Ele veio, a primeira coisa que ele fez foi ir para o banheiro tomar banho, com Covid não se brinca. Depois, sentamos e conversamos, e mais uma vez, eu falei tudo de novo, dessa vez olhando no olho, colocando tudo a limpo, uma conversa franca, contei de todas as impressões que eu tive de tudo o que aconteceu, como a narrativa se construiu na minha cabeça e porque agi da maneira que agi.
Em contra partida, ele disse que estava tudo bem, disse que ficou muito chateado, mas os amigos dele conversaram com ele dizendo que tinha um motivo para eu agir como eu tinha agido. Ele me falou que nunca me esqueceu e queria ter uma oportunidade de conversar comigo e esclarecer as coisas, pois sabia que tudo tinha sido um grande mal entendido. Ele falou que mandou várias mensagens para a Karls, mas não obteve resposta. E quando ele me mandou o convite no Twitter, ele disse que seria a sua última tentativa de se aproximar de mim, se não desse certo, ele mesmo desistiria de tudo.
Ele passou três dias aqui em casa, eu não me abri tanto com ele com relação a isso, mas eu senti muito remorso por como as coisas aconteceram por minha causa.
Outra coisa, lembra na mensagem, quando ele falou que tinha um presente para me dar e eu falei que não queria? Ele trouxe o presente, ele guardou o presente todo esse tempo e disse que toda vez que via o presente, ele lembrava de tudo o que a gente viveu e a coisa que ele mais queria era me dar esse presente, que ironicamente ele comprou na viagem para o Beto Carrero.
Era um funko do Harry Potter, já que eu amo muito Harry Potter. (Não, não sou transfóbico, eu amo Harry Potter desde 2000). http://imgur.com/gallery/cah0Ry7
Ele voltou pra casa dele. Continuamos a nos falar, reatar laços, ter essa troca.
Compartilhei minhas impressões com Karls e Darls, eu estava relutante, desacreditado. As pessoas subestimam relacionamentos abusivos, mas a gente carrega coisas por anos, os estragos são terríveis, estava eu provavelmente estragando uma oportunidade de ser feliz por medo de ser feliz.
As coisas foram devagar, estávamos conversando de nossas rotinas na quarentena, ele o quanto sentia falta do trabalho e não aguentava mais assistir séries e eu o quanto estava trabalhando e engordando, já que editor de vídeo trabalha em casa, praticamos isolamento social antes disso "estar na moda" (✌️ salve editores do canal, eu juro que tô escrevendo essa história que já passa de 4 mil palavras, pensando se realmente o Luba lerá essa história na Turma-Feira, fico imaginando no trabalhão que vocês vão ter pra editar, se eu puder pedir, posta a Timeline pra eu ver como ficou no final, curto muito timelines [Sim, pra quem não entende, isso é meio creep]).
JUNHO 2020
Lars voltou, veio para estar comigo no meu aniversário, inclusive ele me presenteou com Find Me do André Aciman, ele disse que queria me dar a muito tempo, pois em novembro do ano passado eu estava lendo Call me by your name e eu estava namorando pra comprar o livro quando fosse lançado, mas não deu nem tempo dele poder comprar na época.
No meu aniversário, resolvi cozinhar para comemorar, fazer escondidinho de frango. Eu estava de folga e queria fazer algo especial para Karls, Darls, Akarls e Lars. Eu passei a tarde e começo da noite cozinhando e Lars me ajudando.
Então, aconteceu o estopim de todo o caos.
Karls e Darls desceram e viram que o escondidinho não estava pronta ainda, ela fechou a cara e disse "Nossa, ainda não está pronto?". Depois eles fizeram um sanduíche e comeram e subiram, bastou aquilo pra me entristecer, até entendo que ela poderia estar com fome, mas ela bater porta de armário e a porta da geladeira acabou todo o meu ânimo, me senti super mal.
Comi aquele escondidinho triste, o clima na mesa estava tenso e na boa o que era pra ser uma comemoração no que eu acreditava ser entre família, foi a porcaria de um jantar de aniversário que eu perdi tempo fazendo.
Lars voltou pra casa dele, continuamos nos falando e estreitando os laços, aproveitando a companhia um do outro, e finalmente no meio de toda essa situação de merda que estamos vivendo no planeta, senti uma esperança de que talvez tudo daria certo, pelo menos uma vez.
Mais uma vez, ele veio passar o fim de semana aqui em casa, e foi divertido, assistimos filme, contamos piadas e o melhor, eu estava podendo dormir abraçado com ele, por a cabeça no travesseiro e não me sentir só.
JULHO 2020
O mês do caos, eu odeio Julho, por tantos motivos, sério. Eu tenho inúmeras histórias de desgraças nesse mês que PQP (Gif da Xuxa).
Lars me mandou mensagem dizendo que ele teve uma briga terrível com o sobrinho dele, na briga eles só faltaram sair na porrada, ele falou que estava mal por estar na casa da irmã dele e por toda essa indisposição com o sobrinho que tem 18 anos e é um completo folgado. Ele disse que iria procurar um lugar pra ficar, mas até lá, ele perguntou se poderia ficar aqui até encontrar esse lugar.
E como eu já fui colocado pra fora de casa pelo meu tio e me vi sozinho, eu sei o quanto é importante ter alguém pra estender uma mão amiga nessa hora.
Eu respondi que sim, mas que ia comunicar o Karls e o Akarls. Expliquei a situação Lars e eles falaram que tudo bem.
A Karls começou a fazer um freela permanente em um grande estúdio aqui de SP, então ela já não estava ficando em casa e quando estava, ficava a maior parte do tempo com o Darls, que ficou aqui em casa, mesmo ela trabalhando regularmente, já que as coisas estão flexibilizadas por aqui.
A princípio, Lars ficaria aqui até dia 10, ele tinha acertado de ir morar com um pessoal que ele achou num grupo do Facebook, mas o lugar onde esse pessoal ia morar não deu certo, pelo o que ele me contou, foi lance com a Porto Seguro, ele ficou decepcionado, porque os meninos eram legais. Então, ele voltou para a busca de encontrar um lugar pra ficar, eu inocente disse que ele poderia ficar o tempo que precisasse.
Interiormente, eu queria me redimir por toda a injustiça que foi o nosso início, queria fazer certo dessa vez, pois ele estava sendo bom pra mim e eu nunca tinha tido isso, esse convívio.
Enquanto ele estava aqui, comecei a ter companhia para o almoço, passei a comer direito, já que ele é obrigado a comer certo por causa da diabetes, eu estava até me alimentando nos horários certos. As noites assistíamos séries abraçados, até a hora de dormir. Parecia um oasis no meio de todo esse inferno que estamos vivendo, por um único instante eu esqueci de tudo de ruim.
Nesse período, ele estava procurando vários quartos, mas só encontrava cativeiros sendo alugados por mercenários.
Conforme o mês ia passando, Karls estava bem estressada com tudo e quando estava todo mundo na cozinha, ela parecia evitar querer falar com ele. No início, eu pensei que fosse TPM ou alguma coisa em particular dela com Darls.
Mas eu tive certeza que era alguma coisa com o Lars, no dia que estávamos jantando e ela veio informar que o botijão de gás tinha acabado e ela tinha comprado um novo, mas ela insinuou que estávamos cozinhando demais. Eu fiquei, sem reação, pois não esperava por aquilo, como eu falei, ela e o Darls estavam fazendo todas as receitas que existiam na internet, como que o Lars 10 dia aqui era a causa do botijão ter acabado?
Então aquilo começou a ficar espinhoso e o meu erro foi não ter confrontado. Eu comecei a me sentir acuado com o Lars e não sabia o que fazer, ele já estava numa puta situação frágil por ter saído da casa da irmã por indisposição com o sobrinho e a coisa que eu mais queria era que ele se sentisse confortável na minha própria casa.
No meio de tudo isso, ele voltou a trabalhar e eu passei a acordar cedo junto com ele, pra tomar café e abrir o portão pra ele poder sair, num desses dias, eu levantei e fui no banheiro e enquanto eu usava, a Karls bateu na porta perguntando quem é que estava lá dentro de uma maneira meio ríspida, no caso era eu, mas o Lars viu a situação toda, ele não me falou, mas eu reparei que ele parou de tomar banho de manhã antes do trabalho. Dizia ele que o banho da noite era suficiente.
Depois, ele parou de tomar café da manhã, disse que tomaria café na cafeteria que ele trabalha.
A próxima coisa que aconteceu foi um dia que eu estava na cozinha e fui informado que Karls e Akarls decidiram que não iríamos mais fazer as compras de mercado juntos. E que só manteríamos os produtos de limpeza e higiene e que o resto era cada um por si.
Confesso, que na hora não compreendi o que estava acontecendo, eu estava muito desligado, na verdade não acreditava que os meus amigos estavam me excluindo por causa do Lars, eu estava sendo ingênuo, pois não imaginaria que aquilo estava acontecendo.
No meio desse caos todo, Lars, virou pra mim e disse que a irmã dele pediu que ele fosse na casa dela. Então ele iria direto do trabalho e dormiria lá no sábado para o domingo, já que estaria de folga e voltaria pra cá no domingo a noite.
Só que ele não voltou, ele disse que a irmã dele pediu para que ele dormisse lá mais uma noite. Pensei, okay, ele vem então amanhã direto do trabalho pra cá, mas aí ele não veio na segunda, foi quando o peso de tudo bateu.
A essa altura eu já estava angustiado com tudo aquilo e direcionei minha frustração para o lado errado, em vez de confrontar quem estava causando toda essa situação insatistória, eu cobrei dele, porque ele não estava aqui. Perguntei, porque ele não queria estar mais aqui. Ele falou que queria. Então, eu perguntei porque o domingo, virou segunda e agora a segunda virou terça? Ele hesitou, aí eu perguntei se era por causa da Karls e ele disse que só não queria incomodar ninguém.
Eu fiquei mal, por ele se sentir mais incomodado na minha casa do que na casa da irmã dele com o sobrinho folgado que estava fazendo da vida dele um inferno.
Fiquei desapontado, ele veio na quarta, conversei com ele, disse que iria conversar com a Karls sobre toda essa situação. Mas já era tarde.
Era a última semana de Julho, e antes mesmo que eu pudesse conversar com a Karls, Akarls chegou dizendo que não dava mais para dividirmos a conta de água como estávamos fazendo, por 3, teríamos que dividir por 5, já que a conta ficou mais cara.
Na sexta-feira daquela semana, Lars encontrou um quarto numa casa que ele meio que alugou as pressas e ele se mudaria na primeira segunda de agosto. Quando eu pude confrontar Karls, no sábado, sobre tudo aquilo, já era tarde. Falei que fiquei chateado deles quererem repartir a conta da casa por 5 com o Lars pelo mês que ele passou aqui, mas isso nunca foi nem cogitado nos 5 meses do Darls aqui. Falei que fiquei decepcionado por ela não ser capaz de enxergar a minha felicidade. Por não ser capaz de ver o quanto eu estava feliz, como eu enxerguei a felicidade dela com o Darls e o recebemos de bom grado dentro de casa por causa da felicidade dela. Disse que foi muito cômodo pra ela ter alguém pra poder dormir junto, assistir coisas juntos, ter os momentos a dois e quando eu pude ter o mesmo, ela não olhou para mim com os mesmos olhos.
Enfim, Lars se mudou, tomei esse tempo que poderia estar assistindo uma série com ele para escrever tudo isso. Angustiado e decepcionado. Darls não tem culpa de nada do que está acontecendo, mas agora acho completamente injusto ele estar aqui e o Lars não estar, não sei o que fazer, minha vontade é de falar, "acabou a quarentena para os dois, pode voltar para sua casa". Me sinto injustiçado e triste por alguém que eu amo tanto, não ter sido capaz de enxergar que eu estava feliz. É isso, estou esperando a próxima sessão da minha terapia e Karls e Darls estão lá no quarto dela e eu estou só.
E para finalizar, essa foi minha conversa agora a pouco com o Lars.
Lars https://imgur.com/gallery/PRrxEI6
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2020.08.04 00:36 Lorde3xtreme Aquele que precisa esperar até os 18 para ser feliz.

Quero dizer logo de inicio, que isso não um descurso de odio, apenas um resumo de uma grande historia. Eu n quero disctorcer nenhum dos fatos, então serei complemente sincero no que digo. Alguns momentos pdoem ser engraçados e outros de puro "desespero". Dito isso, boa leitura. Olá luba, Editores, Gatas(fofinhas/deusas) e turma. Eu tenho 16 anos e dês dos 13 eu tenho depressão, eu fui uma pessoa que basicamente só se importava em tentar perder a virgindade, dar bjs etc. Eu causei muitos problemas para meus pais devido a garotas. Eu furtei meus pais, cortei os braços, tudo por causa de garotas. Eu mudei em 2020, me tornei uma pessoa madura, assumi todos os meus erros e honestamente, estou com minhas opniões fixas sobre muitas coisas que dificilmente podem mudar. Bom, agora vou lhes apresentar 6 personagens que são crucias para essa grande. Mãe, Pai e avó. Vamos chama-lós de "treade terrorista". Agora para minhas salvadoras. Giulia, livia e Jennyfer, mais conhecidas como Pudin, batata e floquinha, minhas melhores amigas, e as pessoas que mais amo em meus 16 anos. Eu conheci pudin no inicio de 2020, no amino, uma rede social de comunidades de diversos temas; k-pop, RGPs, series e etc. Em uma comunidade já morta de RPG eu encontro um belo perfil, de uma personagem bem bonita. Eu a chamo no privado e começamos a conversar de boas, dai surigiro um RolePlay. Ela prontamente aceita e cenos por varios dias. Eu sou bastante sociavel, mesmo n saindo de casa. Nós nos falavamos bastante em off. Após uma semanas de conversa nós trocamos instagrans, descobri que ela é uma artista mirin, e honesmente eu nunca vi coisas tão bem detalhadas. Após mais dias de conversa nós trocamos numeros de zap, nós já estavamos bem intimos, conversamos todos os dias e trocavamos fotos comuns. Ela é uma loira de olhos azuis, patricinha e fdp, porém a amo. (Leva na brincadeira gih ksk). Após eu me apaixonar por ela, oque seria óbivio. Ela tbm disse que gostava de mim, e eu fiquei hyper feliz. Após alguns meses o "interresse foi se perdendo", ela disse que namoraria cmg, caso eu morasse em curitiba (eu sou do RJ). Enfim, eu me entristeci, mas sejamos honestos, namoro é passageiro, amizade é eterna. Agora vou entroduzir a batata, n lembro como eu a conheci, mas foi graças a gih, pós elas são melhores amigas. Após alguns meses nós nos consideravamos irmãos basicamente. Ela me ajudou tanto quanto a gih, e eu as agradeço sempre que posso, elas querem me bater por causa disso ksk. Livia me ajudou a ''superar'' a gih, mesmo eu ainda tendo sentimos fortes por ela. Enfim, vou lhe entroduzir a sexta pessoa, Floquinha, eu a chamo assim por causa das personagens de RPGs dela, são todas brancas como neve hehe. Ela é como uma.. mãe ? Irmã mais velha ? N sei descreve-lá, só sei que ela é importante. Agora vamos para duas historias. Minha mãe é uma completa karen, e eu posso provrar. Nós fomos numa churrascaria a algumas semanas atrás, eu, meus pais e meus avós (meu avó emprestado n ofc). O local estava lotado, e mesmo assim nós entramos, fizemos um pedido, dois churrascos mistos, que normalmente um desses vinha bastante carne, mas como o lugar estava lotado eles diminuiram a quantidade de carne. Quando a comida chegou minha mãe disse "n é possivel". Eu n me importei muito e fui comer. Eles reclamaram o almoço todo, dai minha mãe chamou a garçonete, é a conversa foi +/- assim:
Mãe: Amiga me tira uma duvida, vocês colocaram pouca carne
Moça: O gerente que determina isso.
Mãe: N teria como vc me dar mais carne (de graça)
Moça: Isso vc resolve com o gerente, ele ta na churrasqueira. A moça da as costas e segue com seu trabalho. Ela foi no gerente e reclamou, eu n pude ouvir mas apenas imagine uma karen sem ração querendo algo de graça. Ela volta com uma postura de "fodona" (uma coisa que ela se alto intitula), dizendo com arorgancia "Vai vim mais carne pra nós". A garçonete chega com pequenos pedaços de carne, uma linguiça partida e uma coxinha de frango. Ela reclama novamente e come, puta dnv. Eu n tinha comido frango, pq eu dei o meu pedaço para o meu avó postiço. Meu pai havia comido um, e quando eu fui pegar ele tomou do meu prato e disse que eu já tinha comido, Claramente ele n viu a minha ação. Eu ignoro. Minha mãe começa a falar merda como sempre. Então a conversa toma esse rumo.
Mãe: Nunca vi da pouca comida pra gente.
Eu: Bem o lugar está lotado, então era de se esperar que ia vir pouca comida.
Mãe: fds, nós estamos em 5 pessoas, como eles n viram isso ?
Eu: Dnv, o lugar ta cheio, e tem gente aqui com mais de 5 pessoas.
Mãe: Ah cala a boca, n vou discutir com um petisma. (Eu n sou bolsominion e nem petista).
Eu: Ok karen, cê ta certa: Todos ficam do lado dela, sendo que ela está errada, mas ok. Uma coisa a se destacar é o olhar de nojo que a minha vó dava pra mim o almoço todo. Eu tenho cabelo vermelho, uma mão de esmalte preto e "GoStO dE cOiSas De GaYs". Certo, vou por um ponto aqui, no cardapio n esta dito que tem que vir uma quantitade especifica, então eles podem controlar isso como bem entender. Já passaram raiva o sufiente ? Então se preparem. Hoje, nesse dia que eu estou escrevendo. Ela alcançou o pico do pico do estresse. Ela pediu pra ir na rua cmg, devido a alguns problemas que tive na noite passada eu recusei, n estava com a cabeça pra sair do meu quarto, e a depressão n ajuda. Enfim, ela ficou outa, eu fui jogar o lixo fora e quando voltei fui para o meu quarto. Ela chegou calmamente e me perguntou:
Mãe: Você realmente n vai cmg na turma meu filho ?
Eu: N mãe, eu n to muito bem e tals mas a senh- Ela me intenrrompe com um atk de furia, pegando meu xbox e jogando contra o chão, o chutando. Ela pega todas as minhas roupas pretas e começa a colocar em uma sacola. Dizendo que que eu sou uma pessoa egoista, fria, que tem raiva dos outros sem motivo, que eu sou interreseiro. Dentre outras coisas. Eu me controlei, n falei absolutamente nada e comecei a dobrar as roupas "claras e lindas" na visão dela. Dps do choque, dela começar a me ignorar e ficar se fazendo de vitima para o pai, eu desabei. Eu chegei no limite da depressão, e se vc viu os videos do lubam sabe do que eu to falando. Eu pensei, pensei, e com as lagrimas e soluços eu peguei meu celular. Eu pedi, implorei ajuda, minhas melhores amigas vieram e me acalmaram. Outros amigos se pronunciaram, eu n posso dizer o nome de todos, mas.. Obrigado Pablo(profecia do google), maria, felipe, arthur, bianca(primeira irmão de consideração). Ngm soube como me ajudar, exceto minha melhor amiga maior de idade floqunha. Ela me acalmou, começou a conversar, ela n tem dinheiro o sufiente para me sustentar em outro lugar, ou me levar pra casa dos pais dela, aonde ela mora no caso. Pós meus n deixariam e eles seriam presos por sequestro. Ela disse que se pudesse casaria cmg, assim podendo pegar minha guarda, assim eu poderia ficar sobre a asa dela. Ela tem namorado, e ela se dispos a isso, ela está noiva de certa forma, e ela colocaria tudo a perder por mim. Eu n sei como agradece-lá, honestamente eu n tenho palavras pra descrever tal sentimento. N posso descartar ngm que me mandou mensagem, pudin e batata n sabiam como lidar com isso, então só ficaram sem falar nd. Agora eu tenho que esperar até ios 18 para arrumar um emprego e sair desse inferno. Pq por enquanto, minha mãe n deixa, só pra me chama de vagabundo e insprestavel, mesmo alegando que isso iria acabar com meus estudos. Eu vou dar os printis da conversa que tive com a floquinha e fazer um pedido aqui. Giulia, se estiver vendo isso eu quero te desejar um feliz aniversario, espero que tudo de certo na sua vida e que vc seja uma grande artista. Sei que as coisas são dificeis, mas quero te perguntar. Você gostaria de namorar comigo ?
Livia, obrigado por toda madrugada ficar me ouvindo chorar e reclamar, vc é a irmão que eu nunca tive, isso tambem vale pra você bianca, você foi a primeira.. obrigado..
Jennyfer, eu n sei como lhe agradecer, mas quero que saiba que sempre vou estar ao seu lado. Obrigado, muito obrigado. A todos vocês, eu amo vocês.. mais do que a minha propria vida, por isso n posse me desfazer dela, pq tenho vcs. Boa noite luba, editores e turma, espero que vc tenham uma otima vida, bjs =30(finalmente coroa kk, brincadeira).
https://imgur.com/a/KfxZzVU
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2020.04.03 04:18 Morenofael Trabalho sobre Schopenhauer.

Eu estou no nono ano do ensino fundamental, as aulas foram canceladas à alguns dias, então meu professor de filosofia pediu um trabalho de três páginas no Word sobre Schopenhauer. Filosofia é uma das minhas matérias preferidas, competindo com história, eu estou bem satisfeito com o resultado, podem me dizer o que acham? Me desculpem pela desorganização do texto, eu dei um Control C + Control V no Word.
Pesquisa sobre
Arthur Schopenhauer

Rafael Checchia Moreno

9ºC
Matéria: Filosofia

Contexto:

Schopenhauer foi um filósofo romântico, nascido em 22 de fevereiro de
1788, Em Danzig, na Alemanha. Hoje o local se chama Gdansk e faz parte
da Polônia. Ele foi muito influenciado por filósofos como Emanuel Kant,
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (apesar de se opor às suas filosofias) e
Platão, Além de correntes filosóficas da Ásia. Ele viveu no tempo do
idealismo alemão e do romantismo. Ele desenvolveu um sistema
metafísico ateu, e introduziu conceitos asiáticos como o budismo no
idealismo alemão. Ele repudiava o otimismo, sendo predominantemente
pessimista, assim como vários filósofos de sua época, um deles sendo um
de seus principais antecessores: Kierkegaard.
A Vontade:

Assim como a maioria dos românticos, ele refletiu sobre o universo e o
infinito como um todo, mas discordando da maioria das ideias que os
filósofos de seu tempo tinham sobre isso.
Schopenhauer cria em uma força (ou energia) presente em toda forma
de natureza, e decidiu chamar essa força de Vontade. A ideia de uma força
regendo tudo não era algo novo na filosofia, outros filósofos que vieram
antes dele já haviam pensado nisso, no entanto, a ideia dele sobre a
Vontade tinha alguns diferenciais. Em algumas filosofias essa força era
vista como algo (ou ser) lógico, e de vez em quando até dotado de
inteligência.
Para Schopenhauer, a Vontade seria cega, ou seja, irracional. Essa
vontade estaria presente em tudo, e seria a matéria mais íntima do
universo.
Para explicar isso um pouco melhor, vamos pegar como exemplo um
pinguim chocando seus ovos. Um pinguim não é um ser racional, ele age
por instinto. No caso, para a filosofia de Schopenhauer esse instinto
estaria sendo movido por essa vontade. Ou também pegando você como
exemplo: o conceito de Schopenhauer sobre a Vontade também se aplica
nos seres humanos. Apesar dos seres humanos serem seres dotados de
raciocínio lógico, Schopenhauer dizia que a Vontade também se manifesta
no ser humano, tanto em atos voluntários, como acariciar um animal,
preparar o almoço ou ler este texto, quanto em atos involuntários, como a
batida do coração, a captação de luz pelos olhos, ou a captação de sabores

pela língua. Em um de seus livros ele usa a metáfora de que a Vontade é
um cego carregando um aleijado que enxerga, no caso, nós.
A influência de Emanuel Kant no
pensamento de Schopenhauer:
De acordo com Kant, nós construímos nosso mundo a partir de nossas
percepções, e ele chamava essa percepção de mundo fenomênico, e
nenhum de nós experimenta o mundo como é em si, ou seja, o mundo
que ele chamava de mundo numênico, visto que os sentidos são limitados.
Um exemplo de falha nos sentidos: se você ouvir uma pessoa com a voz
parecida com a do Zeca Pagodinho cantando Trem Das Onze, você
provavelmente vai pensar que é o Zeca Pagodinho, mesmo com as vozes
sendo parecidas, e não idênticas.
O que diferencia o pensamento de Kant do de Schopenhauer é que
para Kant o mundo fenomênico e o mundo numênico seriam distintos,
enquanto para Schopenhauer, esses seriam um único mundo, mas sentido
de maneiras diferentes, ou seja, um mundo com dois aspectos, e esses
aspectos são a Vontade e a Representação. Um ato de vontade, como
desejar ouvir o Zeca Pagodinho cantando Trem Das Onze, e o movimento
para tornar essa vontade realidade, no caso, abrir o YouTube e clicar na
miniatura de um vídeo do Zeca Pagodinho cantando Trem das Onze, não
estão em mundos diferentes. Esses aspectos estão no mesmo mundo, o
que muda é a maneira como eles são sentidos.
O sofrimento segundo Schopenhauer e
seu pessimismo em relação à vida:
Alguns filósofos, por exemplo, o contemporâneo Hegel, viam a Vontade
como uma força positiva. Schopenhauer pensava o contrário: Tudo e
todos estão a mercê da Vontade, e na filosofia de Schopenhauer essa
vontade é irracional e sem propósito, por tanto, é impossível que o
universo seja harmonioso, assim, o mundo seria marcado por diversos
horrores, tais como a fome, a morte, a guerra e etc... No caso, esse caos
seria pior para os seres humanos, pois até onde sabemos, o ser humano é
o único animal racional do planeta terra, portanto nós temos ciência sobre
o fracasso, sobre os horrores que assolam nosso mundo, e sobre estarmos
caminhando até a morte.

Como já dito antes, é essa vontade que dá à uma a vontade de se reunir
em bandos, à um tardigrada a vontade de comer bactérias, à uma onça a
vontade de caçar outros animais e etc... Essa vontade também está
presente nos seres humanos, nos fazendo sentir nossos desejos mais
básicos nos induzindo a viver. Para Schopenhauer, só o fato de os seres
terem vontade de viver em um mundo como esse já é uma manifestação
da Vontade. Em sua teoria, Schopenhauer diz que o mundo não é ruim,
mas também não é bom, e não possui significado, e aqueles que tentam
atribuir um significado a ele, ou seja, alcançar a felicidade, ficam no
máximo satisfeitos, e em hipóteses piores, alcançam apenas sofrimento e
angústia.

A influência oriental em
Schopenhauer:

E é aí que as filosofias orientais se aplicam às ideias de Schopenhauer:
Para ele, haviam duas maneiras de escapar desse ciclo sem fim de
sofrimento: deixa de existir, vulgo morrer, ou sufocar a vontade de se
satisfazer. Para Schopenhauer, o melhor caminho para sufocar essa
vontade seria a apreciação estética, tais como a música e a pintura, e é
nessa parte de sua filosofia que vemos a influência do Nirvana, uma
corrente filosófica budista.
Também haveria outra maneira de sufocar essa vontade, que seria o
sofrimento auto infligido. Renunciar aos prazeres e se colocar sob longos
castigos. Esse pensamento é herdado do hinduísmo, que possuí santos e
religiosos místicos que se auto castigam constantemente.
Se desapegando um pouco de seu pessimismo, ele chegou na conclusão
de que se nós pudéssemos reconhecer que nós não estamos separados do
universo, poderemos ver o lado bom da vida.

Depois de Schopenhauer:

Schopenhauer ficou um bom tempo sem ser muito reconhecido, e foi
bastante ofuscado Hegel, mas inspirou artistas do século XIX e suas ideias
voltaram a aparecer na filosofia quando Friedrich Nietzsche reconheceu
suas ideias.
Referências bibliográficas: Encontro Com A Filosofia 9 (Ricardo Melani), O Livro Da
Filosofia (GloboLivros).
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2020.01.11 19:42 ORoxo Como investir Keep it simple, Stupid!

Olá,
Se chegaste até aqui é porque estás preocupado com as tuas finanças, por isso, parabéns!
De facto, é uma preocupação fundamentada, uma vez que, de acordo com Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social publicado em Outubro de 2018 como anexo do Orçamento de Estado de 2019, a Segurança Social como a conhecemos hoje esgotar-se-á no final da segunda metade da década de 2040.
O FEFSS (Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social), a ser utilizado perante saldos negativos do sistema previdencial a partir do final da segunda metade da década de 2020, teria com a atual projeção, um esgotamento no final da segunda metade da década de 2040, representando uma melhoria face à projeção do relatório de sustentabilidade anexo ao Relatório do OE de 2017, em cinco anos.
Assim, se, tal como eu, estás a iniciar a tua vida adulta, provavelmente serás responsável pelo teu próprio sustento durante a idade da reforma. Como tal, temos de arranjar uma forma de garantir que o nosso dinheiro rende, para garantir esse conforto futuro.
A melhor forma que conheço para o fazer é através de investimentos, algo que começa agora a ser falado no nosso país, mas sobre o qual a generalidade das pessoas ainda sabe muito pouco.
Ao contrário de subs de outros países relacionadas com finanças pessoais onde existem vários tópicos Guide, em Portugal, tal não acontece.
Para colmatar essa lacuna, decidi escrever este post que espero ajudar aqueles que buscam conselhos financeiros e que se deparam com esta comunidade pela primeira vez.
Infelizmente (ou felizmente) não venho de famílias abastadas. Como tal, há cerca de 2/3 anos quando comecei a ganhar alguma autonomia financeira coincidente com a minha entrada no mercado de trabalho, comecei a pensar como viria a fazer face às minhas despesas - casa, carro, alimentação, etc.
Desta reflexão resultaram muitas horas de leitura e lições que agora partilho aqui convosco:
Lição 1: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês.
Começo por partilhar convosco que uma das coisas que mais me irrita na indústria financeira - e no qual tenho a minha quota-parte de culpa, dado que é a minha área de formação - é da necessidade de complicar. Alguém que esteja de fora, ficará intimidado pela complexidade de palavras que usamos como asset alocation, derivatives, bonds, stocks, optimal portfolio allocation, options, warrants e futuros. Como se isso não bastasse, não educamos os jovens em finanças - em muitos casos temos dificuldade em poupar e noutros tantos em perceber como investir.
Claro que toda esta iliteracia financeira é um paraíso para portfolio managers e outros agentes dispostos a investir o vosso dinheiro por vocês. Porquê, perguntam vocês?
Existem três formas através das quais um porfolio manager consegue fazer dinheiro para a empresa:
  1. Comissões sobre produtos;
  2. Assets Under Management;
  3. Aconselhamento 1-on-1.
Em primeiro lugar, parte do salário de um portfolio manager, é variável. Por outras palavras, está dependente do lucro que trouxer para a empresa. Como tal, não é de admirar que vos sugerirão aqueles produtos que lhes dêem maior retorno, independentemente do retorno que vos trouxerem para vocês. Como tal, aqueles produtos que vos tentarão enfiar pela garganta abaixo são precisamente aqueles que vão de acordo com os objectivos deles (maximizar lucro) e não necessariamente os vossos (maximizar o retorno).
Para além disso, existe também o modelo AUM (Assets Under Management) que na práctica é 1-2% que vos cobrados pelo valor de activos na vossa carteiro. A título de exemplo, suponham que eu tenho 100.000€ investidos na institução A cuja taxa AUM é de 2%. Todos os anos terei de pagar 2.000€ à instituição financeira que faz a gestão dos meus activos, independentemente de ter, ou não lucro. Imaginem que num dado ano tive 6% de retorno, a inflação foi de 3% e a AUM é de 2%. Resta-me 1% de um retorno que deveria ter sido 3%. De repente, um ano que até teria sido bastante positivo transformou-se num mísero 1%. (Parece-vos justo? Nem a mim...)
Por último, alguns advisors estão ainda disponíveis para vos aconselha por uma módica quantia de X, sendo X um valor absolutamente ridículo para o qual não existe qualquer justificação lógica. Como se tal não bastasse, muitas vezes esse aconselhamento não se traduz em qualquer valor acrescentado para nós. Com sorte, vai de encontro ao ponto 1 e comem-nos por parvos duas vezes: no aconselhamento que roçou o medíocre e na venda de um produto com comissões altíssimas e retornos pelas ruas da amargura.
Dito isto, aqui fica a primeira lição: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês!
No entanto, identificar um problema sem o tentar resolver soa-me um pouco hipócrita. Por isso, deixem-me introduzir-vos à segunda lição: é mais fácil do que parece.
Dado que, como já partilhei convosco acima, a minha formação base é finanças, comecei a pensar "como é que se investe?". Esta questão levou-me a ler vários livros sobre investimento e apercebi-me que, ao contrário do que todos os profissionais da área faziam parecer crer, investir, era bastante simples.
Tão simples, de facto, que alguém com zero experiência como investidor conseguirá obter um retorno melhor do que 80% dos ditos portfolio managers utilizando apenas as ferramentas que partilharei convosco neste thread.
O quê?! 80%?! Mas investir não é difícil?!
Não.
O quê?! Melhores retornos que portfolio managers que vivem, respiram e comem informação financeira?
Sim.
Afinal eu não preciso de pagar fees ao meu banco para investir por mim?!
Não.
Contudo, antes de partilhar convosco quais são essas ferramentas há três questões que são imperativas que saibam responder:
  1. Em que fase da vossa vida é que estão? Acumulação ou Preservação de riqueza?;
  2. Que níveis de risco é que estão disponíveis a aceitar?;
  3. O vosso horizonte temporal a nível de investimentos é longo ou curto prazo?.
Certamente repararam que as três questões estão intrinsecamente ligadas e que existe um tema comum a todas elas, risco. Pelo que gostava de começar por abordá-lo em primeiro lugar.
Ao contrário do que vos possam dizer ou vocês próprios possam pensar, não existe nenhum investimento 100% seguro.
Experimentem colocar o vosso dinheiro debaixo do colchão durante 20 anos e depois contem-me como os 20k€ que com tanto esforço, suor e lágrimas amealharam valem agora apenas 5k€ em bens e/ou serviços. Ou talvez vocês seja pessoas conservadoras e decidam comprar títulos do tesouro, mas nesse caso apresentar-vos-ei a minha inflação ou então são completamente o oposto e decidem que acções is the way to go, caso em que opto por vos dar a conhecer a minha outra amiga, deflação.
Estes exemplos não servem para vos desincentivar de investir. Queria apenas de uma forma, mais ou menos, lúdica demonstrar-vos que, qualquer que seja a nossa opção, nunca estamos 100% seguros. Consequentemente, a única opção que nos resta é fazer as escolhas que julgamos serem as mais correctas com a informação que temos disponível de momento - e atenção que não fazer escolha é, em si, uma escolha.
Dito isto, existem apenas outras três ferramentas que necessitam para construir o vosso portfolio:
(já repararam que eu gosto de manter as coisas simples?)
  1. Acções
E se invés de apostarmos numa única equipa e rezássemos para que essa equipa vencesse, pudéssemos apostar que uma qualquer equipa entre todas as que estão na competição poderia ganhar? As nossas odds seriam bem melhores, verdade?
É isso que constitui um index fund - um cabaz de acções de várias empresas. Regra geral, cada index fund tem um benchmark que segue o que acaba por definir as ações nas quais esse index fund invest. Tudo o que precisam de saber são três siglas muito simples, IWDA:NA, VUSA e VWRL.
Quais as diferenças?
Dentro dos fundos cotados (aka ETFs), existem duas sub-classes no que toca à distribuição dos dividendos consoante o fundo reeinvista autmaticamente os dividendos ou caso os distribua aos investidores, chamados accumulation ou distribution, respectivamente*.*
Isto é relevante principalmente para efeitos fiscais. No que toca a investimentos desta natureza, existem dois momentos nos quais estás sujeito a imposto.
Na altura de receberes os dividendos e no momento da venda propriamente dito.
Aquando da distribuição dos dividendos, o teu broker transferirá para a conta bancária associada o valor dos dividendos retirados os 28% de imposto. No momento da venda, analisar-se-á qual a mais ou menos valia que há a realizar. Isto é, se vendeste o investimento a um preço superior ao que compraste, o valor de imposto a pagar será de 28% sobre essa diferença. Se o valor de venda for inferior ao valor de compra, não terás qualquer imposto a pagar.
Logo, salvo raras excepções, é aconselhável que se invista num ETF que seja cumulativo (IWDA:NA). Desta forma, tiraremos proveito da capitalização composta dos juros ao mesmo tempo que adiamos o pagamento de impostos desnecessários.
  1. Obrigações
As obrigações proporcionam uma viagem ao longo do percurso de investidor um pouco mais suave. Pessoalmente, dada a minha idade, não creio que tenha muito interesse para mim. No entanto, para investidores mais conservadores, BND e AGGG-fund?switchLocale=y&siteEntryPassthrough=true) são as única sigla que precisam de conhecer neste sub-universo.
  1. Dinheiro
Um fundo de emergência é algo que devemos sempre ter. Ninguém sabe o que acontecerá no dia de amanhã e enquanto investidores de longo-prazo não queremos ter de liquidar os nossos activos devido a uma emergência. Por isso, três a seis meses de despesas fixas é um bom objectivo para se ter em dinheiro numa conta a ordem ou conta poupança que possa ser movimentada sem incorrer em custos.
Lição 2: Todos os portfolio managers acreditam que conseguem bater o mercado. Por sua vez, nós, investidores, acreditamos que conseguimos escolher aqueles que o fazem. Estamos todos enganados.
Imaginem uma sala cheia de crânios financeiros, vestidos nos seus fatos com tecidos italianos. Estes profissionais contam com anos de experiência nos mercados de capitais, para não falar das décadas passadas a estudar em grandes Business Schools.
Para além disso, têm à sua disposição inúmeras ferramentas da Bloomberg, Reuters e outros grandes players que lhes permitem ter acesso a toda a informação, constantemente actualizada, a qualquer instante.
Apesar de trabalharem noite e dia, estes guerreiros também descansam para um ocasional café, cigarro e almoço de negócios. Nesses raros e curtos momentos, encontram-se com outros analistas, experts, insiders das empresas nas quais investem e outra panóplia de gente importante.
Ao conviverem tão próximos com a realidade na qual investem, de certeza que eles sabem o que andam a fazer, certo?
Ahhhhh...think again.
Está comprovado impericamente (clicar irá fazer o download de um pdf) que os vários fundos de investimento não são capazes de dar rendibilidade superior ao seus investidores, quando comparado com o mercado.
Num horizonte temporal de 5 anos, 84,15% dos fundos de investimento tiveram uma performance pior do que o S&P500.
Logo, para terem um retorno superior ao mercado, vocês teriam de escolher o melhor fundo de investimentos possível, de um conjunto de 10! Como se isso não bastasse - e supondo que escolhiam o fundo vencedor -, ser-vos-ia cobra entre 1 a 2% em comissões. Não é muito? Para ilustrar a diferença que isto pode fazer, sigam o meu raciocínio:
Suponham que investiram 10.000€ há 30 anos num dado activo. A rentabilidade média desse mesmo activo foi de 7%, já tida a inflação em conta. Se tivessem investido vocês mesmos esse valor num index fund, teriam aproximadamente 66.000€. Por sua vez, se tivessem escolhido o fundo vencedor teriam apenas 43.000€. Uma diferença de 23.000€ tendo por base apenas 2%. Funny, right?
(aqui estou a supor que o fundo vencedor vos proporcionava apenas a mesma rentabilidade dada pelo mercado, mas dado que assumi, de 10 fundos de investimento, vocês escolhiam o único cuja rentabilidade não era pior que a do mercado, parece-me justo para balançar o cenário)
Este exemplo introduz-nos à próxima lição.
Lição 3: Controlem o que conseguem controlar
Esta conversa é toda muito bonita, mas o que raio é essa coisa da Vanguard e porque é que todos os EFTs que sugeres são geridos por eles? Afinal, também és um vendedor?!
Bom ponto, tens estado atento!
Um mercado de capitais é um sítio feio, se não soubermos gerir as emoções provavelmente perderemos muito dinheiro - mais sobre isto numa edição futura do post. A verdade é que os nossos investimentos irão desvalorizar e valorizar várias vezes ao longo do tempo. Como tal, uns anos serão positivos e outros nem tanto. Isto para dizer algo que ninguém gosta de ouvir: não podemos controlar o retorno que o mercado nos dá. Felizmente, há algo que nos cabe a nós controlar: o custo do nosso investimento.
Uma vez que o lucro do nosso investimento será nada mais do que retorno - custo, minimizando o custo estamos a optimizar esta equação.
É aqui que entra a Vanguard, fundada por um grande senhor, John Bogle, em 1975.
O que a torna tão especial é que, no momento da sua fundação, John Bogle estruturou-a de forma a que fosse customer-owned e cujo objetivo fosse o breakeven (i.e., não é suposto ter lucro, mas sim apenas ser capaz de fazer face às suas despesas).
Para compreenderem a diferença, uma empresa de investimento pode ter duas formas:
  1. É uma empresa privada. Funciona da mesma forma que um negócio familiar e o objectivo é gerar valor para os donos - a Fidelity Investments é um exemplo;
  2. É uma empresa cotada em bolsa, detida por accionistas.
Em qualquer um destes casos, o objectivo da empresa é gerar lucro. Apenas deste modo serão capazes de pagar as suas despesas e remunerar os seus donos, sejam eles privados ou accionistas. Não é difícil perceber que quanto maior for o lucro, maior será a fatia dada a cada um destes agentes. Logo, há todo um incentivo para a maximizar tanto quanto possível. E imaginem de quem virá essa fatia...nós, investidores, claro!
Por outras palavras, quando investimos com uma destas empresas, estamos a pagar pelo investimento financeiro propriamente dito e mais alguns pózinhos para os seus donos/accionistas.
Logo, é claro que há aqui um conflito de interesses - o mesmo se passa com portfolio managers, mas isso fica para uma outra versão do post. O dono de uma empresa de investimento quer que os fees sejam tão altos quanto possível. Eu, enquanto investidor, quero pagar o mínimo.
Ainda que este modelo de negócio seja perfeitamente digno. Nós, investidores, temos uma solução melhor! Acontece que John Bogle quando fundou a Vanguard, fê-lo de modo a que a mesma fosse detida pelos fundos que esta opera. Ora, uma vez que são os investidores que detêm os fundos, na práctica, os investidores detêm a própria Vanguard.
Logo, qualquer lucro que a empresa tivesse entraria directamente para a nossa carteira. No entanto, dado que este circulo Investidor - Vnaguard Mutual Funds - Vanguard - Investidor seria um pouco non-sense, a Vanguard opera no breakeven, cobrando os custos mínimos para garantir a sua operação.
No que é isto se traduz, na práctica? No facto de que o expense ratio (ou seja, a taxa de encargos correntes) média dos fundos da Vanguard seja 0.2% contra 1,20% da indústria. Pode não parecer muito, mas considerando este valor sobre vários anos e sobre um capital considerável, dá uns bons mlhares de euros poupados no final de uma vida de investidor.
Lição 4: Fazer para crer
Dito isto, como é que se compra essas coisas estranhas, ETFs? Para o fazer, precisam de uma correctora ou broker. Cada correctora practica o seu próprio preço. Por isso, é importante compararem-nos antes de abrirem conta numa delas. Deixo-vos aqui e aqui e aqui imagens de tabelas comparativas das várias correctoras a operar em Portugal (obrigado, Bárbara Barroso). Para além dos custos de aquisição de títulos, algumas delas cobram ainda custos de manuntenção e/ou outros.
Muitas destas correctoras permitem criar contas demo. Caso estejam indecisos. criem uma e experimentem a plataforma de negociação.
Feito este passo, é uma questão de acederem à dita plataforma, procurar os títulos indicados acima e adquiri-los.
Frequently Asked Questions
Os mercados estão em máximos históricos. Por isso, uma recessão está para breve. Será que devo esperar que a dita recessão chegue e que os mercados acalmem?
Ninguém sabe ao certo quando - e sequer se - estaremos perante uma recessão. A pesquisa feita em torno dos retornos históricos demonstra que se tiveres X€ para investir, a melhor solução é colocá-los de uma só vez no mercado.
Mas ainda ontem ouvi o Miguel Sousa Tavares a dizer que estaria para breve!
Não.
Ah, mas a minha tia, que é economista, disse no jantar de Natal que a guerra comercial da China e dos EUA...
Não.
Ah, mas o meu piriquito...
Não.
Ninguém consegue fazer timing ao mercado e quem vos disser o contrário está a tentar enganar-vos. No caso de serem vocês próprios, sentem-se à espera que a vontade passe, 99.9% das vezes estarão enganados.
Devo investir com a Degiro?
Antes de usarem a DeGiro como vossa correctora leiam este thread e pesquisem Amsterdamtrader Degiro no Google.
Com este tópico pretendo apenas informar-vos. Como tal, ainda que vos possa partilhar convosco como giro os meus investimentos, tento ser o mais imparcial possível. No entanto, sou defensor que devemos fazer escolhas conscientes. Não digo que não seja uma boa opção, estejam apenas consciente do que se passa no background.
Qual é a correctora que usas, u/ORoxo**?**
Comecei por usar o Banco Invest porque me dava uma segurança adicional fazê-lo através de um banco no qual confio. No entanto, os custos eram demasiado elevados e agora faço-o pela DeGiro, apesar do indiquei no ponto imediatamente acima. O importante é termos consciência dos riscos, lembrem-se.
O que acontece se a correctora que uso for à falência?
Regra geral, as correctoras mantêm os nossos activos numa entidade legal separada. Na práctica, isto significa que a correctora teria uma entidades para o negócio de corretagem propriamente dito através da qual realiza todas as actividades inerentes à operação (i.e., pagar os salários dos empregados, receber os fees dos clientes, etc, etc) e outra entidade à qual os nossos activos estariam alocados (dinheiro que temos em conta e os nossos produtos financeiros). A vantagem deste tipo de estrutura é que, em caso de falência do negócio, os ativos dos investidores não poderiam ser usados para pagar aos credores da correctora.
Não vos posso dizer se na práctica é 100% assim mas, pelo menos em teoria, isto acontece (ver e ver). Usando a DeGiro como exemplo:
DEGIRO holds Financial Instruments for you in such a way that they cannot be accessed by creditors of DEGIRO, even if DEGIRO would be bankrupt.
Ainda assim, supondo que a DeGiro ia à falência, dado que está sediada na Holanda, estaria ao abrigo do Investor Compensation Scheme que fará face às obrigações da correctora até um limite de 20k€ por investidor.
Para vos dar outro exemplo, caso investissem através da Interactive Brokers, o limite seria 500k€, uma vez que estariamos ao abrigo da SIPC (Securities Investor Protection Corporation).
Estes valores/regras dependerão do país no qual a correctora está sediada. Caso queiram optar por outra, as preocupações deverão rondar as seguintes questões:
Qual é a rentabilidade anual que posso esperar do meu portfólio, se seguir as estratégias deste post?
Tendo em consideração os dados do último século, o retorno médio anual do mercado de capitais foi de 10%. Na práctica, isto quer dizer que se adquirires um ETF cujo benchmark seja o S&P500 ou um índice global (muitas vezes os ETF deste tipo têm WLR ou World no nome), no longo prazo (20+ anos), podes esperar um retorno anual de 10% nos teus investimentos. Atenta, por favor, que isto não quer dizer que terás todos os anos 10% - poderão haver anos que ganhas 30% e noutros perdes 15%, por exemplo. Ainda assim, no longo-prazo, em média, poderás esperar um retorno de 10%/ano.
O importante é que não faças o que a maior parte das pessoas faz: vender quando o mercado está a cair e comprar quanto o mercado está em alta. O nosso objectivo enquanto investidores de longo prazo deve ser comprar sempre o mesmo em valor absoluto (supõe que defines como objetivo uma taxa de poupança de 30%/mês; deverás investir sempre esses 30% quer o ETF custe 10€ ou 80€). Uns anos essa poupança de 30% comprará mais unidades do dito ETF, outras menos. Ainda assim, no final da nossa vida de investidor, poderemos esperar um retorno de 10%/ano, em média.
Para aqueles que são conservadores, usem 6% como referência.
O ETF xpto é uma boa alternativa aos que mencionas no teu post?
Quando consideramos investir num ETF há algumas questões que devemos colocar:
  1. Qual é o activo subjacente ao ETF?
  2. Qual o custo de gestão do ETF?
  3. O ETF é cumulativo ou distribuí dividendos?
  4. Em que praça é cotado?
  5. Em que moeda está denominado o ETF?
Em primeiro lugar, importa perceber qual é o activo que está subjacente ao ETF.
Em segundo lugar, importa analisar os custos.
Eu posso pensar "epah estar exposto ao mundo todo é melhor do que estar apenas exposto ao mercado dos EUA." Certíssimo. No entanto, o retorno que irei ter ao estar exposto a empresas de diferentes geografias vai compensar a diferença de custos de gestão anuais que terei de pagar? Para além disso, supondo que estou a investir em empresas do S&P500, a maior parte delas operam em vários mercados. Será que faz sentido optar por um ETF que diversifica ainda mais, incorrendo em custos superiores, quando as grandes empresas são, hoje em dia, na sua grande maioria, globais?".
O ponto 3, ainda para mais em Portugal, é fulcral. Cada vez que te forem pagos dividendos, pagarás 28% de imposto. Logo, supondo que recebes 1.000€ de dividendos, só receberás à cabeça 720€. Num ano, pode não parecer muito, capitaliza isto pela tua vida de investidor, no meu caso 50 ou 60€ e tens uma valente fortuna paga ao Estado, sem motivo para isso.
Qual é então a solução? Fácil! Investir num ETF que invés de te dar os 1.000€ todos os anos, os investe automaticamente no ETF. Não só poupaste 28% em imposto como o poder do juro composto vai multiplicar este valor inúmeras vezes. Lembra-te, sempre que possível, accumulating.
O próximo ponto também é essencial uma vez que se o EFT for cotado nos EUA não está sequer acessível para nós. Infelizmente, as normas europeias exigem que os issuers forneçam uma série de informação, sem a qual os ETF não poderão ser transacionados em bolsa Europeias. Consequentemente, não são sequer solução para nós porque simplesmente não estão disponíveis.
Por último, há pessoas que consideram que seja bastante importante a moeda na qual o ETF está cotado devido ao currency risk (i.e., supõe que tens um activo em USD e gastas o teu dinheiro em EUR. O risco é que o USD desvalorize face ao EUR e que, consequentemente, percas poder de compra).
Pessoalmente, não é algo que me faça perder o sono, mas é uma questão a considerar.
O que acontecerá às minhas poupanças daqui a 20 anos se conseguir investir mais 50€/mês?
De acordo com esta calculadora, daqui a 20 anos terás mais 36.199,34€ ou 22.782,29€, consoante a tua perspectiva face à taxa de juro seja optimista ou pessimista, respectivamente.
Quero aprender mais sobre o tópico. O que me aconselhas?
Infelizmente, muito do conteúdo que existe está extremamente vocacionado para o mercado Norte-americano, em particular os EUA - surprise, surprise, han?
De qualquer modo, existem muitas (e boas!) lições que podemos adaptar à nossa realidade. Por isso, caso se sintam à vontade a ler inglês aconselho os seguintes livros:
Creio que para a maior parte deles poderão encontrar a versão em PT. No entanto, caso considerem que há interesse posso fazer um breve resumo de cada um deles e incluí-lo no âmbito do thread.
Para aqueles cujas versões de inglês forem suficientes, mas cujo valor dos livros faça diferença no orçamento familiar, mandem-me dm.
Tenho mais de 100.000€ disponível para investir, devo seguir o mesmo processo?
Não.
Nesse caso, por favor, abre uma garrafa de champanhe. Para além de estares entre os 20% mais ricos de Portugal e dinheiro não ser uma preocupação para ti, podes investir directamente com a Vanguard.
Para o fazeres, envia um e-mail para [email protected] com a indicação de que pretendes investir no index fund cujo ISIN é IE0002639668. Infelizmente, a partir daqui não te consigo ajudar mais, uma vez que ainda não estou neste patamar. Contudo, para questões particulares, estou sempre disponível por dm, se necessitares.
Caso pretendas consultar os restantes fundos disponíveis para investidores portugueses podes fazê-lo aqui.
Creio que já deu para entender que adoro este temas. Por isso, caso tenham alguma questão, estejam completamente à vontade para a colocar nos comentários ou enviar-me dm. Terei todo o gosto em ajudar cada um de vocês em tudo o que me for possível.
Como qualquer pessoa, sou humano e, como tal, não sei tudo. Ainda assim, se for esse o caso, estou disponível para ir aprender de modo a ser capaz de vos explicar e partilhar convosco.
Provavelmente editarei este tópico várias vezes à medida que me for lembrando de mais informação. Até lá, espero que vos seja útil!
submitted by ORoxo to literaciafinanceira [link] [comments]


2019.12.28 13:24 ORoxo Como investir Keep it simple, Stupid!

Olá,
Se chegaste até aqui é porque estás preocupado com as tuas finanças, por isso, parabéns!
De facto, é uma preocupação fundamentada, uma vez que, de acordo com Relatório sobre a Sustentabilidade Financeira da Segurança Social publicado em Outubro de 2018 como anexo do Orçamento de Estado de 2019, a Segurança Social como a conhecemos hoje esgotar-se-á no final da segunda metade da década de 2040.

O FEFSS (Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social), a ser utilizado perante saldos negativos do sistema previdencial a partir do final da segunda metade da década de 2020, teria com a atual projeção, um esgotamento no final da segunda metade da década de 2040, representando uma melhoria face à projeção do relatório de sustentabilidade anexo ao Relatório do OE de 2017, em cinco anos.

Assim, se, tal como eu, estás a iniciar a tua vida adulta, provavelmente será responsável pelo teu próprio sustento durante a idade da reforma. Como tal, temos de arranjar uma forma de garantir que o nosso dinheiro rende, para garantir esse conforto futuro.
A melhor forma que conheço para o fazer é através de investimentos, algo que começa agora a ser falado no nosso país, mas sobre o qual a generalidade das pessoas ainda sabe muito pouco.

Ao contrário de subs de outros países relacionadas com finanças pessoais onde existem vários tópicos Guide, em Portugal, tal não acontece.
Para colmatar essa lacuna, decidi escrever este post que espero ajudar aqueles que buscam conselhos financeiros e que se deparam com esta comunidade pela primeira vez.
Infelizmente (ou felizmente) não venho de famílias abastadas. Como tal, há cerca de 2/3 anos quando comecei a ganhar alguma autonomia financeira coincidente com a minha entrada no mercado de trabalho, comecei a pensar como é viria a fazer face às minhas despesas - casa, carro, alimentação, etc.
Desta reflexão resultaram muitas horas de leitura e lições que agora partilho aqui convosco:

Lição 1: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês.
Começo por partilhar convosco que uma das coisas que mais me irrita na indústria financeira - e no qual tenho a minha quota-parte de culpa, dado que é a minha área de formação - é da necessidade de complicar. Alguém que esteja de fora, ficará intimidado pela complexidade de palavras que usamos como asset alocation, derivatives, bonds, stocks, optimal portfolio allocation, options, warrants e futuros. Como se isso não bastasse, não educamos os jovens em finanças - em muitos casos temos dificuldade em poupar e noutros tantos em perceber como investir.
Claro que toda esta iliteracia financeira é um paraíso para portfolio managers e outros agentes dispostos a investir o vosso dinheiro por vocês. Porquê, perguntam vocês?
Existem três formas através das quais um porfolio manager consegue fazer dinheiro para a empresa:
  1. Comissões sobre produtos;
  2. Assets Under Management;
  3. Aconselhamento 1-on-1.

Em primeiro lugar, parte do salário de um portfolio manager, é variável. Por outras palavras, está dependente do lucro que trouxer para a empresa. Como tal, não é de admirar que vos sugerirão aqueles produtos que lhes dêem maior retorno, independentemente do retorno que vos trouxerem para vocês. Como tal, aqueles produtos que vos tentarão enfiar pela garganta abaixo são precisamente aqueles que vão de acordo com os objectivos deles (maximizar lucro) e não necessariamente os vossos (maximizar o retorno).
Para além disso, existe também o modelo AUM (Assets Under Management) que na práctica é 1-2% que vos cobrados pelo valor de activos na vossa carteiro. A título de exemplo, suponham que eu tenho 100.000€ investidos na institução A cuja taxa AUM é de 2%. Todos os anos terei de pagar 2.000€ à instituição financeira que faz a gestão dos meus activos, independentemente de ter, ou não lucro. Imaginem que num dado ano tive 6% de retorno, a inflação foi de 3% e a AUM é de 2%. Resta-me 1% de um retorno que deveria ter sido 3%. De repente, um ano que até teria sido bastante positivo transformou-se num mísero 1%. (Parece-vos justo? Nem a mim...)
Por último, alguns advisors estão ainda disponíveis para vos aconselha por uma módica quantia de X, sendo X um valor absolutamente ridículo para o qual não existe qualquer justificação lógica. Como se tal não bastasse, muitas vezes esse aconselhamento não se traduz em qualquer valor acrescentado para nós. Com sorte, vai de encontro ao ponto 1 e comem-nos por parvos duas vezes: no aconselhamento que roçou o medíocre e na venda de um produto com comissões altíssimas e retornos pelas ruas da amargura.

Dito isto, aqui fica a primeira lição: ninguém cuidará melhor do vosso dinheiro do que vocês!

No entanto, identificar um problema sem o tentar resolver soa-me um pouco hipócrita. Por isso, deixem-me introduzir-vos à segunda lição: é mais fácil do que parece.

Dado que, como já partilhei convosco acima, a minha formação base é finanças, comecei a pensar "como é que se investe?". Esta questão levou-me a ler vários livros sobre investimento e apercebi-me que, ao contrário do que todos os profissionais da área faziam parecer crer, investir, era bastante simples.
Tão simples, de facto, que alguém com zero experiência como investidor conseguirá obter um retorno melhor do que 80% dos ditos portfolio managers utilizando apenas as ferramentas que partilharei convosco neste thread.

O quê?! 80%?! Mas investir não é difícil?!
Não.

O quê?! Melhores retornos que portfolio managers que vivem, respiram e comem informação financeira?
Sim.

Afinal eu não preciso de pagar fees ao meu banco para investir por mim?!
Não.

Contudo, antes de partilhar convosco quais são essas ferramentas há três questões que são imperativas que saibam responder:

  1. Em que fase da vossa vida é que estão? Acumulação ou Preservação de riqueza?;
  2. Que níveis de risco é que estão disponíveis a aceitar?;
  3. O vosso horizonte temporal a nível de investimentos é longo ou curto prazo?.

Certamente repararam que as três questões estão intrinsecamente ligadas e que existe um tema comum a todas elas, risco. Pelo que gostava de começar por abordá-lo em primeiro lugar.
Ao contrário do que vos possam dizer ou vocês próprios possam pensar, não existe nenhum investimento 100% seguro.
Experimentem colocar o vosso dinheiro debaixo do colchão durante 20 anos e depois contem-me como os 20k€ que com tanto esforço, suor e lágrimas amealharam valem agora apenas 5k€ em bens e/ou serviços. Ou talvez vocês seja pessoas conservadoras e decidam comprar títulos do tesouro, mas nesse caso apresentar-vos-ei a minha inflação ou então são completamente o oposto e decidem que acções is the way to go, caso em que opto por vos dar a conhecer a minha outra amiga, deflação.
Estes exemplos não servem para vos desincentivar de investir. Queria apenas de uma forma, mais ou menos, lúdica demonstrar-vos que, qualquer que seja a nossa opção, nunca estamos 100% seguros. Consequentemente, a única opção que nos resta é fazer as escolhas que julgamos serem as mais correctas com a informação que temos disponível de momento - e atenção que não fazer escolha é, em si, uma escolha.
Dito isto, existem apenas outras três ferramentas que necessitam para construir o vosso portfolio:
(já repararam que eu gosto de manter as coisas simples?)

  1. Acções
E se invés de apostarmos numa única equipa e rezássemos para que essa equipa vencesse, pudéssemos apostar que uma qualquer equipa entre todas as que estão na competição poderia ganhar? As nossas odds seriam bem melhores, verdade?
É isso que constitui um index fund - um cabaz de acções de várias empresas. Regra geral, cada index fund tem um benchmark que segue o que acaba por definir as ações nas quais esse index fund invest. Tudo o que precisam de saber são três siglas muito simples, IWDA:NA, VUSA e VWRL.

Quais as diferenças?
Dentro dos fundos cotados (aka ETFs), existem duas sub-classes no que toca à distribuição dos dividendos consoante o fundo reeinvista autmaticamente os dividendos ou caso os distribua aos investidores, chamados accumulation ou distribution, respectivamente*.*
Isto é relevante principalmente para efeitos fiscais. No que toca a investimentos desta natureza, existem dois momentos nos quais estás sujeito a imposto.
Na altura de receberes os dividendos e no momento da venda propriamente dito.
Aquando da distribuição dos dividendos, o teu broker transferirá para a conta bancária associada o valor dos dividendos retirados os 28% de imposto. No momento da venda, analisar-se-á qual a mais ou menos valia que há a realizar. Isto é, se vendeste o investimento a um preço superior ao que compraste, o valor de imposto a pagar será de 28% sobre essa diferença. Se o valor de venda for inferior ao valor de compra, não terás qualquer imposto a pagar.
Logo, salvo raras excepções, é aconselhável que se invista num ETF que seja cumulativo (IWDA:NA). Desta forma, tiraremos proveito da capitalização composta dos juros ao mesmo tempo que adiamos o pagamento de impostos desnecessários.

  1. Obrigações
As obrigações proporcionam uma viagem ao longo do percurso de investidor um pouco mais suave. Pessoalmente, dada a minha idade, não creio que tenha muito interesse para mim. No entanto, para investidores mais conservadores, BND e AGGG-fund?switchLocale=y&siteEntryPassthrough=true) são as única sigla que precisam de conhecer neste sub-universo.

  1. Dinheiro
Um fundo de emergência é algo que devemos sempre ter. Ninguém sabe o que acontecerá no dia de amanhã e enquanto investidores de longo-prazo não queremos ter de liquidar os nossos activos devido a uma emergência. Por isso, três a seis meses de despesas fixas é um bom objectivo para se ter em dinheiro numa conta a ordem ou conta poupança que possa ser movimentada sem incorrer em custos.

Lição 2: Todos os portfolio managers acreditam que conseguem bater o mercado. Por sua vez, nós, investidores, acreditamos que conseguimos escolher aqueles que o fazem. Estamos todos enganados.

Imaginem uma sala cheia de crânios financeiros, vestidos nos seus fatos com tecidos italianos. Estes profissionais contam com anos de experiência nos mercados de capitais, para não falar das décadas passadas a estudar em grandes Business Schools.
Para além disso, têm à sua disposição inúmeras ferramentas da Bloomberg, Reuters e outros grandes players que lhes permitem ter acesso a toda a informação, constantemente actualizada, a qualquer instante.
Apesar de trabalharem noite e dia, estes guerreiros também descansam para um ocasional café, cigarro e almoço de negócios. Nesses raros e curtos momentos, encontram-se com outros analistas, experts, insiders das empresas nas quais investem e outra panóplia de gente importante.
Ao conviverem tão próximos com a realidade na qual investem, de certeza que eles sabem o que andam a fazer, certo?
Ahhhhh...think again.
Está comprovado impericamente (clicar irá fazer o download de um pdf) que os vários fundos de investimento não são capazes de dar rendibilidade superior ao seus investidores, quando comparado com o mercado.
Num horizonte temporal de 5 anos, 84,15% dos fundos de investimento tiveram uma performance pior do que o S&P500.
Logo, para terem um retorno superior ao mercado, vocês teriam de escolher o melhor fundo de investimentos possível, de um conjunto de 10! Como se isso não bastasse - e supondo que escolhiam o fundo vencedor -, ser-vos-ia cobra entre 1 a 2% em comissões. Não é muito? Para ilustrar a diferença que isto pode fazer, sigam o meu raciocínio:

Suponham que investiram 10.000€ há 30 anos num dado activo. A rentabilidade média desse mesmo activo foi de 7%, já tida a inflação em conta. Se tivessem investido vocês mesmos esse valor num index fund, teriam aproximadamente 66.000€. Por sua vez, se tivessem escolhido o fundo vencedor teriam apenas 43.000€. Uma diferença de 23.000€ tendo por base apenas 2%. Funny, right?

(aqui estou a supor que o fundo vencedor vos proporcionava apenas a mesma rentabilidade dada pelo mercado, mas dado que assumi, de 10 fundos de investimento, vocês escolhiam o único cuja rentabilidade não era pior que a do mercado, parece-me justo para balançar o cenário)

Este exemplo introduz-nos à próxima lição.

Lição 3: Controlem o que conseguem controlar

Esta conversa é toda muito bonita, mas o que raio é essa coisa da Vanguard e porque é que todos os EFTs que sugeres são geridos por eles? Afinal, também és um vendedor?!

Bom ponto, tens estado atento!
Um mercado de capitais é um sítio feio, se não soubermos gerir as emoções provavelmente perderemos muito dinheiro - mais sobre isto numa edição futura do post. A verdade é que os nossos investimentos irão desvalorizar e valorizar várias vezes ao longo do tempo. Como tal, uns anos serão positivos e outros nem tanto. Isto para dizer algo que ninguém gosta de ouvir: não podemos controlar o retorno que o mercado nos dá. Felizmente, há algo que nos cabe a nós controlar: o custo do nosso investimento.
Uma vez que o lucro do nosso investimento será nada mais do que retorno - custo, minimizando o custo estamos a optimizar esta equação.
É aqui que entra a Vanguard, fundada por um grande senhor, John Bogle, em 1975.
O que a torna tão especial é que, no momento da sua fundação, John Bogle estruturou-a de forma a que fosse customer-owned e cujo objetivo fosse o breakeven (i.e., não é suposto ter lucro, mas sim apenas ser capaz de fazer face às suas despesas).
Para compreenderem a diferença, uma empresa de investimento pode ter duas formas:

  1. É uma empresa privada. Funciona da mesma forma que um negócio familiar e o objectivo é gerar valor para os donos - a Fidelity Investments é um exemplo;
  2. É uma empresa cotada em bolsa, detida por accionistas.

Em qualquer um destes casos, o objectivo da empresa é gerar lucro. Apenas deste modo serão capazes de pagar as suas despesas e remunerar os seus donos, sejam eles privados ou accionistas. Não é difícil perceber que quanto maior for o lucro, maior será a fatia dada a cada um destes agentes. Logo, há todo um incentivo para a maximizar tanto quanto possível. E imaginem de quem virá essa fatia...nós, investidores, claro!
Por outras palavras, quando investimos com uma destas empresas, estamos a pagar pelo investimento financeiro propriamente dito e mais alguns pózinhos para os seus donos/accionistas.
Logo, é claro que há aqui um conflito de interesses - o mesmo se passa com portfolio managers, mas isso fica para uma outra versão do post. O dono de uma empresa de investimento quer que os fees sejam tão altos quanto possível. Eu, enquanto investidor, quero pagar o mínimo.
Ainda que este modelo de negócio seja perfeitamente digno. Nós, investidores, temos uma solução melhor! Acontece que John Bogle quando fundou a Vanguard, fê-lo de modo a que a mesma fosse detida pelos fundos que esta opera. Ora, uma vez que são os investidores que detêm os fundos, na práctica, os investidores detêm a própria Vanguard.
Logo, qualquer lucro que a empresa tivesse entraria directamente para a nossa carteira. No entanto, dado que este circulo Investidor - Vnaguard Mutual Funds - Vanguard - Investidor seria um pouco non-sense, a Vanguard opera no breakeven, cobrando os custos mínimos para garantir a sua operação.

No que é isto se traduz, na práctica? No facto de que o expense ratio (ou seja, a taxa de encargos correntes) média dos fundos da Vanguard seja 0.2% contra 1,20% da indústria. Pode não parecer muito, mas considerando este valor sobre vários anos e sobre um capital considerável, dá uns bons mlhares de euros poupados no final de uma vida de investidor.

Lição 4: Fazer para crer
Dito isto, como é que se compra essas coisas estranhas, ETFs? Para o fazer, precisam de uma correctora ou broker. Cada correctora practica o seu próprio preço. Por isso, é importante compararem-nos antes de abrirem conta numa delas. Deixo-vos aqui e aqui e aqui imagens de tabelas comparativas das várias correctoras a operar em Portugal (obrigado, Bárbara Barroso). Para além dos custos de aquisição de títulos, algumas delas cobram ainda custos de manuntenção e/ou outros.
Muitas destas correctoras permitem criar contas demo. Caso estejam indecisos. criem uma e experimentem a plataforma de negociação.
Feito este passo, é uma questão de acederem à dita plataforma, procurar os títulos indicados acima e adquiri-los.


Frequently Asked Questions

Os mercados estão em máximos históricos. Por isso, uma recessão está para breve. Será que devo esperar que a dita recessão chegue e que os mercados acalmem?
Ninguém sabe ao certo quando - e sequer se - estaremos perante uma recessão. A pesquisa feita em torno dos retornos históricos demonstra que se tiveres X€ para investir, a melhor solução é colocá-los de uma só vez no mercado.

Mas ainda ontem ouvi o Miguel Sousa Tavares a dizer que estaria para breve!
Não.
Ah, mas a minha tia, que é economista, disse no jantar de Natal que a guerra comercial da China e dos EUA...
Não.
Ah, mas o meu piriquito...
Não.

Ninguém consegue fazer timing ao mercado e quem vos disser o contrário está a tentar enganar-vos. No caso de serem vocês próprios, sentem-se à espera que a vontade passe, 99.9% das vezes estarão enganados.

Devo investir com a Degiro?
Antes de usarem a DeGiro como vossa correctora leiam este thread e pesquisem Amsterdamtrader Degiro no Google.
Com este tópico pretendo apenas informar-vos. Como tal, ainda que vos possa partilhar convosco como giro os meus investimentos, tento ser o mais imparcial possível. No entanto, sou defensor que devemos fazer escolhas conscientes. Não digo que não seja uma boa opção, estejam apenas consciente do que se passa no background.

Qual é a correctora que usas, u/ORoxo**?**
Comecei por usar o Banco Invest porque me dava uma segurança adicional fazê-lo através de um banco no qual confio. No entanto, os custos eram demasiado elevados e agora faço-o pela DeGiro, apesar do indiquei no ponto imediatamente acima. O importante é termos consciência dos riscos, lembrem-se.

O que acontece se a correctora que uso for à falência?
Regra geral, as correctoras mantêm os nossos activos numa entidade legal separada. Na práctica, isto significa que a correctora teria uma entidades para o negócio de corretagem propriamente dito através da qual realiza todas as actividades inerentes à operação (i.e., pagar os salários dos empregados, receber os fees dos clientes, etc, etc) e outra entidade à qual os nossos activos estariam alocados (dinheiro que temos em conta e os nossos produtos financeiros). A vantagem deste tipo de estrutura é que, em caso de falência do negócio, os ativos dos investidores não poderiam ser usados para pagar aos credores da correctora.
Não vos posso dizer se na práctica é 100% assim mas, pelo menos em teoria, isto acontece (ver e ver). Usando a DeGiro como exemplo:

DEGIRO holds Financial Instruments for you in such a way that they cannot be accessed by creditors of DEGIRO, even if DEGIRO would be bankrupt.

Ainda assim, supondo que a DeGiro ia à falência, dado que está sediada na Holanda, estaria ao abrigo do Investor Compensation Scheme que fará face às obrigações da correctora até um limite de 20k€ por investidor.
Para vos dar outro exemplo, caso investissem através da Interactive Brokers, o limite seria 500k€, uma vez que estariamos ao abrigo da SIPC (Securities Investor Protection Corporation).
Estes valores/regras dependerão do país no qual a correctora está sediada. Caso queiram optar por outra, as preocupações deverão rondar as seguintes questões:


Qual é a rentabilidade anual que posso esperar do meu portfólio, se seguir as estratégias deste post?
Tendo em consideração os dados do último século, o retorno médio anual do mercado de capitais foi de 10%. Na práctica, isto quer dizer que se adquirires um ETF cujo benchmark seja o S&P500 ou um índice global (muitas vezes os ETF deste tipo têm WLR ou World no nome), no longo prazo (20+ anos), podes esperar um retorno anual de 10% nos teus investimentos. Atenta, por favor, que isto não quer dizer que terás todos os anos 10% - poderão haver anos que ganhas 30% e noutros perdes 15%, por exemplo. Ainda assim, no longo-prazo, em média, poderás esperar um retorno de 10%/ano.
O importante é que não faças o que a maior parte das pessoas faz: vender quando o mercado está a cair e comprar quanto o mercado está em alta. O nosso objectivo enquanto investidores de longo prazo deve ser comprar sempre o mesmo em valor absoluto (supõe que defines como objetivo uma taxa de poupança de 30%/mês; deverás investir sempre esses 30% quer o ETF custe 10€ ou 80€). Uns anos essa poupança de 30% comprará mais unidades do dito ETF, outras menos. Ainda assim, no final da nossa vida de investidor, poderemos esperar um retorno de 10%/ano, em média.

Para aqueles que são conservadores, usem 6% como referência.

O ETF xpto é uma boa alternativa aos que mencionas no teu post?
Quando consideramos investir num ETF há algumas questões que devemos colocar:
  1. Qual é o activo subjacente ao ETF?
  2. Qual o custo de gestão do ETF?
  3. O ETF é cumulativo ou distribuí dividendos?
  4. Em que praça é cotado?
  5. Em que moeda está denominado o ETF?
Em primeiro lugar, importa perceber qual é o activo que está subjacente ao ETF.
Em segundo lugar, importa analisar os custos.
Eu posso pensar "epah estar exposto ao mundo todo é melhor do que estar apenas exposto ao mercado dos EUA." Certíssimo. No entanto, o retorno que irei ter ao estar exposto a empresas de diferentes geografias vai compensar a diferença de custos de gestão anuais que terei de pagar? Para além disso, supondo que estou a investir em empresas do S&P500, a maior parte delas operam em vários mercados. Será que faz sentido optar por um ETF que diversifica ainda mais, incorrendo em custos superiores, quando as grandes empresas são, hoje em dia, na sua grande maioria, globais?".
O ponto 3, ainda para mais em Portugal, é fulcral. Cada vez que te forem pagos dividendos, pagarás 28% de imposto. Logo, supondo que recebes 1.000€ de dividendos, só receberás à cabeça 720€. Num ano, pode não parecer muito, capitaliza isto pela tua vida de investidor, no meu caso 50 ou 60€ e tens uma valente fortuna paga ao Estado, sem motivo para isso.
Qual é então a solução? Fácil! Investir num ETF que invés de te dar os 1.000€ todos os anos, os investe automaticamente no ETF. Não só poupaste 28% em imposto como o poder do juro composto vai multiplicar este valor inúmeras vezes. Lembra-te, sempre que possível, accumulating.
O próximo ponto também é essencial uma vez que se o EFT for cotado nos EUA não está sequer acessível para nós. Infelizmente, as normas europeias exigem que os issuers forneçam uma série de informação, sem a qual os ETF não poderão ser transacionados em bolsa Europeias. Consequentemente, não são sequer solução para nós porque simplesmente não estão disponíveis.
Por último, há pessoas que consideram que seja bastante importante a moeda na qual o ETF está cotado devido ao currency risk (i.e., supõe que tens um activo em USD e gastas o teu dinheiro em EUR. O risco é que o USD desvalorize face ao EUR e que, consequentemente, percas poder de compra).
Pessoalmente, não é algo que me faça perder o sono, mas é uma questão a considerar.

O que acontecerá às minhas poupanças daqui a 20 anos se conseguir investir mais 50€/mês?
De acordo com esta calculadora, daqui a 20 anos terás mais 36.199,34€ ou 22.782,29€, consoante a tua perspectiva face à taxa de juro seja optimista ou pessimista, respectivamente.

Terás tido um proveito líquido de 19% com esta simples operação, excluído eventuais comissões de resgate e subscrição. Daí que o passo 1 seja importante.
De nada :)

Quero aprender mais sobre o tópico. O que me aconselhas?
Infelizmente, muito do conteúdo que existe está extremamente vocacionado para o mercado Norte-americano, em particular os EUA - surprise, surprise, han?
De qualquer modo, existem muitas (e boas!) lições que podemos adaptar à nossa realidade. Por isso, caso se sintam à vontade a ler inglês aconselho os seguintes livros:


Creio que para a maior parte deles poderão encontrar a versão em PT. No entanto, caso considerem que há interesse posso fazer um breve resumo de cada um deles e incluí-lo no âmbito do thread.
Para aqueles cujas versões de inglês forem suficientes, mas cujo valor dos livros faça diferença no orçamento familiar, mandem-me dm.

Tenho mais de 100.000€ disponível para investir, devo seguir o mesmo processo?
Não.
Nesse caso, por favor, abre uma garrafa de champanhe. Para além de estares entre os 20% mais ricos de Portugal e dinheiro não ser uma preocupação para ti, podes investir directamente com a Vanguard.
Para o fazeres, envia um e-mail para [[email protected]](mailto:[email protected]) com a indicação de que pretendes investir no index fund cujo ISIN é IE0002639668. Infelizmente, a partir daqui não te consigo ajudar mais, uma vez que ainda não estou neste patamar. Contudo, para questões particulares, estou sempre disponível por dm, se necessitares.
Caso pretendas consultar os restantes fundos disponíveis para investidores portugueses podes fazê-lo aqui.


Creio que já deu para entender que adoro este temas. Por isso, caso tenham alguma questão, estejam completamente à vontade para a colocar nos comentários ou enviar-me dm. Terei todo o gosto em ajudar cada um de vocês em tudo o que me for possível.
Como qualquer pessoa, sou humano e, como tal, não sei tudo. Ainda assim, se for esse o caso, estou disponível para ir aprender de modo a ser capaz de vos explicar e partilhar convosco.

Provavelmente editarei este tópico várias vezes à medida que me for lembrando de mais informação. Até lá, espero que vos seja útil!
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2019.09.08 01:08 RepulsivePirate Procuro alguém pra estudar por vídeo-chamada. O foco é o enem.

Olá, pessoal! Estudo sozinha pra o enem desde o começo do ano e agora, nesta reta final para a prova, busco alguém que esteja interessado em estudar comigo através de vídeo-chamadas. Funciona assim: me encontro todos os dias com a pessoa no Google Hangouts às 07:00 da manhã e daí iniciamos a vídeo-chamada. Não nos falamos durante o estudo, mas a vídeo-chamada fica ligada aí para um se motivar com o outro estudando. A cada um hora de estudos, paramos por 10 minutos para realizar um intervalo. O primeiro turno vai até às 13 horas da tarde, quando encerramos a chamada para tirar um intervalo maior ou fazer um almoço. Voltamos novamente no Hangouts às 14 horas e vamos até às 19 horas, fazendo todo aquele esquema de uma pausa de dez minutos a cada uma hora. Essa forma de estudar é inspirado numa prática dos youtubers coreanos que fazem transmissões ao vivo e colocam a webcam mostrando o aluno estudando. Já tive uma experiência com uma moça que durou dois meses, porém ela teve problemas com o computador dela e não conseguirá retomar os estudos ao vivo. Porém, amei a ideia e estou procurando um novo parceiro até o Enem. Eu coloquei aqueles horários ali, mas eles são flexíveis, caso a pessoa ache muito cansativo ou algo assim, podemos conversar. Enfim, aos interessados, sugiro que me procurem inbox!
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2019.07.22 03:17 TYagami Domadores de Almas - Destino, Espiritualidade e Apocalipse

Não acho que o nome tenha te trazido até aqui, mas se você não segue nenhuma religião, mas tem uma crença, e ainda por cima tem contato com espíritos, acho que já podemos começar nossa conversa.
Primeiramente, muito prazer.Eu nem sei o que eu estou fazendo aqui pra começo de conversa porque jamais me imaginei fazendo isso...
Caí aqui no Reddit meio que de paraquedas. No meio de uma conversa com um amigo meu, ele me disse para vir aqui e criar um post contanto minha história porque querendo ou não, tem mais pessoas envolvidas e muitas delas já sabem também que foram escolhidas para um "algo maior". Mas... Ao invés de enrolar mais, vou explicar do começo.

Meu primeiro contato com algum espirito foi aos 3 anos de idade. Eu me lembro de ter visto uma mulher de pele clara, cabelo comprido preto e usava uma roupa branca, parecia uma camisola. Uma criança normal se assustaria, já eu... Por algum motivo eu decidi falar com ela.
- Quem é você? - Perguntei.
- Um alguém. Só um alguém. - Respondeu. - Quer ser meu amigo? Sorriu a moça.
- Tá. - Respondi.
No momento em que eu respondi, ela sumiu e eu apaguei.
Alguns anos se passaram e nunca mais tinha visto aquela moça. Pra mim, aquilo tinha sido apenas um sonho. Engano meu.
Não entrarei em detalhes sobre a moça no momento para não deixar a história muito extensa e principalmente pra mim não perder o foco do post. E antes que perguntem, sim, ela ainda está comigo.
Eu sempre fui uma criança bem extrovertida, de uma imaginação muito fértil e sempre amei desenhar. Então, por conta da criatividade, as coisas que eu via/ouvia/sentia que eu não podia contar pra ninguém, eu decidi começar a escrever uma história: Domadores de Almas. Não, não são pessoas que controlam almas... Na verdade, são espíritos que são mandados para a Terra (o carnal) para encontrar pessoas capazes de receberem certos poderes/habilidades e também para que até esses espíritos ficassem mais fortes, conseguindo liberar até mesmo 100% de seu poder total. O porque desses espíritos terem vindo até nós? Um mal ia nascer a partir dos 7 pecados e esse mal irá destruir os dois lados, por isso eles receberam essa missão.
História legal, né? kk
Só que parecia que algo ou alguém não queria que eu escrevesse essa história porque sempre que eu ia escrever o capitulo 4, algo acontecia. Se fosse no caderno: A folha rasgava por conta da borracha, a ponta do lápis quebrava, a caneta estourava... Se fosse no computador: O word travava, o pc travava e até a força chegava a cair!
Ainda não "acreditou", né? Tá bom.
Com 19 anos me batizei na igreja evangélica. Pois é. Sou evangélico. Mesmo com tudo o que sempre aconteceu na minha vida, decidi seguir a Cristo rs e não me arrependo. A história? Bom, estava parada. Nunca dava pra continuar, então deixei ela de canto. Mentira. Eu pensava que era algum bloqueio meu e tentava de novo, mas ai era desde o começo e com isso as mudanças e alterações vieram, coisas que deixaram a história mais real e um pouco mais pesada também.
Toda pessoa quando cria ou faz algo tem a vontade de mostrar para a família, né? Desde os 12 anos quando eu comecei a escrever essa história eu sempre quis mostrar ela pra minha mãe e pra minha irmã mais velha. Meu pai nunca ligou muito. Sabem o que elas falavam? "Que era do demônio". Gente, como é do demônio se eu nunca li, vi, estudei ou até mesmo procurei sobre algo do tipo? Mesmo vendo e ouvindo coisas, eu tinha medo! Não gostava! Mas não quer dizer que eu procurava. ME DESCULPA SE QUANDO PASSAVA DRAGON BALL Z EU GRITAVA "SATAN, SATAN" NA SALA COM A MÃO PRA CIMA, MAS ACREDITA EM MIM, EU NUNCA PESQUISEI! E MR. SATAN É O NOME DO TIOZINHO ALI!!
Lembram? Me converti, entrei pra igreja e fui conversar com meus pastores sobre o assunto. Resumindo? Apaguei a história e queimei todos os meus desenhos referentes a minha história. Todos que de acordo com o espirito santo tinham que ser queimados/destruídos.
Eu, minha mãe, minha irmã mais velha e meus pastores descemos para uma rua aqui perto de casa que é calma e levamos os desenhos (todos que achamos), uns tapetes e uma mesa de plastico branca que íamos jogar fora. Aproveitamos pra queimar tudo junto. Peguei uma folha, molhei com álcool Zulu na ponta, peguei o esqueiro e acendi. Tava lá, a chama azul, toda bonitinha e o papel ainda branco. Branco. Não queimava. O papel não queimava. Ok, álcool de cozinha é fraco. Vamos na ponta seca. ... ... ... ... É... Acho que o problema não era o Zulu. O papel não quer pegar fogo mesmo. Parti pro tapete. Fui e pensei: "Pelo menos os fiapinhos vão pegar fogo...". Nem os fiapos do tapete pegavam fogo. A chama azul lá parada e nada acontecia. Ninguém tava acreditando. Meus pastores pegaram o carro deles e levaram tudo para o monte onde lá pegou fogo sem exitar.
Quase entrei em depressão depois disso. Eu não desenhava mais. Não escrevia mais. Nunca fui fã de copiar desenhos, sem gostei de criar os meus. Aí, num certo dia eu tive um sonho. Era muito real pra ter sido só um sonho. Eu estava num campo. Um lugar lindo. Um céu limpo com poucas nuvens, uma brisa gostosa. Do meu lado direito tinha uma montanha que por ela descia uma cachoeira e do lado esquerdo era só campo. Na minha frente tinha alguém, mas eu não conseguia ver seu rosto. Era como se o Sol estivesse atrás dele impedindo com que eu visse sua face. Ele usava uma roupa branca com uns detalhes amarelos ou eram dourados. Ele me olhou, esticou a mão em minha direção e disse:
- Vem. Vamos conversar.
Sua voz era calma. Forte, mas passava tranquilidade. Por algum motivo eu não conseguia falar e então ele continuou.
- Sabe... Tem muita coisa que gostaria de falar, mas a principal é... Sabe o porque de não conseguir escrever a história do capitulo 4 em diante? O porque de tudo isso acontecer? - Perguntou e esperou. - Porque do capitulo 4 em diante você envolveria pessoas reais. Seus amigos, os que você colocou como personagem, todos eles passariam pelo mesmo que você passa e poderia ainda acontecer coisa pior por conta da história deles. Compreende agora? - Apenas assenti que sim. - Agora sobre seus desenhos, você pode dar continuar com eles, mas com um porem. Vamos usar o ser humano como exemplo. Um homem comete vários crimes em sua vida, mas num certo ponto ele decide mudar. Ele decide ser diferente. Se arrependeu de tudo o que fez e agora segue uma vida ajudando as pessoas, fazendo a diferença. Entendeu onde eu quis chegar? Mesma pessoa, mas com atitudes diferentes. Seus personagens, ainda pode fazê-los, mas eles não podem voltar a ser quem eram. Tudo bem?
Antes que eu pudesse pensar em responder, fui acordado.
Depois disso voltei a desenhar e comecei uma história nova, mas uma coisa começou a acontecer e eu estava com medo de contar pra alguém e ser taxado de louco. mais ainda
No dia 3 de Fevereiro de 2018, no primeiro final de semana de Carnaval, foi onde "tudo começou".
3 amigos meus estavam comigo aqui em casa. Íamos pro bloquinho tanto no Sabado quanto no Domingo, mas alguma coisa tinha acontecido que não fomos no Sabado e íamos no domingo. Eu então recebi uma mensagem de um amigo meu me chamando para ir na casa dele comer pizza e beber alguma coisa, disse que estava com uns amigos, ele disse que não se importava e fomos todos. Nos dividimos em "2 grupos". Eu, Ele e um amigo meu fomos comprar bebida. A mulher dele, e os meus dois outros amigos ficaram lá com ela. Do nada, no meio da caminhada, entramos no assunto espiritualidade. Assim que chegamos na casa dele, ele me olhou e pediu pra perguntar sobre o que eles estavam conversando e em que parte eles estavam. Quando perguntei, sim, eles estavam na mesma parte que a gente, e foi ai que o assunto "bombou" e ficamos conversando sobre isso o resto da noite. No meio da conversa, ele me olha e diz:
- Tá, vamos lá. A sua moça tá aqui na minha direita dando em cima da minha entidade, né? - Perguntou ele.
- Como você? Como é que você sabe? - Perguntei.
- Ele... Isso não tem graça! - Respondeu minha moça toda sem jeito.
- Agora... - Ele então continuou. - Aquele ali é seu outro, não é? - Perguntou apontando para frente.
- Espera. Ela eu entendo você saber porque as vezes eu não resisto as piadas dela e olho pra ela sem graça, mas ele? Eu nem olhei pra ele e você sabia que ele tava ali? - Perguntei. Eu não estava acreditando.
- Do que ele tá falando? - Perguntou um amigo meu.
- E que moça? - Perguntou uma amiga minha.
Foi nessa noite que meus amigos souberam dos meus amigos. E foi nessa noite que eu descobri também que não eram amigos imaginários e que tudo o que eu tinha vivido, era 100% real.
Contei pra ele dos meus desenhos, da história e de como tudo acabou e ele ficou nervoso. Muito nervoso.
- Porque você fez isso? Apagar sua história e queimar seus desenhos? Pra que? Se tinha algo te atrapalhando era só falar comigo que eu eliminava esse ser.
- Então... Eu não fiz porque 1°: Pensei que fosse Disney minha e 2°: Não sabia de você e muito menos de mim.
- Tá, mas de verdade? Eu tenho certeza que você foi destinado a escrever essa história e sabe o que eu acho? Que depois que você apagou a história, você tá vendo todas as cenas acontecendo de verdade na sua frente. Do mesmo jeito que você tá me vendo agora, você vê as cenas. Tô mentindo? - Sorriu ele.
Ali meu mundo caiu. Lembram ali em cima quando disse que algo começou a acontecer depois que eu parei com a história? Então. Foi isso. E eu não tinha contado isso pra ninguém. E eu não conversava com esse meu amigo mais.
Depois dessa noite muita coisa na minha vida mudou. Eu precisei incorporar meus dois amigos porque esse meu outro amigo queria conhecê-los porque precisava saber se iam me fazer mal ou não. Ele queria falar com eles e esse teria sido o único meio ali já que eu já tinha dado abertura para os dois. Depois disso, além de ganhar alguns "dons" acabei ficando sem asma e meu problema de coluna.
2 meses depois enquanto voltava para o escritório depois do almoço, tem um galho abaixado, muito caído no meu caminho e uma das suas folhas ia me acertar se eu empurrasse ela ou me abaixasse. Eu bati na folha e com isso o galho levantou, mas voltou depois pro lugar que tava. De repente...
-Ai... - Ouvi uma voz infantil vindo de trás de mim.
- Acho que batemos em alguém. - Respondeu um dos meus amigos.
Quando eu olho para trás, atrás daquela folha tinha alguma coisa. Eu parei, olhei, vi duas mãozinhas segurando a folha, ele estava escondido.
- Cês tão vendo isso também? - Perguntei e eles disseram que sim.
Fui devagar até a folha e quando estava chegando, vi uma cabecinha me olhando e assim que percebe que eu a percebi ela volta pra trás da folha.
- Tem alguém ai...? - Perguntei.
- Por favor não me bate de novo, eu não fiz nada, eu só tava aqui na minha folhinha.
- Calma, eu não vou te bater e me desculpa, foi sem querer. Eu não sabia que você estava aqui.
- Ah, tudo bem então. Sua energia é boa. - Sorriu ele saindo de trás da folha. - Só a do seu amigo aí que me assusta. A energia dele é pesada. Me dá medo.
- QUE COISINHA FOFA! - Ouvi minha amiga gritando saindo de dentro de mim e indo pra cima dele apertando suas bochechas.
Vou cortar o dialogo...
Depois de conversarmos um pouco, acabei chegando na história. A reação dele não foi uma das melhores...
- O QUÊ? VOCÊ É UM DOS ESCOLHIDOS? - Gritou o pequeno. tem 19 centímetros ele.
- Escolhidos? Do que?
- Do Apocalipse. Um dos que vão ficar aqui pra batalha.
- Isso é real? Porque assim... Quando eu era pequeno que eu tinha lido apocalipse e pedia nas minhas orações pra estar na Terra ao lado de Deus e tudo mais, eu não esperava que fosse real ou que fosse dar certo.
- Não importa como foi! Eu quero ficar com você. Vou te proteger. Você me aceitando como parceiro ou não, vou te proteger. Passei muito tempo nessa arvore esperando um motivo pra sair dela e finalmente achei. Vou com vocês.
Só que... Parece que alguém mais ouviu nossa conversa...
No dia seguinte eu acordei com um grito de uma criança de madrugada.
- O que aconteceu? - Perguntei. Eu sabia que não era um sonho, porque quando sou acordado por eles é diferente.
- Nossa conversa ontem... Ouviram.
- Como assim "ouviram", pirralho. Desembucha. - Disse meu amigo rosnando.
- Calma. Me explica isso melhor.
- Eu não sei o que aconteceu, mas deveria ter alguém seguindo vocês já e agora o mundo inteiro já tá sabendo de você e que "você tá montando um exercito pro apocalipse".
- Exercito? Eu só queria escrever uma história...
- Desculpa, a culpa foi minha da gente ter conversado na rua e eu nem lembrei de fazer uma barreira também.
- Agora já foi. - Rosnou meu amigo.
No dia seguinte, no meu grupo do WhatsApp grupo do tinder rs. Entrou um rapaz do DDD 81 que depois que viu minha apresentação no grupo me chamou no privado e depois simplesmente saiu do grupo. Conversei com ele e tudo mais e depois perguntei o motivo dele ter saído.
- Já te encontrei. Não preciso de mais nada no grupo. - Respondeu o rapaz.
- Eu tô falando pra você que esse viado é do babado, mas você não me escuta... - Disse minha amiga.
- Own, que fofo. - Respondi.
- Fica tranquilo que daqui, que mesmo longe eu vou estar te protegendo. - Continuou.
- Aaaah, se eu ganhasse 1 macho a cada palpite certo meu... - Debochou minha amiga.
- Posso fazer uma pergunta? Qual sua religião? - Perguntei.
- Não tenho uma religião. Acredito em Deus, mas também acredito em outras coisas.
Quando ele disse isso... Alem de confirmar que minha amiga estava certa, também comprovou que era alguém "como eu", que tem amizades assim com espíritos e tudo mais. A gente continuou conversando, ele acabou conversando com ela, mas por um mal entendido, ele sumiu. Ela disse pra ele que "Tinha que passar por ela e pelo meu outro amiguinho pra me ter"... Foi triste. Mas seguimos. Mas não acabou por aqui. Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Portugal... Gente de vários lugares por algum motivo conseguiam meu numero, não sei como, a gente conversava e dava no mesmo. Não a parte da minha amiga falando aquilo, mas era todo mundo do "meio".
No meio do ano, em Junho de 2018 se não me engano recebi uma ameaça aqui em casa. Cercaram a minha casa e me mandaram um "aviso"
- Pode avisar para todos esses seus amigos "Domadores" que o "exercito" de vocês não chega aos pés do nosso.
Ele tinha entrado aqui em casa com outras entidades, ameaçaram de destruir meus amigos e me mandou mandar esse recado para os meus amigos que estavam nesse grupo do WhatsApp sobre o assunto.
Depois disso fomos atrás de ajuda. Eu nem sabia que dava pra atacar alguém espiritualmente, ou melhor, eu nem acreditava que pelo espiritual poderiam ser feitas tantas coisas... Eu era recém-nascido no assunto praticamente. Não tive treinamento nenhum.
Uma amiga então me disse que tinha um grupo perto da casa dela que eram do meio. Pedi para ela falar com eles dizendo que precisávamos de ajuda e fui ao encontro deles. A diferença entre nós dois? Meu grupo e o deles? O que nós conhecemos por "Apocalipse" eles conhecem por "Ragnarok". Eles estavam dispostos a nos ajudar e chegaram até a nos propor uma "aliança" entre nosso grupo e a alcateia deles, mas... Sabem minha "amiga"? Não sei se é ela que tem as visões ou se graças a ela eu consigo ter elas, mas vimos que parte deles estariam no outro time e... Eu me apego fácil as pessoas.
- Sabe que se a visão for real, alguns deles morreram pelas nossas mãos, não é? Melhor nos afastarmos sem nenhuma inimizade pra caso venhamos a nos encontrar na rua do que algo pior venha a acontecer. Sei que vai doer mais em você do que em mim. Ou melhor, em nós. - Disse meu amigo. o que rosna
Eu concordei. Ele estava certo.
Depois disso, um amigo meu que é do "meu grupo" me disse:
- Cara, porque não vai no Reddit, cria um post contando tudo e vê se consegue encontrar mais pessoas? Tá, é uma faca de dois gumes porque pode ser que apareçam pessoas querendo nos ajudar, mas também podem aparecer pessoas que vão querer nos matar a qualquer custo! O que nós, não só nós sabemos, mas todos sabem... O tempo está próximo mesmo. Não acho que essas coisas aconteceriam a toa. Acho que custa tentar. - Disse esse meu amigo.
- O que vocês acham? - Perguntei para os meus amigos.
- Não podemos sujar nossas mãos de sangue agora, mas se tentarem machucar você, não exitarei em incorporar para te proteger. - Rosnou meu amigo.
- E se forem para nos ajudar, os ajudaremos também! Com tudo o que pudermos. Se for um boy gato eu ajudo mais ainda hihi - Brincou minha amiga.
- Antes disso eu tenho que voltar a escrever a história. Só ai vou confirmar mesmo que eu aceito meu destino. - Disse.
- Infelizmente nós dois já aceitamos o nosso. - Sorriu minha amiga dando um tapa no braço do meu outro amigo.
- Domadores até o fim?
- Uma vez domadores, sempre domadores. Não importa o que aconteça. - Sorriram.
Depois que decidi que ia fazer a história e seguir com isso, tive outro sonho, naquele mesmo lugar, com aquele mesmo homem. Dessa vez eu estava em pé.
- Tem certeza de que vai seguir em frente com isso? - Perguntou ele.
- Sim. Tenho. Se eu fui destinado a escrever essa história, a estar mesmo nessa luta, mesmo que eu vá ficar com muito medo quando chegar a hora, eu vou em frente. Sem falar que... E se essa história tiver informações que possam ajudar algumas pessoas ou avisá-las sobre o que está por vir. Se acontecer algo com elas e eu não tiver avisado, vai doer bem mais em mim do que nelas, porque eu tinha a informação, mas quis guardar elas pra poupar umas 10, então... Não compensa.
- Então está certo. Que assim seja.
E ai acordei.


E é por isso eu tô aqui. Não sei se vai aparecer o horário no post com a data tudo certinho, mas agora são 22:20 de um Domingo, dia 21/07/2019 e tá dando pra sentir uma pressão muito forte vindo do lado de fora da minha casa. Eu não ia escrever esse post hoje, nem sei até quando eu ia continuar enrolando pra escrever isso, mas... Por algum motivo... Peguei meu celular pra jogar Grand Chase e o Reddit abriu. Se eu entendi? Não entendi. E como eu sei que a vida dá dessas, então eu pensei: Porque não? Deve ser a hora.
Ps: Não adianta me chamar de louco, sei que sou. kk
Ps 2: Não vou revesar o post como eu sempre faço com qualquer texto meu que eu reviso sempre umas 3 vezes. Então, escrevi, postei. kk
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2019.07.10 19:11 vipzen A música Eduardo e Monica da banda Legião Urbana esconderia uma implicância com o sexo masculino?

O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso. Como no caso da música Eduardo e Mônica, do álbum Dois da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente, enquanto a feminina (Mônica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. Analisemos o que diz a letra.
Logo na segunda estrofe, o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente (Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram) ao mesmo tempo que tenta dar uma imagem forte e charmosa à Mônica (enquanto Mônica tomava um conhaque noutro canto da cidade como eles disseram). Ora, se esta cena tiver se passado de manhã como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Mônica revelaria-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.
Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura (Festa estranha, com gente esquisita). Bom, Festa estranha significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. Gente esquisita é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa. Também são as garotas mais horrorosas da via-láctea. Enfim, esta era a tal festa legal em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como veremos a seguir.
Assim temos (- Eu não estou legal. Não agüento mais birita). Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios. Bem ao contrário de Mônica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.
Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram (E a Mônica riu e quis saber um pouco mais Sobre o boyzinho que tentava impressionar). Vamos por partes: em E a Mônica riu nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Mônica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente! Mais à frente, é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se quis saber um pouco mais leia-se quis dar para! É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Mônica.
A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo boyzinho que tentava impressionar! É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como boyzinho. Não é verdade. Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Mônica de bicicleta, como consta na quarta estrofe (Se encontraram então no parque da cidade A Mônica de moto e o Eduardo de camelo). Se alguém aí age como boy, esta seria Mônica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Mônica.
E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos na frente de todo mundo, valeu?
Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Mônica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo (O Eduardo sugeriu uma lanchonete Mas a Mônica queria ver filme do Godard). Atitude esta, nada democrática para quem se julga uma liberal.
Na verdade, Mônica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e o que é bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.
Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Mônica (O Eduardo achou estranho e melhor não comentar. Mas a menina tinha tinta no cabelo). Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. Ainda há pouco vimos Mônica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disto, se Mônica pinta o cabelo é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril. Ou então porque é uma baranga escrota.
O autor insiste em retratar Mônica como uma gênia sem par. (Ela fazia Medicina e falava alemão) e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para Medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo"! Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor, respectivamente.
Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois (Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud). Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.A., muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. Por exemplo, é tamanha uma pretensa intimidade com o poeta Manuel de Souza Carneiro Bandeira Filho, que usou-se a expressão "do Bandeira". Francamente, "Bandeira" é aquele juiz que fica apitando impedimento na lateral do campo. O sujeito mais normal dessa moçada aí cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba aí que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio!
Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo (E o Eduardo gostava de novela) e crianção (E jogava futebol de botão com seu avô). A bem da verdade, Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não. Preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões! É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, o homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.
Continuando, temos (Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação). Falava merda, isso sim! Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por que? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo! É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Mônica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto (E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão). O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse "bar da esquina - terreiro de macumba - sauna gay - delegacia"?? E qual é o problema de se ir a escola, caralho?!?
Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Mônica (Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar). Por ordem: 1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto. 2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo. 3) Quer saber? Teatro e artesanato é coisa de viado!!!
Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra (A Mônica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar). Mais uma vez, aquela lengalenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Mônica trabalha na previsão do tempo? Não. Mônica é geóloga? Não. Mônica é professora de química? Não. A porra da Mônica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada pode ensinar sobre céu, terra, água e ar que uma muriçoca não saiba?
Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo caô mais furado do mundo. Santa inocência... Ainda em (Ele aprendeu a beber), não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... é claro, com a campeã do alambique! Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis, como o código morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Mônica! Grande contribuição!
Depois, temos (deixou o cabelo crescer). Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Mônica na cabeça do iludido Eduardo.
Sempre à frente em tudo, Mônica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade (E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular). Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Mônica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.
Outra prova da parcialidade do autor está em (porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação). É interessante notar que é o filho do Eduardo e não de Mônica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta.
O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. É sabido que em todas culturas e povos existentes o homem sempre oprimiu a mulher. Porém, isso não significa, em hipótese alguma, que estas sejam melhores que os homens. São apenas diferentes. Se desde o começo dos tempos o sexo feminino fosse o dominador e o masculino o subjugado, os mesmos erros teriam sido cometidos de uma maneira ou de outra. Por que? Ora, porque tanto homens quanto mulheres e colunistas sociais fazem parte da famigerada raça humana. E é aí que sempre morou o perigo. Não importa que seja Eduardo, Mônica ou até... Renato!
Adolar Gangorra tem 71 anos, é editor do periódico humorístico Os Reis da Gambiarra e não perde um show sequer dos "The Fevers".
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2019.06.12 18:25 KoboldLanceiro Leitura crítica do conto "Paredes"

Paredes

As trilhas que se aventuravam pela Floresta de Lövren eram ímpares.
Os grandes pinheiros eram muralhas que protegiam os viajantes da incerteza da natureza além das trilhas.
Há pouco havia amanhecido. O sol iluminava o topo das árvores pela primeira vez no dia, a manhã estava fria, as folhas úmidas flutuavam no vento e o corpo de Frederick protestava contra a decisão de se levantar da cama tão cedo.
A viagem até o grande lago era longa. Se saísse cedo pela manhã era possível alcançar a margem das águas escuras pela noite. Frederick alimentou os dois cavalos que puxariam sua carroça pela trilha. Tinha organizado os suprimentos na noite anterior já que o nervosismo tinha lhe tirado o sono. Tomou sua xícara de café com calma enquanto olhava pela janela da cozinha. A pouca neve que havia caído era um bonito contraste com o verde da mata e o azul do céu.
Ele podia ver a fronteira da Floresta no horizonte à frente da sua janela. Sua respiração quente criava vapor com o vento frio e o café esquentava a palma de suas mãos e seu corpo. Frederick se sentia confiante sobre a viagem que viria. Ele havia se decidido sobre a viagem há algumas semanas e o cansaço não seria nada quando chegasse ao seu destino. Diziam que o lago à noite era único e em todas as vezes que contava para sua esposa sobre seus planos, Frederick deixava claro o quanto queria ver com seus próprios olhos tudo que as águas guardavam.
Assim que terminou seu café caminhou em direção ao quarto do seu filho. Frederick reparava e reprovava as paredes da casa. O branco desbotado não criava a sensação de lar que ele sempre imaginou. Gostaria que seu filho crescesse em uma casa mais aconchegante e estava tentando juntar dinheiro para isso. Ele tinha as cores perfeitas para o ambiente já decididas e não via a hora de poder pintar as paredes sem vida. Quando entrou no quarto do pequeno Matias o bebê tinha acabado de acordar e ameaçava chorar. Frederick pegou seu filho no colo, deu um beijo em sua testa e o levou até o quarto de Martha.
O homem parou alguns minutos na porta enquanto admirava sua esposa. Martha havia dado à luz a Matias há pouco menos de um mês e ainda sentia as dores do parto. Pouco tempo depois do nascimento do seu filho ela adoeceu e Frederick cuidava de tudo enquanto Martha repousava. O homem foi até sua esposa e a acordou gentilmente. Os dois conversaram por alguns minutos e se despediram. Martha já sabia da pequena viagem de Frederick e estava animada pelo marido. Ele andava falando disso já havia algum tempo e finalmente arranjou tempo para ir. Martha queria acompanhar Frederick, é claro, mas sabia que os dois teriam outras oportunidades. Ela precisava se sentir melhor para poder passar mais tempo com o pequeno Matias.
Enquanto os dois conversavam Martha brincava com seu filho. As dores que ela sentia a impediam de se movimentar muito e depois de algum tempo Frederick colocou o bebê de volta em seus braços.
Frederick tentou desajeitadamente colocar mais um cobertor em cima de Martha com uma mão enquanto equilibrava Matias no outro braço, a deu um beijo de despedida e deixou que sua esposa dormisse mais. Foi até a carroça no pequeno curral e a organizou com os grandes cobertores de pele, fazendo um pequeno abrigo. Fez carinho nos dois cavalos que o puxariam pela trilha, se agasalhou e montou na carroça. A madeira rangeu e ameaçou se partir quando o veículo começou a se mover. Frederick havia herdado a carroça de seu falecido pai, e mesmo a madeira estando velha e quebradiça, ele nunca pensou em trocá-la. A carroça não parecia feliz com a viagem.
Enquanto a carroça se aproximava da Floresta, o vento e os pássaros enchiam o ambiente. O ar frio era leve e transmitia calma a Frederick, mas assim que atravessou a fronteira dos grandes pinheiros, a atmosfera mudou completamente. De repente só se ouvia o barulho da carroça e da respiração dos cavalos. Frederick sabia que muitos animais viviam naquele local, mas não conseguia ver nenhum sinal deles. O silêncio da Floresta era absoluto até o momento em que sua carroça rompeu a barreira dos pinheiros. Agora o viajante se sentia ofendendo aquele novo mundo à sua volta.
O vento frio que que ia de encontro com seu corpo não fazia com que os galhos se mexessem. Tudo dentro da Floresta era estático. A mata parecia presa no tempo, e Frederick não tinha ideia do quão perigoso isso podia ser. Os cavalos pareciam nervosos e caminhavam com hesitação. As rédeas eram estaladas para lembrar aos animais que eles tinham um trabalho a fazer, que em resposta cumpriam seu dever com má vontade. Os imensos pinheiros iam até o céu enquanto se entortavam a tentavam tampar o céu.
A maior parte da manhã passou sem surpresa. Frederick pareceu se acostumar com a sensação que a Floresta transmitia, mas isso não a fez mais agradável. Não era a primeira vez que ele havia entrado no território, é claro, mas a novidade era se aventurar tão fundo nas trilhas. Algumas horas antes da pausa que faria para o almoço, a trilha foi obstruída pela silhueta de um animal metros à frente. Os cavalos pararam ainda distantes e Frederick resolveu investigar já que sua condução se recusava a caminhar.
Foi se aproximando lentamente com seu rifle em mãos. Sentia suas pernas tremerem e preferiu pensar que era só por conta do frio que sentia. Ao chegar mais perto percebeu que um lobo cinza jazia jogado na estrada. Frederick congelou quando percebeu o lobo, mas se aliviou quando notou que animal estava morto. Uma grande ferida abria seu corpo do alto da garganta até o início da cauda. O lobo estava praticamente dividido em dois. Frederick averiguou que os órgãos do animal estavam espalhados por todos os lados e que os olhos haviam sido arrancados.
Tudo indicava que aquilo tinha acontecido há poucos minutos. O sangue do lobo ainda se espalhava pelo chão e os órgãos eram movidos por espasmos. Frederick conseguia ouvir a respiração fraca de um animal que morreria a qualquer momento. O homem aguardou impacientemente que o lobo morresse de uma vez. Queria acabar com as dores do animal, mas se sentiu incapaz. Algo sobre como o animal foi atacado deixava Frederick incerto. Tinha medo de que o culpado ainda estivesse por perto, sendo um outro animal ou não, e se sentia observado.
Frederick tentava racionalizar em como não havia conseguido ouvir o animal ser atacado. Não notou nenhum rastro por perto. Frederick tinha muitas dúvidas e nenhuma resposta. Preferiu agarrar-se à ignorância do que descobrir as respostas que não gostaria de saber.
Quando Frederick deixou de ouvir a respiração do lobo, após alguns cruéis minutos, decidiu arrastá-lo para fora do caminho. Puxando o animal pelas patas dianteiras o colocou entre os pinheiros ao lado da trilha. Frederick sentia que algo puxava o lobo para o lado contrário. O cheiro de sangue começava a causar ânsia em Frederick enquanto ele pensava ter visto mãos velhas e cadavéricas puxando o animal para o chão e ele rapidamente, sem concluir sua ideia, voltou à carroça. Acelerou o passo dos cavalos e deixou para trás o cadáver. Percebeu que suas mãos estavam sujas de sangue pela primeira vez e tentou, em vão e com nervosismo, limpá-las no casaco.
Era hora do almoço quando Frederick fez sua primeira pausa na viagem. Numa pequena clareira o homem montou uma pequena fogueira e colocou sob o fogo sua panela portátil. Desceu à direita da trilha para o rio que cortava a Floresta para lavar suas mãos enquanto a panela esquentava o ensopado que ele havia preparado na noite anterior.
Colocando as mãos no rio viu o vermelho que pintava suas mãos ser levado correnteza abaixo. Se perdeu em como à medida que o sangue ia saindo suas palmas voltavam à sua cor desbotada.
A água gelada puniu as mãos de Frederick depois de ficar imersa alguns segundos a mais que o ideal. Quando o homem acabou e se levantou novamente, sentiu como se o mundo rodasse e ouviu um barulho vindo da outra margem do rio. Frederick estava tonto e tentava encarar as árvores enquanto sua visão se distorcia. A outra margem parecia se distanciar cada vez mais e os pinheiros se afastavam e abriam um caminho que ia se retorcendo e escurecendo. Tudo a sua volta parecia se derreter e ser levado pelo rio enquanto ele tentava se manter em pé. No meio dessa trilha Frederick viu uma pessoa. Foi difícil entender o que ele estava vendo mas percebeu uma silhueta feminina. A figura com braços sujos das mãos até os cotovelos encarou o homem, que perdeu noção do tempo que ia se passando.
Frederick viu que a mulher dizia algo, mas ele não conseguia ouvir. Frederick quis chegar mais perto, mas o rio agora parecia ameaçador. As águas estavam completamente negras e a correnteza forte ameaçava leva-lo para o fundo.
Em um clique enquanto Frederick piscou os olhos tudo voltou ao normal. Ele se sentia um pouco tonto e sentiu seu estômago se revoltar por conta da fome. Caminho de volta até seu pequeno acampamento enquanto colocava suas mãos no bolso para poupá-las de sentir mais frio. Já não havia sangue em suas mãos, mas Frederick não sentia que elas estavam mais limpas que antes.
Preparou duas refeições de ensopado de coelho com alguns legumes e pedaços de pão velho. Não se apressou em almoçar e curtiu cada colherada que colocava na boca. Sentir a comida quente aquecer seu corpo quase conseguia tirar sua mente de tudo que havia visto durante sua viagem. Quando finalmente guardou o que usou no almoço e se ajeitou novamente para seguir viagem, sentia-se motivado a chegar até o lago.
A viagem durante a tarde pareceu render muito mais que o normal. Frederick só reparou quantas horas tinham se passado quando precisou acender um lampião para iluminar seu caminho. Já estava muito fundo na Floresta e dessa vez nem o barulho da carroça parecia fazer diferença. O silêncio era tudo. As vezes a tonteira ia e vinha, mas depois de algum tempo ele se acostumou com a sensação incômoda. Sua mente vagava entre as lembranças da mulher entre as árvores e do lobo na trilha. Lembrou-se de casa e de Martha e se perdeu na visão do lobo e em suas mãos sujas. Mas mesmo assim seguia em frente. Depois de várias horas de viagem desde seu almoço, a luz dos dois lampiões dianteiros finalmente iluminou o início de uma grande clareira. Frederick tinha chegado ao seu destino.
O lago era lindo à luz da lua. Os altos pinheiros e os vagalumes que flutuavam no ar davam a impressão de que Frederick havia encontrado um oásis. O centro do lago era coberto por uma densa neblina que aos poucos avançava até à margem. Frederick desceu da carroça com a barriga fria com o nervosismo. Suava frio e suas mãos tremiam. O homem retirou o rifle das costas e o repousou no banco da carroça.
Lentamente se aproximou das margens do rio e colocou seus pés dentro da água. Caminhou até que a água alcançasse seus joelhos e se viu dentro da neblina. Sentiu-se ameaçado quando ouviu movimento na água à sua frente e observou a neblina abrir caminho para uma mulher que vestia preto e um colar com uma pedra verde que parecia pulsar. Sua pele era de um tom acinzentado e seu cabelo era curto e despenteado. Os olhos da mulher eram negros como o céu da noite e seu sorriso tinha algo que incomodava. Ele parecia ser grande demais ou que estava um pouco distorcido no rosto da pessoa a sua frente. O homem não conseguia entender o que causava tanta inquietação sobre o sorriso.
Mas independentemente do que estava o incomodando Frederick finalmente encontrou a mulher que procurando há muito tempo. Ele estava diante da Bruxa. A viagem não havia sido em vão.
A Bruxa pegou a mão de Frederick e a beijou lentamente. O homem sentiu que iria desmaiar. Ele olhava nos olhos da mulher e se sentia jogado no vazio. Aquilo vinha perturbando seus sonhos desde que se mudou para a fazenda com sua esposa. Ele estava feliz de finalmente tê-la encontrado. Mas não sabia se aquilo era a coisa certa a se fazer.
A Bruxa sussurrou coisas no ouvido de Frederick e o homem ouviu atenciosamente. Enquanto ela falava ele fechou os olhos e respondiam às perguntas acenando com a cabeça. Perdeu a noção de quanto tempo havia ficado dentro do lago, mas quando a mulher soltou sua mão e ele abriu seus olhos novamente, por um momento viu o que a Bruxa era de verdade. Frederick ficou maravilhado com o que via enquanto todo o seu corpo lutava em vão para sair dali. O homem se perdeu no labirinto da insanidade que ele mesmo havia construído em sua mente. Sua obsessão pela Bruxa tinha o levado até aquele momento.
Sorriu para si mesmo aliviado e sua tímida risada desconstruiu o perfeito silêncio daquela noite.
Saiu do lago e foi em direção à carroça. Sabia que não havia acabado. Subiu na parte de trás da carroça e correu suas mãos pelos vários cobertos de peles. Quando colocou seu filho Matias em seus braços pela primeira vez desde o almoço, o bebê chorou e protestou contra o vento frio que tocava seu rosto. Frederick foi caminhando em direção ao lago enquanto ninava seu filho. Na margem a Bruxa esperava ansiosamente pelos dois. O pai deu um beijo na testa do filho e o entregou para a mulher do lago. Os dois se olharam e a Bruxa sorriu para Frederick. O homem se sentiu orgulhoso, respeitado e amado.
Enquanto nos braços da Bruxa as roupas brancas de Matias eram manchadas pelo vermelho viscoso que sujava os braços da mulher.
Admirou enquanto a mulher desenhava símbolos na testa do bebê, que a observava atentamente em resposta. Quando os dois desapareceram na neblina, Frederick subiu na carroça novamente e começou a viagem de volta para sua casa.
Suas mãos estavam novamente sujas. Mas dessa vez, o sangue em sua pele não o incomodava mais.
Frederick não sabia como havia voltado para casa, nem quando tempo havia levado. Quando voltou a si sua carroça estava deixando os grandes pinheiros e ele via sua fazenda com as luzes acessas. Enquanto Frederick estava fora, Martha tinha se levantado e percebido que Matias não estava mais em casa. A mulher se desesperou em pensar que o marido havia levado seu filho recém-nascido para viajar na Floresta no início do inverno. Martha tentou ao máximo ficar acordada até que Frederick voltasse, mas os remédios e o cansaço físico venceram. Ela só conseguiu rezar e esperar.
Frederick entrou em casa com sua pequena mochila e o rifle em suas costas. Na sala de estar encarou as paredes e sentiu raiva. Ele nunca gostou da cor e sabia que tudo tinha sido ideia de Martha. Sentiu um ódio incontrolável e no corredor que levava para o quarto viu a Bruxa o convidando para entrar.
Frederick se armou de seu rifle e caminho até o quarto.
Não se importou com os gritos de Martha, porque finalmente ele iria pintar as paredes com a cor que sempre quis.
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2019.06.03 00:33 lurker_at_work Desde que parei o homeoffice e voltei para o trabalho no escritório, perdi a vontade de fazer parte dessa empresa

Logo no meu primeiro dia de trabalho local encontro uma camisinha na minha mesa e um desenho de um pênis. A desculpa foi que não sabiam do meu retorno e não tiveram tempo de arrumar meu espaço. No almoço o assunto é se o nome da mulher quer dizer que ela tem "boceta ou vagina". Parece que eu trabalho na quinta série, não em uma empresa.
Meus colegas de trabalho são um monte de homens casados que reclamam do casamento, da esposa, do fato de terem filhos. Se divertem dizendo que o outro é "veado". Pra qualquer coisa a resposta é "sua irmã". Semana passada um deles estava se sentindo muito orgulhoso por ter stalkeado uma médica. Pra todo mundo ele dizia: "olha a médica que atendeu minha mãe", mostrando o perfil e fotos dela em alguma rede social. Isso durou a semana toda. O assunto é mulher o tempo todo. Em alguns almoços chega a ser vergonhoso a forma como eles ficam olhando para qualquer mulher bonita e comentando em voz alta sobre ela.
Desde que entrei nessa empresa eu percebi esse comportamento, mas em um nível tolerável. As coisas foram piorando conforme os meses passavam. Fiquei de home office durante dois meses por motivos médicos e quando volto encontro um lugar ainda pior. Já não tenho vontade de trabalhar lá. O salário é ok mas hoje é a única coisa me mantendo ali. Ambiente ruim, colegas de trabalho desagradáveis, um projeto ruim atrás do outro.
Não adianta reclamar com o chefe. Já ouvi baixarias da boca dele também durante os almoços.
Preciso achar logo outro emprego e sair desse lugar.
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2019.04.03 06:28 darkalemanbr Ex-Naruteiro recuperado

Sempre fui apegado à Deus, ia aos cultos todos os dias, não perdia um encontro de jovens, estava sempre em sintonia com Ele, nosso Senhor Jesus Cristo. Chegava da escola na hora do almoço e ligava o meu televisor, sem saber que fazendo isso, deixava uma brecha para o demônio adentrar meu lar. Um simples desenho animado se tornou o meu maior tormento.
Começou por acaso, liguei no SBT e estava passando um desenho muito colorido, feito pra atrair os jovens e levianos. Em pouco tempo não só me viciei no anime mas também passei a baixar todos os episódios pela internet. Estes desenhos são feitos por japoneses não-cristãos. Lançam mais de 500 capítulos para prender as crianças na frente do televisor e ganhar suas almas. São conhecidos como fillers no meio.
Nesta época perdi o interesse em ir à Igreja e me envolvi com uma galera da pesada, os otakus. Meu vocabulário se resumia à palavras japonesas, como ‘kwai’, ‘tadaimas’ e outras idiotices. No início meu pai ficou feliz, pois achou que eu estava falando línguas (O dialeto do Espírito Santo). Ele só foi perceber que eu havia me distanciado no dia de um evento de anime, o AnimeGO. Meus amigos me convidaram e disseram que tinha que fazer ‘cosplay’, se vestir como os personagens dos desenhos. Ia saindo vestido de Sasuke, e ao passar por meu pai, ele ficou perplexo. De início ele não entendeu, pensou que eu havia me tornado homossexual, mas não, havia me tornado uma coisa muito pior, um otaku.
"- O que significa isso meu filho? Você não vai sair com estas roupas de mulher."
Quando escutei isso senti raiva, e achei meu pai um ignorante, e até pensei em escrever seu nome na minha Death Note, contrariando o quinto mandamento. Saí de casa mesmo assim.
Ao chegar no evento nossa galera se deparou com uma turma rival, os caras do Bleach. Logo na entrada, talvez sob efeito de drogas, começaram as provocações. Ficamos calmos, mas quando disseram que Bleach era melhor que Naruto perdemos a cabeça e partimos pra cima deles. Pra nosso azar o Ichigo tinha um facão de verdade, uma zangetsu da tramontina muito bem amolada. Esse Ichigo, gritando Bankai, desferiu vários golpes em mim e nos meus colegas. O evento virou um banho de sangue, tive um corte no braço e meu amigo Olemário teve um dedo decepado.
A polícia foi acionada e os que estavam em condição sairam correndo, outros ficaram no chão, cheguei em casa todo cortado, meus pais ao verem aquilo choraram muito e oraram pra que o diabo saísse do meu corpo. Mas eu só queria mais e mais, comecei a baixar mais animes e a ler mangás, que são lidos de trás pra frente, simbolizando o retrocesso da alma.
Perdi totalmente os valores cristãos, até cogitei me mudar para o Japão. Passava horas na internet vendo pornografia japonesa, os hentai e jogando jogos de estupro, ‘Rapelay’.
Um dia saí de casa pra jogar Magic e fumar maconha com os amigos. Coloquei a minha bandana kunai na cabeça e fui pegar o ônibus para o cemitério municipal, onde organizavamos os rounds.
Cheguei lá e começamos a jogatina. Magic é como um truco do diabo, são usadas cartas com temáticas umbandistas, e símbolos pagãos. O Olemário jogou uma carta muito forte, cheia de mana. Aí tive que usar meu trunfo, o Scion of Darkness. Quando joguei a carta na tumba ela estremeceu, senti um vento frio que me gelou a espinha. Nós tinhamos evocado uma entidade de umbanda sem saber. Olhei pra trás e vi um sujeito de terno branco, camisa listrada, chapéu panamá social branco, sapato mocacin branco e cordão de ouro. Era ele mesmo, o Zé Pelintra.
Como eu era ligado em anime e magic, conhecia todos as entidades do umbanda de cor. Meus amigos não se assustaram, mas eu sim. Corri e pulei o muro do cemitério, cheguei em casa e acordei meu pai, contei tudo que sabia. Ele, um obreiro conceituado, orou muito por mim. Nesse dia aceitei Jesus novamente.
Meus dois amigos que estavam comigo no cemitério estão perdidos na vida, um se envolveu com o tráfico de drogas. E o outro pelo que soube ingressou num grupo de samba e faz uso extenso de cachaça.
Espero que este meu testemunho sirva de relato para todos aqueles que foram iludidos e seduzidos por estas obras do diabo.
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2019.03.06 00:42 Tinyze Necessidade de mudança e agonia frente à incapacidade

Eu não sei direito o motivo pelo qual resolvi escrever esse novo testamento. Acredito que seja para tentar diminuir um pouco a aflição que estou sentido no coração, e quem sabe, ler alguma coisa que me ajude a nortear meus pensamentos.
Felizmente estou conseguindo sair de um período um pouco difícil para mim. Com ajuda profissional, estou mais estável psicologicamente e buscando trabalhar pontos que podem ser melhorados. Com essa fase de mudança, antigos vislumbres de morar em outra cidade estão se tornando mais frequentes, e a necessidade em mudar de vida de forma radical, cada vez mais necessária.
Tenho 23 anos, sou formado em Engenharia de Produção, trabalho na área há dois anos, e estou na reta final de um MBA. Apesar de nunca esperar muito de mim, fui fazendo as coisas conforme foram aparecendo, e com muita sorte (principalmente em relação a bolsa de estudos e estágio, onde agora trabalho) me encontro na situação atual. Sou filho único e moro com meus pais em uma cidade do interior com cerca de 10 mil habitantes e trabalho em outra com 40 mil.
Com o passar do tempo, as coisas passaram a ficar um pouco “sufocantes” aqui. Sendo um homem nerd e gay (assumido oficialmente apenas para os pais e alguns amigos), não vejo esse lugar como o mais saudável socialmente. Até então nunca tive grandes problemas, pois tive dois ou três amigos apenas, e me acostumei com isso. Porém minha mentalidade mudou, e agora a necessidade em conhecer gente nova e diferente vem crescendo muito.
O trabalho que realizo também está me forçando em pensar em outras alternativas. Meu salário é o mesmo de quando fui efetivado (muito pouco inclusive). As quantidades de coisas para fazer só aumentam. Já pedi para que meu salário fosse revisto, mas só ficou no campo das promessas. As vezes fico quase 12 horas trabalhando. Desenvolvi uma gastrite por conta do estresse. Ontem um dos diretores foi reclamar no RH pelo fato de eu estar estudando no horário de almoço em uma sala onde meu primo trabalha (eu fico o dia todo dentro da indústria e logicamente não tem como estudar lá). Enfim, não consigo me imaginar trabalhando lá por muito mais tempo.
O psicólogo com quem venho falando, já sugeriu e me “atiçou” a sair dessa cidade. Minha antiga psicóloga também levantou essa questão. Hoje uma pessoa da família que também trabalha na empresa falou que eu deveria buscar coisas em outro lugar, pois sou inteligente e etc. Esse tipo de comentário tem sido bem recorrente na verdade.
Algumas semanas atrás, resolvi visitar um amigo Curitiba, pois é a capital mais próxima. Nunca tinha viajado sozinho, e devo reconhecer que o impacto cultural foi grande, apesar de enriquecedor. Essa cidade tem sido, portanto, uma opção que vem rondando minha mente.
Eu tenho consciência das minhas limitações técnicas. Fico apavorado em pensar trabalhar em outra empresa e desempenhar uma outra função. Eu faço algumas coisas bem, mas as áreas nas quais sou ruim levariam a situações desastrosas. Eu sou um fracasso profissional e uma farsa no meu trabalho atual. Isso realmente me deixa aflito e com medo.
A maior dificuldade é dar o primeiro passo. Sinceramente não faço ideia de quais recursos deveria usar, sites de emprego, como procurar, etc. Enfim, estou perdido. Me sinto encurralado e pressionado. A cada dia que passe, é um dia a mais que fico aqui e isso me deixa ansioso e cada vez mais insatisfeito. Talvez eu devesse reconhecer que esse lugar é o que me cabe e que devo parar de sonhar. Talvez isso seja egoísmo e injusto para os meus pais no final das contas. Sei lá, não sei mais o que pensar.
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2018.10.18 17:32 noidea7567 [Update]Apaixonei numa mina tímida e não sei o que fazer agora

Boas novas meus amigos do sub.
Finalmente após muito tempo, consegui sair com a moça. Senta que lá vem história.
Alguns dias após eu ter escrito meu outro post aqui eu finalmente tomei coragem e mandei mensagem para ela, isso foi numa sexta feira. Como ela não é da cidade, já estava viajando de volta para casa por conta do fim de semana. Pensei em ligar para ela, mas devido às circunstâncias (não faço ideia de como ela ia receber uma ligação minha rs), decidi falar por mensagem mesmo e a convidei para sair. Porém, ela estava em semana de prova (e eu também) e como ela está focada na formatura, decidiu que não haveria tempo para sair naquela semana e me disse para falar com ela essa semana.
Segunda feira, pela manhã, mando mensagem de novo e ela então me convida para ir ao cinema (eu fiquei tipo "WTF?" Ela que tá me chamando?) e me diz que vai chamar mais dois amigos. Nesse momento, ansiedade social triggered! Eu já estava super nervoso de sair com ela, imagina com mais dois amigos dela que nem conheço... Sei não, hein? Reluto em aceitar e peço para vê-la pessoalmente (odeio ficar "batendo papo" por mensagem, ouvir a voz das pessoas é ótimo, ainda mais nessas horas. Fora que eu ainda queria saber qual era a parada dos "dois amigos") e ela aceita, íamos nos ver no horário do almoço.
Chegada a hora do almoço, vou almoçar e na saída a vejo ao longe de relance. Não consegui retornar, porque depois que você sai do restaurante da faculdade, não pode entrar de novo. Vou para os possíveis locais onde eu poderia encontrá-la mas não dá certo. Aguardei uma mensagem (eu não ia mandar de novo, porque ia ser chato) e nada, nem sinal de vida. A hora do almoço acaba e tenho que voltar aos meus afazeres (Grr!...).
No início da noite, recebo uma mensagem dela, ela está me dizendo qual cinema, horário e filme iríamos ver. Aceito e marcamos de encontrar na quarta (ontem). (Não fazia ideia de quem eram os amigos dela e nem perguntei para não ficar igual a PM kkk... Mas ok, vamos lá).
Ontem mando mensagem para ela 1h antes do horário combinado para o encontro, confirmando tudo e ela vem com um papo de que não sabe mais se ia dar porque seus amigos desmarcaram (Wow O.o) e que acha que não consegue chegar a tempo da seção. Ofereço de buscá-la em casa e ela diz que não precisa porque conseguiu subir de ônibus.
Chego no cinema (tô de tênis preto, bermuda jeans azul escura, blusa cinza listrada com degradês e uma barba pelo de saco falhada (pqp, como odeio ela) que não deu tempo de fazer), ajeito o cabelo (que continuou horrível kkkk...) e ela me avisa que chegou, respondo que estou já na porta e assim que tiro os olhos da tela do celular me deparo com ela logo à minha frente (Meu deus cara, ela estava linda... Jeans com um tênis de cano alto vermelho sangue e uma blusa branco gelo (ou cinza?) tipo bordada com uma bolsa quadrada (não lembro se era marrom terra...), cabelos longos naturalmente cacheados e castanhos... Cara, que cena! Rsrs...). Comprimento-a com um abraço e ela vem com um papo de que não quer falar muito porque está sem voz (será mesmo?...).
Na fila batemos papo e falamos sobre nosso dia e a faculdade. Compramos as entradas (ela escolhe as cadeiras) e vamos até a sala. Ela fica comentando sobre os filmes dos trailers que estão passando nas propagandas que antecedem o filme (Olha ai, uma chance de sair de novo com ela ;)) e então o filme começa.
O filme estava até bom (não foi o melhor que já vi na vida, mas valeu pela companhia rs), tento aproximar meu braço do dela mas ela está toda recolhida na cadeira dela e se eu fosse mais longe ia ficar meio estranho (tipo "o que que você tá fazendo, cara?").
Na saída, entregamos nossos óculos 3D e ela me espera ir ao banheiro (achei muito engraçado a cena kk, normalmente ficam os caras segurando bolsas e esperando as moças, mas é isso ai). Ofereço carona à ela e ela não aceita de primeira, insisto mais uma vez e ela então aceita.
Chegando no carro, deixo ela escolher a trilha sonora e ela coloca a música tema do filme (que música boa cara, curti mesmo), vamos ouvindo isso pelo caminho. Ela me diz que ficou desapontada com os amigos que desmarcaram, vou transcrever as falas, melhor: "-Cara, meus amigos desmarcaram em cima da hora, um disse que teve que ir ao hospital com a avó e a outra teve que entregar um trabalho da faculdade. -Pô, que chato. -Meu irmão perdeu a chance também, ele não quis vir. -Ai, não vou mentir não, quando tu falou que ia chamar mais amigos eu fiquei nervoso... -Ah, sem problemas, não chamo mais ninguém. -Hey, que isso, não precisa fazer isso. É que eu tava meio ansioso porque eu ia sair direto da faculdade e vir aqui, tava todo bagunçado... E olha pra você, tu está toda arrumada, está bonita. -(Risos) Nada... -Quando te vi lá na entrada achei que tu ia me mandar ir em bora "Não, olha esse cara, vai em bora" (Risos) -Não, não faria isso. [...]"
Pergunto se ela não poderia sair de novo na semana que vem ou no fim de semana e ela diz que está ocupada pois está priorizando os estudos e que nos fins de semana sempre vai para cidade dela. Chegando na casa dela, me despeço dizendo que vou chamá-la novamente um dia: "-Vamos marcar de novo outro dia. -Ah, claro. Me avisa que a gente vê o que faz. -Pode deixar, vou mandar mensagem ou te achar lá na faculdade mesmo, apesar de você sempre estar escondida (Risos). -(Risos) Tá bom. -Boa noite e até mais. -Tchau, boa noite."
Já coloco a música de novo no repeat infinito e saio extremamente feliz. Depois que cheguei em casa estava com uma felicidade inexplicável e nem conseguia pegar no sono pensando no que tinha acabado de acontecer.
Bom, parece que não deu certo, mas para alguém que fazem nem três anos era o cara estranho que ninguém conhecia e ninguém conversava e nem sabia falar, foi um grande avanço. (Uhul!) Estou feliz demais.
Vou procurá-la novamente "em breve" (não posso ficar em cima de mais, porque ela "corre" por qualquer motivo) e manter um papo quando vê-la por aí (o que deve ser difícil, dado que ela fica mais tempo em aula e onde ela trabalha do que "por aí", mas ok).
PS: Agradeço todo apoio do pessoal que comentou no meu outro post.
PS2: Sony (huehue brbr)
PS3: Se alguém tiver mais alguma dica ou comentário, só deixar ai que leio assim que der, valeu.
TL;DR: Consegui sair com a mina e parece que tudo vai se encaminhar no futuro, não penso em desistir agora mas vou ter que ter alguma paciência.
Obrigado à quem leu tudo, desculpem pelo texto enorme mas acho que sou meio detalhista.
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2018.08.05 14:36 Bysscath Meu diário (04/08)

Acordei bem cedo, o dia estava lindo. Tomei meu café, feito por meu padrasto. Liguei meu notebook e pesquisei sobre meu possível tema para TCC (energia fotovoltáica no cenário da cidade) até o meio dia, nesse tempo também assisti ao episódio 17 de boku no hero, que foi ótimo, por acaso. Enquanto pesquisava, me sentia feliz por ter tido um insight que me levou ao tema e orientador. Parecia que o universo conspirava para que eu chegasse àquele exato momento (ao escrever isso, estou ouvindo Sparks - Coldplay, que delícia!). Os desafios que eu terei que enfrentar no TCC me movem
Me pediram pra fazer almoço. Pensei comigo: "por quê não?" e fui fazer. E para minha grande surpresa, ficou muito gostoso e agradei quase todo mundo. O sabor que tinha para mim era de liberdade, então acho que farei sempre que possível, sinto que me vai ser útil futuramente.
Depois de almoçar eu voltei para o computador e comecei a pesquisar coisas aleatoriamente (como sempre), ouvir músicas que não tinha costume de ouvir e me encantei com a banda "Supercombo", com a voz de Carol Biazin. Nesse contexto, acabei por assistir algum ou outro vídeo do canal "Quadro em Branco" que havia descoberto há alguns dias e gostado muito. Um dos ótimos vídeos é titulado "Amor Líquido" e posso afirmar que minha visão sobre o amor se expandiu. Daí, na lista de canais relacionados, havia o "Ludoviajante", o qual logo me inscrevi também após ver o vídeo sobre a série BoJack Horseman e a busca do personagem principal por algo que preencha seu "vazio existencial". Me identifiquei muito com o personagem e acho que isso é um problema. E aí vi o vídeo que me fez estar aqui (O que é reddit?), acho que gostei da sugestão de um lugar onde o anonimato é incentivado.
E então, chega uma mensagem da namorada de um primo meu (mais tarde descobrimos que foi ele quem mandou pelo celular dela), perguntando se nós estávamos em casa e que eles queriam vir aqui. Surpresa, pois fazia quase um ano que não vinham aqui, apesar de nos darmos muito bem. Admiro a cumplicidade dos dois (^^). Foi ótimo o nosso encontro, ela me devolveu uns livros que eu havia emprestado para ela e pegou um box que eu havia comprado para ela e ainda levou um livro emprestado (Os Miseráveis), fiquei muito feliz. Combinamos com eles de irmos juntos a uma barraquinha dessas de igreja.
Alguns minutos depois de irem embora, já estávamos arrumando para irmos a essa barraquinha. Chegamos lá e ainda estava tendo celebração de missa. Durante a celebração, eu olhava todos aqueles seminaristas tão jovens e cheguei à conclusão que não entendia o que os levava a seguir por tal caminho, ainda não compreendo. Fim da missa, início da festa. Foi ótimo, a comida estava ótima, o som, a animação dos presentes, as nossas companhias (no meio disso, conheci uma menina e sua mãe e rimos bastante durante a festa). Amo sorrir e ver as pessoas sorrirem junto.
Escovei os dentes e fui para cama... com pensamentos pecaminosos em mente... assisti alguns vídeos e dormi.
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2018.06.19 22:06 comoas Como lidar com a família da namorada?

Queria deixar bem resumido o que tenho a desabafar então la vai.
Conheci essa moça faz um ano atrás, a tia dela apresentou ela para mim, essa mesma tia apresentou minha mãe pro meu pai anos atras quando ele estava na policia. O primeiro encontro nosso foi incrível, fui na minha cidade onde passei a infância, comemos pizza vendo TV juntos com a tia, o namorado babaca dela e a filha.
Um dia depois, já marcamos de nos vermos no fim de semana aqui em casa e aí que começamos a namorar de verdade. Minha família foi bem receptiva com ela no começo, mãe tratava ela como filha, pai ficava meio sem graça mas era amigável. Com o tempo a minha namorada começou a ficar um pouco preguiçosa, acomodada, tínhamos o habito de limpar a casa da minha vó (moro com a vó) do teto ao chão, fazíamos a comida e tudo mais, daí depois de um tempo apenas fazíamos a janta e almoço e com isso minha família começou a ficar mais de cara fechada com ela, eram mais frios....
Enfim, com o tempo fui na casa dela e descobri tudo o que ela tinha, a mãe dela abandonou ela e a irmã para ficar com o irmão do meu sogro (um rabugento que abusa verbalmente a minha sogra) e aí o negócio foi pra baixo pra vida dela, o pai dela bebia muito, ja chegou as vezes ser agressivo pra dar medo mas não chegou a bater na minha namorada (até onde sei). Hoje é mais relaxado, ele só fica enchendo o saco e desmerecendo ela, falando coisas que tiram as esperanças dela de uma vida melhor, eles são colonos daqui do sul, muito pobres que passaram dificuldades enormes na vida, minha namorada só teve uma casa com banheiro depois dos 8 anos.
A família da minha namorada são colonos também mas são muito bem de vida inclusive uma tia da minha namorada é dona de uma empresa de sorvetes daqui do RS e essa mesma tia levou a irmã mais nova da minha namorada com ela e criar ela. Financeiramente eles não ajudam em nada com meu sogro sendo que ele trabalha quase o dia inteiro até o começo da noite na roça, lida com agrotóxicos com quase nenhum equipamento.
Com o tempo que convivi com minha namorada, eu percebo que eles querem mesmo é lavar as mãos com os problemas que a minha namorada tem que lidar com o meu sogro, eles nem tentam ajuda-lo a mudar, ou levar ele numa clinica, talvez ajudar com dinheiro, porra, a mulher é dona de uma sorveteria que é um formigueiro de gente no verão, tem uma casa enorme e ela não tem como ajudar?!
O tio dela é dono de uma fazenda, vende bois e porcos aos montes, as primas pouco se importam com ela e inclusive a filha da tia dona da sorveteria não reconhece o pai (meu sogro) que tem, não ve ele desde a época que nasceu sendo que moram a uns 20 kms (mais ou menos) longe do outro, uma baita de uma patricinha metida que fazia da minha vida um inferno no ensino fundamental (meio irônico que ela é minha cunhada agora).
Enfim, eu sinceramente não sei o que fazer, hoje em dia minha namorada anda muito triste, o pai dela quase não fala com ela, a família nem se importa (já faz quase um mês que não vemos eles, sendo que moram bem perto), a minha família anda tentando mudar minha cabeça pra achar uma moça daqui da minha cidade, com uma cultura e jeito parecido com alguém da cidade.
Desculpe pelo texto grande, foi o jeito que encontrei de desabafar tudo isso.
OBS: Nós dois temos 21 anos.
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2018.02.20 03:31 bugain Um início de um conto de suspense. O que acham?

Vanessa acorda aflita com a respiração disparada. Seu rosto está suado e seus olhos trazem a expressão de desespero de quem tem o sono interrompido. Olha ao seu redor, tentando entender aonde se encontra. Está numa sala escura. A sua frente, uma mesa de madeira típica de escritório, em cima, um computador e muitos papéis espalhados. A sala não é grande e por de trás da mesa vê, na outra parede, quadros pendurados. O escuro não a permite ver seus conteúdos, mas os contornos levemente dourados refletem a eventual luz da rua que entra pela janela. Seus braços estão naturalmente pousados na poltrona. Fecha os olhos tentando recobrar suas memórias recentes. Seus últimas memórias parecem turvas e distantes, lembra de ter trabalhado até tarde, de ter saído do seu escritório e. Seu escritório. Vanessa reabre os olhos repentinamente e vasculha a sala. Seu escritório. Ela está em seu escritório. A confusão inicial não lhe permitira perceber que estava sentada na sua própria sala. Sentada no escuro somente com as luzes da rua cortando um pouco o breu. Pendurado no topo da parede oposta o grande relógio de ponteiros pretos. Mesmo com o breu as horas são visíveis: o ponteiro menor apontando para as duas e o maior para as 3. 2h15 da manhã, aquelas não são horas dela estar em seu escritório. Lembra de ter saído tarde, mas de ter saído do escritório. A semana tinha sido brava, com um grande projeto que exigira sua atenção e que ainda não estava completo. Hoje mesmo tinha trabalhado até tarde, tendo saido do escritório por volta das 23h. E depois, depois é que a memória ficava turva. Apoia suas costas na poltrona e fecha mais uma vez seus olhos. Preciso recobrar a memória, lembrar do que aconteceu. Sua respiração acelera conforme ela percebe a situação em que está, aquele desconhecimento do que poderia ter acontecido entre as 23h e as 2h. Aonde ela estava? O que aconteceu? Por que estava de volta ao escritório a esse horário? Se agarra contra os braços da poltrona e estica suas pernas, tentando se desvencilhar daquele pesadelo. Ao esticar suas pernas, sente a sensação do carpete roçando contra seu pé. Olha em direção ao chão e, surpresa, percebe que está calçando só uma bota. O que teria acontecido com a outra? Vanessa senta-se normalmente e inspeciona seus pés. Em seu pé esquerdo sua bota preta estilo coturno sem salto. Ao seu lado, seu pé direito descalço. Sente o contraste entre seu pé calçado e protegido, envolto pela bota firmemente amarrada, e seu pé descalço e exposto, sensível ao frio da sala e a textura do carpete. Como isso pode ter acontecido? Como eu fiquei sem uma bota? Vanessa se levanta da cadeira em busca da bota perdida. Quando se põem de pé, mal estar súbito a aflige, um borrão enegrece sua visão e a desestabiliza e ela só não cai porque consegue se apoiar na mesa. Inspira expira, inspira respira. Repete pra si mesmo tentando se manter consciente. Inspira expira. Você precisa acender a luz e entender o que tá acontecendo. Alguns passos até o interruptor e a luz da sala vai te ajudar a entender melhor a situação. Este é o seu escritório. Até onde você sabe aqui é um lugar confiável, aqui é um lugar que você não esta correndo perigo. Repentinamente Vanessa apoia contra a mesa. Perigo. Preciso saber se estou bem, se aconteceu alguma coisa comigo nessas horas que perdi a memória. Começa a se inspecionar, passando as mãos pelo rosto, pelo couro cabeludo, descendo pelo pescoço em busca de alguma dor, alguma marca, algo que possa tê-la deixado assim. Aqui em cima nada. Desce suas mãos pelo seu torso, suas costas, uma mão ajudando a inspecionar o braço oposto. Dobra sua camisa até a altura dos cotovelos e não repara em nenhuma escoriação em seus antebraços. Suas mãos vão se arrastando pelo corpo em busca de algum relevo não natural, alguma pontada de dor, qualquer coisa que não estava ali. Inspeciona sua perna esquerda, sentando sobre a mesa e a aproximando de seu torso. Troca as pernas e faz o mesmo com a direita. Talvez algo tenha acontecido com meu pé, por isso estou sem a bota. Suas mãos se arrastam por cima da calça jeans azul, vasculhando desde o topo das coxas, passando pelo joelho, contornando a batata da perna até atingir seu tornozelo descalço. Suas mãos envolvem seu pé e o apertam como numa massagem procurando alguma estranheza. Nada. Estava intacta assim como estava quando saíra do escritório às 23h, com o detalhe pontual de que agora estava sem uma bota. Sua cabeça é única fonte de incômodo. Aquele mal-estar que a quase derruba-la, a falta de memória recente. Relembrou o dia anterior, aquela quinta-feira típica, desde a hora que ela acordou e se preparou para o trabalho, o serviço do dia, a pausa pro almoço, as conversas no café, as fofocas, a tarde que se arrastara, o monte de serviço, a tensão inerente aquele projeto importante, o final do expediente para o restante do escritório, as pessoas indo embora e as horas se passando e ela ainda debruçada pelo trabalho. Um dia exaustivo mas nada que explicasse aquele lapso de memória. Saindo do trabalho tão tarde ela se encaminhou para algum lugar. Tinha uma vaga lembrança de ter conversado com alguém ao longo do dia e ter combinado um encontro mesmo tão tarde. Uma sensação azeda tomou sua boca. Sentia aquele gosto espalhado pela sua língua e tentava reconhecê-lo: definitivamente não era natural, não parecia orgânico, parecia álcool, além disso, um leve toque de doce gerando um contraste de sabores. Embalada por essa sensação percorreu sua memória gustativa, atrás da origem daquele sabor, mais que uma comida, imaginava cada vez mais que o gosto provinha de um drink ou um coquetel. Eu encontrei a Beatriz ontem. A lembrança que tinha encontrado sua amiga surgiu de repente. Tinham conversado por mensagem ao longo do dia e combinado de se encontrar para aproveitar um happy hour. Vanessa não queria ir por conta do cansaço da semana mas a insistência de Beatriz foi maior e elas se encontraram por volta das 23h30 no Bar 1835, algumas quadras do escritório de Vanessa. O encontro foi vindo na memória, o momento quando as duas se encontraram, o que comeram, os drinks - os responsáveis por aquele gosto azedo de sua boca. Mas o que aconteceu depois? Nada que justificasse um lapso de memória tão grande e ela ter acordado ali no escritório algumas horas depois. Aonde está a Bea? Vanessa tocou o bolso da sua calça. Localizou seu celular e destravou sua tela. Quatro ligações perdidas de Beatriz por volta das 1h. Então nessa hora já tínhamos nos separados. Abriu suas mensagens e viu uma mensagem de Beatriz -Amiga, onde você está? - 00h45 -Me atendeeeee - 00h53 -Você já foi embora? - 1h -Você saiu com o cara afinal? - 1h05 Aquelas quatro mensagens eram a prova de que por algum motivo as duas tinham se separado. Precisava ligar para Beatriz e descobrir o que tinha acontecido, precisava que a amiga a contasse sobre a noite passada. Abriu a agenda, selecionou o contato de Beatriz e começou a ligar. Um toque. Dois toques. Três toques. Escuro. Seul ceular entrou no modo de sem bateria e começou a desligar - Maldita a hora que foi acabar a bateria! - falou Vanessa para a sala vazia. 
...
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2018.02.20 03:20 bugain Vejam o que acham do início desse conto de suspense que escrevi

Vanessa acorda aflita com a respiração disparada. Seu rosto está suado e seus olhos trazem a expressão de desespero de quem tem o sono interrompido. Olha ao seu redor, tentando entender aonde se encontra. Está numa sala escura. A sua frente, uma mesa de madeira típica de escritório, em cima, um computador e muitos papéis espalhados. A sala não é grande e por de trás da mesa vê, na outra parede, quadros pendurados. O escuro não a permite ver seus conteúdos, mas os contornos levemente dourados refletem a eventual luz da rua que entra pela janela. Seus braços estão naturalmente pousados na poltrona. Fecha os olhos tentando recobrar suas memórias recentes. Seus últimas memórias parecem turvas e distantes, lembra de ter trabalhado até tarde, de ter saído do seu escritório e. Seu escritório. Vanessa reabre os olhos repentinamente e vasculha a sala. Seu escritório. Ela está em seu escritório. A confusão inicial não lhe permitira perceber que estava sentada na sua própria sala. Sentada no escuro somente com as luzes da rua cortando um pouco o breu. Pendurado no topo da parede oposta o grande relógio de ponteiros pretos. Mesmo com o breu as horas são visíveis: o ponteiro menor apontando para as duas e o maior para as 3. 2h15 da manhã, aquelas não são horas dela estar em seu escritório. Lembra de ter saído tarde, mas de ter saído do escritório. A semana tinha sido brava, com um grande projeto que exigira sua atenção e que ainda não estava completo. Hoje mesmo tinha trabalhado até tarde, tendo saido do escritório por volta das 23h. E depois, depois é que a memória ficava turva. Apoia suas costas na poltrona e fecha mais uma vez seus olhos. Preciso recobrar a memória, lembrar do que aconteceu. Sua respiração acelera conforme ela percebe a situação em que está, aquele desconhecimento do que poderia ter acontecido entre as 23h e as 2h. Aonde ela estava? O que aconteceu? Por que estava de volta ao escritório a esse horário? Se agarra contra os braços da poltrona e estica suas pernas, tentando se desvencilhar daquele pesadelo. Ao esticar suas pernas, sente a sensação do carpete roçando contra seu pé. Olha em direção ao chão e, surpresa, percebe que está calçando só uma bota. O que teria acontecido com a outra? Vanessa senta-se normalmente e inspeciona seus pés. Em seu pé esquerdo sua bota preta estilo coturno sem salto. Ao seu lado, seu pé direito descalço. Sente o contraste entre seu pé calçado e protegido, envolto pela bota firmemente amarrada, e seu pé descalço e exposto, sensível ao frio da sala e a textura do carpete. Como isso pode ter acontecido? Como eu fiquei sem uma bota? Vanessa se levanta da cadeira em busca da bota perdida. Quando se põem de pé, mal estar súbito a aflige, um borrão enegrece sua visão e a desestabiliza e ela só não cai porque consegue se apoiar na mesa. Inspira expira, inspira respira. Repete pra si mesmo tentando se manter consciente. Inspira expira. Você precisa acender a luz e entender o que tá acontecendo. Alguns passos até o interruptor e a luz da sala vai te ajudar a entender melhor a situação. Este é o seu escritório. Até onde você sabe aqui é um lugar confiável, aqui é um lugar que você não esta correndo perigo. Repentinamente Vanessa apoia contra a mesa. Perigo. Preciso saber se estou bem, se aconteceu alguma coisa comigo nessas horas que perdi a memória. Começa a se inspecionar, passando as mãos pelo rosto, pelo couro cabeludo, descendo pelo pescoço em busca de alguma dor, alguma marca, algo que possa tê-la deixado assim. Aqui em cima nada. Desce suas mãos pelo seu torso, suas costas, uma mão ajudando a inspecionar o braço oposto. Dobra sua camisa até a altura dos cotovelos e não repara em nenhuma escoriação em seus antebraços. Suas mãos vão se arrastando pelo corpo em busca de algum relevo não natural, alguma pontada de dor, qualquer coisa que não estava ali. Inspeciona sua perna esquerda, sentando sobre a mesa e a aproximando de seu torso. Troca as pernas e faz o mesmo com a direita. Talvez algo tenha acontecido com meu pé, por isso estou sem a bota. Suas mãos se arrastam por cima da calça jeans azul, vasculhando desde o topo das coxas, passando pelo joelho, contornando a batata da perna até atingir seu tornozelo descalço. Suas mãos envolvem seu pé e o apertam como numa massagem procurando alguma estranheza. Nada. Estava intacta assim como estava quando saíra do escritório às 23h, com o detalhe pontual de que agora estava sem uma bota. Sua cabeça é única fonte de incômodo. Aquele mal-estar que a quase derruba-la, a falta de memória recente. Relembrou o dia anterior, aquela quinta-feira típica, desde a hora que ela acordou e se preparou para o trabalho, o serviço do dia, a pausa pro almoço, as conversas no café, as fofocas, a tarde que se arrastara, o monte de serviço, a tensão inerente aquele projeto importante, o final do expediente para o restante do escritório, as pessoas indo embora e as horas se passando e ela ainda debruçada pelo trabalho. Um dia exaustivo mas nada que explicasse aquele lapso de memória. Saindo do trabalho tão tarde ela se encaminhou para algum lugar. Tinha uma vaga lembrança de ter conversado com alguém ao longo do dia e ter combinado um encontro mesmo tão tarde. Uma sensação azeda tomou sua boca. Sentia aquele gosto espalhado pela sua língua e tentava reconhecê-lo: definitivamente não era natural, não parecia orgânico, parecia álcool, além disso, um leve toque de doce gerando um contraste de sabores. Embalada por essa sensação percorreu sua memória gustativa, atrás da origem daquele sabor, mais que uma comida, imaginava cada vez mais que o gosto provinha de um drink ou um coquetel. Eu encontrei a Beatriz ontem. A lembrança que tinha encontrado sua amiga surgiu de repente. Tinham conversado por mensagem ao longo do dia e combinado de se encontrar para aproveitar um happy hour. Vanessa não queria ir por conta do cansaço da semana mas a insistência de Beatriz foi maior e elas se encontraram por volta das 23h30 no Bar 1835, algumas quadras do escritório de Vanessa. O encontro foi vindo na memória, o momento quando as duas se encontraram, o que comeram, os drinks - os responsáveis por aquele gosto azedo de sua boca. Mas o que aconteceu depois? Nada que justificasse um lapso de memória tão grande e ela ter acordado ali no escritório algumas horas depois. Aonde está a Bea? Vanessa tocou o bolso da sua calça. Localizou seu celular e destravou sua tela. Quatro ligações perdidas de Beatriz por volta das 1h. Então nessa hora já tínhamos nos separados. Abriu suas mensagens e viu uma mensagem de Beatriz -Amiga, onde você está? - 00h45 -Me atendeeeee - 00h53 -Você já foi embora? - 1h -Você saiu com o cara afinal? - 1h05 Aquelas quatro mensagens eram a prova de que por algum motivo as duas tinham se separado. Precisava ligar para Beatriz e descobrir o que tinha acontecido, precisava que a amiga a contasse sobre a noite passada. Abriu a agenda, selecionou o contato de Beatriz e começou a ligar. Um toque. Dois toques. Três toques. Escuro. Seul ceular entrou no modo de sem bateria e começou a desligar - Maldita a hora que foi acabar a bateria! - falou Vanessa para a sala vazia. 
...
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2018.01.30 00:14 Alfre-douh Assunto mal resolvido

Resolvido?! Caramba pá! Que merda é essa agora hein?! Ser um tipo resolvido, que é isso? Toda a gente agora parece ter aceite esse termo como um novo mantra, estar com alguém que seja um indivíduo resolvido. Nem aplicam muita profundidade à coisa, aquilo é ideia que vive ali entre o ajuda a limpar a casa e o é previsível. Ou seja: basicamente alguém capaz de ser lido e não lembrar relações que correram mal no passado. Zero trabalho de relacionamento, zero esforço de auto-percepção, zero pessoa-espelho para não cansar muito a vidinha inerte que se pretende. Zero, Zero, Zero ... o novo número das bestas.
Começou há dois dias atrás. Estava eu ao balcão a limpar a espuma da bica com a colherzinha e oiço: "... sim, porque ela é uma gaja resolvida! Percebes o que quero dizer?! Tipo não há stressesh nem nada dessas cenas." "Ya percebo-te...a minha chavala também me traz bué estabilidade. Foda-se depois do que eu passei, quero mesmo é paz e sossego, e ter uma pessoa resolvida na minha vida traz-me bué isso. Tás a ver?!"
Passam nas minhas costas enquanto eu estou ao balcão, qual figurante do Barco do Amor. Nestas situações dá sempre uma vontade incompreensível de sacar a pinta aos locutores desta nova vaga a que eu gosto de chamar matarruanos sentimentalões. Não o faço e vivo para me arrepender disso. Adiante, eles passam por mim e vão até uma mesa no canto. Não os consigo ouvir do balcão e não vou estar com aproximações à National Geographic para ouvir mais do mesmo. Portanto a modos que aspirei o ar da rua e fundi-me num, não digo mar, mas quiçá ribeiro de gente, que passava por ali àquela hora.
Um dia depois... ontem portanto. Fui ao supermercado aviar-me de cerveja alemã de marca branca e passo pela secção de higiene (aquilo a organização do espaço muda tantas vezes que um tipo acaba a passar onde não quer, claro está). Então era uma mulher de meia idade (a minha idade) a dizer para a outra: "...tu sabes lá! Ele vai e vira-se para mim e diz-me que nem que a vaca tenha movimentos involuntários de limpeza da traqueia que ele se vai dar ao trabalho de pintar o móvel de verde acetinado. Mas menina, não penses que por convicção estética, é mesmo só porque dá trabalho. E tu percebes, da mesma forma que não pinta o móvel como eu quero também não se dá ao trabalho de outras coisas. Opá se eu fosse nova outra vez a ver se eu não caía mas era encima de um homem resolvido!" A outra vai e responde: "Pois, eles para não fazerem nada são todos resolvidos". Mudam subitamente a conversa para um longo divagar sobre o Redfish não ser bem vermelho, mas mais para o alaranjado vivo e eu aproveito para me lembrar do meu propósito e ir também comprar uns amendoins com casca.
Hoje, acordo de manhã (nem todos os dias o faço), e lembro-me duma conversa que ouvi sobre comer frutos secos ao pequeno-almoço. Também houve alguém que me disse que os óleos dos frutos secos podem por o fígado a carburar mal, mas resolvi dar uma chance à moda e toca de começar a descascar umas sobras de amendoins de ontem. Estava eu de cigarro no cinzeiro a fazer incenso a aviar-me de amendoins e nisto entra a minha mulher. "Ó Alfredo... olha para o teu aspecto, come antes um pão de sementes!" "Sementes ou amendoins não é a mesma coisa? Aliás, pelo menos os amendoins descasquei-os eu. Sabe-se lá quem descascou as sementes" "Ó querido, não te ponhas com essas coisas, lê a roda dos alimentos que te deixei no frigorífico!" "Aquela merda recortada da revista do Doce Pingo em que o puto escreveu a caneta de álcool: Carne é morte e o glutem também o é, oremos ao pai-bróculo?" "Aquilo não é caneta de álcool!" "Estou-te a dizer que é!" "Não é nada Alfredo, nem a brincar digas isso..." "Oremos ao Pai-bróculo!... vou ter de lhe cortar as vazas na próxima mesada" "Possas pá, ninguém nesta família ajuda! Só gente mal resolvida... dá-me lá um cigarro que tenho de ir trabalhar".
Enrolo-lhe um cigarro, azoado com a questão "ser uma qualquer resolução" e sigo para varanda, onde de resto me encontro a tentar achar solução para todo este assunto muito mal resolvido.
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2017.06.25 13:45 feedreddit Desprestígio e vexames marcam turnê europeia de Temer

Desprestígio e vexames marcam turnê europeia de Temer
by João Filho via The Intercept
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Com 2% de popularidade e prestes a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça, o presidente ilegítimo Michel Temer saiu em nova turnê internacional. A primeira, em outubro do ano passado, quando visitou a China e a Índia, foi umdeprimente festival de vexames. O momento mais triste foi quando Temer, mais“falastrão”que Josley, narrou em detalhes um almoço que teve com Putin durante o encontro dos BRICS. Mas faltou combinar com o russo, já que oalmoço nunca aconteceu. Muito pelo contrário, o brasileiro foi o único dos presidentes do encontro que não teve uma reunião com o presidente russo—porque Putin não quis.
Mas se Putin não foi até Temer, Temer agora foi até Putin. O presidente foi à Rússia para atrair investimentos e tentar passar uma imagem de normalidade enquanto o mundo desaba sobre sua cabeça. Um dos principais pontos da agenda bilateral eratentar convencer os russosde que a produção de carnes brasileiras continua passando por um sistema de controle sanitário confiável. Joesley agradece essa deliciosa ironia.
Antes da viagem, o Palácio do Planalto já começou a lambança publicando na agenda oficial que o presidente viajaria para a “República Socialista Federativa Soviética da Rússia”. Nada relevante, o equívoco ficou apenas 15 minutos no ar, mas já era um aperitivo dos vexames que estariam por vir. Na chegada a Moscou, Temer não foi recebido por Putin, mas por um representante do segundo escalão do governo russo.
O desprestígio se repetiu em outros episódios ao longo da passagem de Temer pela Rússia. Além de Sérgio Utsch do SBT, outros correspondentes brasileiros registraram a frieza com que nossos representantes foram recebidos:A gerente do hotel Ritz não quer que o PRESIDENTE do Brasil dê uma coletiva aos jornalistas brasileiros no hall do hotel. Que prestígio.
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 20 de junho de 2017
Ontem, a Embaixada do Brasil em Moscou organizou um coquetel para Temer. Apenas metade das pessoas convidadas compareceu. (1/2)
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 21 de junho de 2017
“Nunca vi um presidente tão desprestigiado”, ouvi de um pessoa que estava no coquetel de Temer. (2/2)
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 21 de junho de 2017
Durante o coquetel na Embaixada do Brasil em Moscou, Temer vagava sozinho pela embaixada, tentando se aproximar das rodinhas.
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 21 de junho de 2017
Nesse tipo de evento, falar com o presidente requer mta paciência. Ontem, Temer era quem tentava puxar assunto c as pessoas.
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 21 de junho de 2017
Conversei c pessoas q estiveram em eventos parecidos c FHC, Lula e Dilma. Ninguém nunca viu o constrangimento e desprestígio q viram c Temer
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 21 de junho de 2017
Essas histórias do desprestígio do Temer estão me dando pena, gente. Pena de mim. E de nós.
— Sandro Fernandes (@cafecomkremlin) 21 de junho de 2017
Para piorar o cenário deprimente, Temer resolveu contar umas lorotas para agradar os russos. Segundo ele, acultura russa está muito presente na nossa sociedadee os grandesescritores russos são devorados pelos brasileiros. Disse ainda que“Dostoievski e Tchaikovski fazem parte do nosso próprio panorama cultural”. Seria pretensioso demais cobrar honestidade de Temer, mas a influência russa na cultura brasileira se resume à vodka, ao strogonoff —em que sincretizamos colocando batata palha—e à Elke Maravilha.
Antes de ir embora e levar seu bonde para passar vergonha na Noruega, Temer fez questão desuperlativizar a hospitalidade de Putin. “Ele ofereceu almoço. E foi algo finíssimo, algo elegantíssimo.” Mas o vexame diplomático também foi no superlativo, já que o presidente deixou a Rússia sem assinar nenhum acordo relevante.
Ao chegar em Oslo, nem o segundo escalão do governo norueguês foi receber Temer. Arecepção ficou por conta do chefe interino do aeroporto.
Antes de sair em turnê internacional, o governo brasileiro havia recebido uma carta do ministro do Meio Ambiente norueguês demonstrando insatisfação com as decisões do Congresso em relação ao licenciamento ambiental e à redução das áreas de preservação ambiental.No documento, a Noruega deixa claro que poderia colocar em risco a parceria estabelecida entre os dois países nesta área. O país escandinavo é o maior doador de recursos para a preservação da Amazônia e já investiuquase R$ 3 bilhõesnos últimos sete anos no Fundo Amazônia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a diminuição do desmatamento no país foi interrompida nos últimos dois anos e teve umaumento de 58%.Por uma obviedade diplomática, este deveria ser o assunto central do primeiro discurso do presidente em solo norueguês. Mas Temersimplesmente ignorou o conflitoe preferiu contar as maravilhas que tem feito na economia e de como é apoiado pelo Congresso.
Temer é recebido com protestos (Foto: Reprodução/Twitter @utsch)
O assunto que interessava aos noruegueses ficou a cargo do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que parecia não saber muito bem o que estava fazendo ali. Ao lado do ministro do Meio Ambiente norueguês, ouviu as reclamações do colega sobre desmatamento e afirmou que o“problema é dos governos passados”. É como se ele fosse um representante de um governo, e não de uma nação. O ridículo fica maior quando lembramos que ele também foi ministro do Meio Ambiente de FHC entre 1999 e 2002, época em que a Amazôniasofreu um dos maiores desmatamentos da história. Perguntado se poderia garantir para a Noruega que o desmatamento diminuirá, Zequinha Sarney não teve dúvidas e jogou a responsabilidade para os céus:“Só Deus pode garantir isso”.
O vexame só ñ foi maior aqui na Noruega pq a notícia ñ se espalhou muito. Apenas um jornalista do país cobriu a visita de Temer.
— Sérgio Utsch (@utsch) 22 de junho de 2017
Durante o encontro, a Noruega anunciou oficialmente que cortará R$ 200 milhões da doação para o Fundo Amazônia. Deve ser um caso inédito de um presidente que sai para buscar investimentos e volta com prejuízo. Claro, não é razoável investir tanto dinheiro para salvar a floresta quando o ministro do Meio Ambiente apresenta Deus como fiador do seu trabalho, quando Blairo Maggi—considerado o maior desmatador da Amazônia—é o ministro da Agricultura, e quando nosso presidente tem apoio maciço de uma bancada ruralista cada vez mais forte no Congresso.
O desprestígio de Temer na Rússia se repetiu na Noruega. Jamil Chade, correspondente do Estadão,disseque há 17 anos acompanha viagens de presidentes e essa foi a primeira vez que viu a imprensa local ignorar o Brasil.
Discurso de Temer na Noruega foi acompanhado por só 1 jornalista local….em sua 3a cobertura desde que se formou na Universidade.
— Jamil Chade (@JamilChade) 22 de junho de 2017
A correspondente do Le Monde, Claire Gatinois, falou sobre a passagem de Temer pela Europa emartigointitulado: “A estrela pálida do Brasil no cenário internacional”. A jornalista conta que Temer tenta mostrar ao mundo que o país não virou uma vergonhosa República das Bananas — “uma vã tentativa”, segundo ela. Clair destaca que o Brasil “perdeu sua atratividade internacional” e reproduz fala do presidenciável Joaquim Barbosa:
“Desde que tomou posse, há um ano, qual grande chefe de Estado veio visitar Michel Temer? Além do primeiro-ministro espanhol, também acusado de corrupção, ninguém. Na América Latina, Europa, Estados Unidos, não se presta mais atenção ao Brasil. O país tornou-se um pária.”
Antes de voltar ao Brasil, o presidente afirmou que a viagem “foi um sucesso absoluto” e mandou umamensagem para tranquilizar o mundo—um mantra baseado em um delírio bastante similar àquele almoço com Putin que nunca existiu: “E as instituições, só para tranquilizar a todos, funcionam com uma regularidade extraordinária. Portanto, as instituições estão funcionando.”
Vai ficando cada vez mais claro para os brasileiros e para o mundo que o Brasil não tem governo. É apenas um amontoado de sanguessugas que golpearam a democracia para tentar se safar da cadeia e tomar o poder sem precisar de eleições.
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2014.03.04 01:57 allex2501 I BitConf Primeira Bitcoin Conferência em Florianopolis

No dia 8 de março, sábado, Florianópolis sediará a primeira BitConf – Bitcoin Conference – organizada pela comunidade Bitcoin Brasil no Facebook, sites Koins.me e** Nerdices.com.br** e com o apoio de outros sites e fan pages, como Brasil Bitcoin e Bitcoin News.
Na edição deste ano da Campus Party, maior evento de tecnologia do Brasil e que acontece anualmente em São Paulo, foram realizados dois debates sobre Bitcoin, com a presença dos CEOs do Mercado Bitcoin e Bitcoin To You, Rodrigo Batista e Andre Horta, do empreendedor e CEO da Boo-Box, Marco Gomes e da analista de mercado Maila Manzur, mediados pelo administrador da comunidade Bitcoin Brasil, Wladimir Crippa.
Estes debates deixaram claro que há muitas pessoas e empresas interessadas em saber mais sobre o Bitcoin e como usar a moeda no dia-a-dia. Por isso, surgiu esta iniciativa de realizar a I BitConf. A conferência contará com a presença de especialistas em moedas digitais, economistas, entusiastas, empreendedores, proprietários de exchanges.
O Bitcoin é uma moeda digital, não é vinculada a nenhum banco, empresa ou governo. A própria rede de usuários mantém o sistema funcionando e gera novas moedas, em um processo chamado de "mineração".
O evento é voltado para todos os públicos, desde o iniciante que não tem ideia do que é o Bitcoin até usuários experientes e que acompanham a moeda desde seu surgimento, há 5 anos.
Quem participar da BitConf poderá também ver em funcionamento um caixa eletrônica que opera com Bitcoin (foto anexa). Nele, o usuário insere notas de reais e ele, instantaneamente, calcula o valor do Bitcoin e deposita na carteira virtual do cliente. A BitConf ocorrerá no hotel Castelmar, situado em privilegiada região da capital catarinense, com uma maravilhosa vista para o oceano e a ponte Hercílio Luz. As inscrições podem ser feitas no site www.koins.me/bitconf
No valor da inscrição – R$ 180,00 ou 0,1 Bitcoin – já está incluso coffe break, almoço e jantar.
Programação da I BitConf – Bitcoin Conference Brasil
A BitConf contará com a presença de palestrantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Confira:
9h – abertura
9:30h – mesa: o que é o Bitcoin?
Debatedores
12h – intervalo para o almoço
14h – mesa: situação atual do Bitcoin no Brasil e no mundo
debatedores
16h – coffe break
16:30 – mesa: aspectos legais e fiscais do Bitcoin
debatedores
19h – jantar
20h – mesa: oportunidade de negócios com Bitcoin
debatedores
22:30h – encerramento
Debatedores
Andre Horta (Belo Horizonte): CEO da startup BitcoinToYou, criou em julho/2013 a plataforma para compra e venda de Bitcoins no Brasil (www.bitcointoyou.com), atualmente com mais 3000 clientes cadastrados, negociando acima de 1 milhão de reais ao mês em Bitcoin. Gerenciou projetos para multinacionais como: Fiat, Ford, Usiminas, Gerdau, Vale, Banco Bonsucesso e IbiCred dentre outra. Apaixonado por tecnologia!
Fernando Ulrich (Porto Alegre): É mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado “Moeda na era digital”.
Paulo Geyer (Florianópolis): Programador autônomo, ativista de software livre e cypherpunk. Participa de projetos como o Catarse, Mailpile, Bitcoin e cjdns. Membro do Tarrafa Hacker Clube, e fundador do Wifinópolis (Rede Mesh municipal em Florianópolis). É também membro vitalício da Bitcoin Foundation.
Leandro Markus (Rio de Janeiro): Consultor tributário e empreendedor contábil com experiência nos seguintes players: Walmart, Lojas Americanas, Neoenergia, Petrobras, Águas do Brasil entre outras. Apaixonado por startups e tecnologia.
Gabriel Rhama (São Paulo):Gabriel Rhama é Motion Designer, graduado pela Escola Panamericana de Arte e Design, Professor de Direção de Arte na Studio Motion e colorista na Capsule Color. Um dos responsáveis pela criação da p2poolbrasil.org, a primeira p2pool brasileira com suporte a mais de 6 altcoins. Passa seu tempo pesquisando sobre criptomoedas e tudo o que envolve o universo Bitcoin! E fazendo o que mais gosta que é a sua paixão pelo design!
Rodrigo Batista (São Paulo): CEO do MercadoBitcoin.com.br, a maior empresa de Bitcoins da América Latina. É formado em computação pelo IFSP, Administração de Empresas pela USP e é pós graduando em Engenharia Financeira pela USP. Antes de empreender trabalhou em instituições financeiras como Morgan Stanley, Itaú BBA e Socopa corretora.
Jaison Carvalho (Joinville): Nerd Invicto (jamais foi para o Lado Negro da força), Bacharel em sistemas de informação e trabalha com tecnologia a 15 anos. Fundou uma empresa onde desenvolveu uma solução de software especialista para indústrias, vendeu a mesma e ficou rico. Agora é um entusiasta das criptomoedas e organizou o primeiro encontro de Bitcoins em Joinville. Nas horas vagas é um marido perfeito, pai babão e presta consultoria em ERP.
Marco Gomes (São Paulo): fundador da Boo-Box; co-fundador do MOVA+;Consiglieri do Grupo Jovem Nerd; ganhador ano passado do World Technology Awards como melhor profissional de marketing do mundo.
Tony Fontoura (EUA): Ph.D. Programador, empresário, visionário. Mora nos Estados Unidos desde 1998. Fundou o maior portal brasileiro no exterior, TioSam.com em 1999. Em 2006 fundou a TV Brasil Internacional, a primeira emissora brasileira no exterior. Criador e idealizador do HashDollar, a primeira cryptomoeda com cotação estável.
Bernardo Quintão: fundador da Grow Investimentos, boutique financeira independente com 7 anos de mercado em Curitiba. É entusiasta das criptomoedas e fundador do BitWifi, uma startup que utiliza o protocolo Bitcoin em seu modelo de negócio. Além de ser investidor e mentor de startups, um dos fundadores da Rede C2i de Investidores-Anjo do Paraná e fundador do Bitcoin Meetup Curitiba.
Wladimir Crippa - organização - [email protected] - 48 8826 2192
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AERO SHOW PEQUI - ENCONTROS DE PILOTOS DO SERRADO Jantar a dois para o dia dos namorados - YouTube Pastor Claudio Duarte - 2 Encontros com Jesus (2014) Almoço para o dia dos pais. canal raphael debossan fazendo almoço pra nós dois ALMOÇO DELICIOSO PARA O DIA DOS PAIS / MAIS SOBREMESA ALMOÇO DIA DOS PAIS  PALOMA SOARES VIDA A DOIS ALMOÇO PARA DUAS PESSOAS  Ailana Nascimento PREPARANDO ALMOÇO PARA DOIS - CARNE DE PANELA - ALMOÇANDO TARDE NO DOMINGO #CAROLVLOGANDO Almoço para dois com R$ 20.00! será se deu o dinheiro ...

Almoço com amigos .:: Sou grato por isso!

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Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube. Vlog cozinhando para dois. Comida simples para duas pessoas. ♥ SE INSCREVA NO CANAL ♥ # Me acompanhe: ♥BLOG: http://goo.gl/WfRaDL ♥INSTAGRAM: https://goo.gl/... Oiii povoo,tudo bem? O vídeo de hoje está super legal,compartilhei com vocês como fazer uma carne de panela, é super rápido e fácil de fazer, espero que vocês gostem. #casadosemapuros ... canal raphael debossan fazendo almoço pra nós dois 😍 CANAL RAPHAEL DEBOSSAN ... RECEITA DE FAROFA+FAZENDO ALMOÇO PARA FAMÍLIA. ... Hj não deu pra gravar fazendo o almoço mas vim mostrar ... Oi meus amores, espero que goste, foi feito com muito amor e carinho pra vocês, deixe seu gostei e inscreva -se no canal, pois sua presença é muito important... This video is unavailable. Watch Queue Queue. Watch Queue Queue PASSEIO DOMINGUEIRO A ITUMBIARA, COM DIREITO A ALMOÇO NO DÉCIO DE ARAPORÃ. RODAMOS 440 KMS, VIMOS AVIÓES EXPERIMENTAIS E CARROS ANTIGOS. sHOW DE PASSEIO. ♡Parceria (os dois e-mails são os únicos que usamos): [email protected] [email protected] ♡Assista em HD. É só clicar na qualidade de imagem e colocar 1080 p HD Duas opções de menu para você deixar a @ impressionada. Veja as receitas completas aqui: https://bzfd.it/2X5H5cO Inscreva-se no canal para acompanhar todas a... O vídeo de hoje é um almoço para o dia dos pais . Fiz bolo, foi um almoço simples.Mas foi com muito carinho . Desejo um feliz dia dos pais para todos vocês. ...